Neste 25 de Janeiro, São Paulo completa 454 anos de existência. Durante esses anos todos ela já foi cantada em prosa e verso por célebres escritores, autores, cantores e também por anônimos de todas as classes e origens.
Entre cantos heróicos, marchas, dobrados, sinfonias, baiões, sambas e outros gêneros musicais, uma música me cala fundo na alma. Ela foi gravada pelo “caboclinho querido” Sylvio Caldas, se não me falha a memória nos anos 50.
Sua melodia suave e sua poesia contagiante me fizeram elegê-la como a grande homenagem à minha São Paulo de todos os tempos, de todos os credos, de todos os povos, de todas os amores, enfim, a São Paulo de sempre, mesmo depois das alterações visuais processadas pelo atual alcaide.
Não sou cantor e mesmo que fosse este site não se prestaria a levar minha voz a todos que a quisessem ouvir, mas, como rabiscador de textos, quero deixar aqui registrada a poesia que é a letra desta canção:
Aonde estão seus sobrados
de longos telhados
e seus lampiões?
E os moços da academia
na noite tão fria
cantando canções?
E sinhazinha delgada
pisando a calçada
na tarde vazia?
O tempo tudo mudou
Mas não apagou a tua poesia.
Não mudou, não se acabou
a tua sedução.
A garoa cai à toa
Pra não quebrar a tradição.
São Paulo num só segundo
é o Brás, Tietê, viadutos,
barracas de flores
e a multidão.
Os pardais
Em madrigais
O sol rasgando a serração.
E a noite com seus pintores
Apagando e acendendo em cores
Seu nome no meu Coração.
Perdoem-me os leitores, mas busquei nos meus vinis e não encontrei o LP do “titio” que trazia a gravação desta obra prima, assim sendo e como a memória às vezes me falha, não consegui lembrar o nome dos autores da música. Fica, porém, na poesia deles registrada a minha homenagem à Sampa do meu coração.
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