Na Rua José Antonio Coelho, no alto da ladeira, ficava a fabrica de chocolates Lacta. Meu pai trabalhava lá, quando eu era criança, e ele tinha cheiro de chocolate. Além disso, na nossa casa sempre tinha Bis e Sonho de Valsa, o que era ótimo! Mas o que me impressionava mesmo era a entrada da “Lacta do papai”: um portão muito largo (ou que parecia muito largo), ladeado por duas pilastras e em cima delas, estátuas de leões. No meio do portãozão tinha um portãozinho, para pessoas, e eu achava tudo meio mágico, meio casa da Alice no País das Maravilhas.
Descendo um pouco, era a casa da minha tia Lygia, minha tia e minha madrinha. Ela era tão querida e tão maravilhosa que eu sempre disse que ela era minha fada-madrinha. A casa era um sobrado, e o terreno ia descendo atrás da casa, por isso a gente descia por uma escada lateral e o meu primo e minhas duas primas tinham balanço, um quadrado de areia e até um galinheiro, para guardar galinhas que eles ganharam ainda pintinhos.
Além disso, nessa escada e no quintal, dava para ver as chácaras todas verdinhas de plantação, no vale onde hoje passa a 23 de Maio!
Parece impossível, mas São Paulo era assim.
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