Quem da minha faixa etária não se lembra dos primeiros anos da televisão aqui em São Paulo? Meu irmão mais velho, casado, logo comprou a dele e todos os domingos era programa obrigatório passar as tardes na sua casa. À tarde sempre havia um jogo de futebol, ao vivo, até mesmo um clássico, isso na era pré-vídeotape. À noitinha a Ginkana Kibon, apresentada ao vivo pelo Vicente Leporace e pela Clarice Amaral. Quando fui morar no Cambuci em 1959, no predinho da Rua D. Duarte Leopoldo e ainda não tínhamos TV, eu ia todas as noites ver TV nos vizinhos do prédio, ou na dona Josefa do 9 ou na dona Célia, mãe da Vera Moratta, do 11. Um ou dois anos depois finalmente o meu pai chegou em casa com a grande surpresa: acabara de comprar um aparelho novinho em folha em suaves prestações.
Naqueles tempos a programação começava por volta das 18h, sempre com o Pullman Jr. na Record. Depois vinham as séries de TV, tipo Roy Rogers, Jim das Selvas, Aventuras Submarinas, Papai Sabe Tudo, entre outras. Filmes de longa metragem só nos cinemas. Às 20h girava-se o seletor para a TV Tupi, para o Repórter Esso, apresentado pelo Kalil Filho. Mais tarde era a vez do "horário nobre", com programas de auditório, musicais ou humorísticos e sempre ao vivo. Aos sábados à noite era a esperada Luta Livre do Canal 7, que mesmo com TV em casa, fazíamos questão de assistir na dona Josefa, onde todos ficavam torcendo pelo lutador bonzinho.
Ficamos muitos anos com aquela velha TV em preto e branco, que já dava sinais de que seu tempo estava acabando. Já morando na Vila Mariana, meus irmãos fizeram uma vaquinha e compramos o primeiro aparelho em cores, perto da Copa de 1974.
Hoje estou aqui, com quase 57 anos, diante de um computador escrevendo tudo isso. Não chego a dominar nem 10% dos recursos desta máquina, ao mesmo tempo tão útil e tão traiçoeira, pois vez ou outra ela resolve travar e me deixar na mão.
E não pára por aí. Mal consigo assimilar alguma novidade e esta já se torna obsoleta. Hoje temos internet, MP3, i-pod, TV de Plasma, DVD, celular que faz de tudo (até falar) e sabe-se mais o que está por vir. Naqueles distantes anos 50 tínhamos somente o rádio e uma TV ainda engatinhando e isso nos deixava mais satisfeitos do que toda esta parafernália tecnológica dos tempos modernos.
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