São Paulo, Pentacampeão

Aê mano
Belê
To só vendo
Esperando
O domingão chega
Dia de folga
Dia de jogo
É tricolô no Morumbi
Palco encantado
De grandes espetáculos
Bora, agora!
Os da Independente
Os da Dragão
Muita raça, muita gente
Gente de montão
Mano de todo lado
Os de lá e os daqui
Vamo se chegando
De Guaianases
De Itaquera e do Alvim
De São Mateus, do Sacomã
Do Cambuci e do Catumbi
Do Jardim Brasil e do Guançã
Da Vila Salete e Vila Rubi
Da Penha, do Tatuapé
E do Butantã
Da Brasilândia e do Tucuruvi
Da Formosa e do Carrão
Da zona oeste
Pirituba, Osasco, Piqueri
Da Casa Verde e do Limão
De toda a zona norte
Comunidade boa
Rapaziada de sorte
Só da paiz
Pra curti o jogo na boa
Cheio de mina e rapaiz
Sem violência
Tudo na moral
Pra se juntá com os da Sul
Do Marsilac, do Capão
Do Ângela e do Grajaú
Os mano guerrero
Os mano parcero
Grita forte, alto na geral
Tem os boy tamém
Que chegam de carango
De bairro chic
Que nem sei
Com beca de grife
E a camisa do tricolor
Aqui eles é que nem nóis
Tudo torcedor
E na arquibancada
Na geral
É uma coisa só
Tudo igual
Tudo pelo time
Um grito só
Todos pelo time
Uma única voiz
Todo mundo gritando
Quando o manto sagrado branco
Entra em campo
Eô, eô,
Tricolô, tricolô
Eô, eô
Tricolô, tricolô
Vamo todo mundo
Se juntá
Pro jogão assisti

Num via a hora
Do domingão chega
Passei a semana
Esperando por isso
Na arquibancada sentá
E com todo pulmão gritá
Vai lá, vai lá, vai lá
Vai lá de coração
Vamo São Paulo
Vamo São Paulo
Vamo sê campeão!
Combinei cus meu bródi
De no caminho se encontrá
Caminhando junto
Numa boa
Só na paiz
Direto pro estádio
Caldeirão das emoção
Sem embaço
Passando liso
Pelos mano inimigo
Que tramaram emboscá
Sai fora!
Sô da paiz
Não sô gambá recalcado
Querendo vê sangue no chão
Nem porco injuriado
Sofrendo nas última posição
Com o time baleado
Que nem a outra baleia
Que já foi do rei
Mas hoje tá mais pra sereia
Que não existe
É só mais um conto de fada
Mano que é mano
É mano irmão
Tem que entendê
Que se torce pro outro
Pro time errado
Pro diferente
Pra batê, pra agredi
Não é coisa decente
Tem que se respeitado
Ele é gente da gente
Vamo nessa, no respeito
Da cara dele zuá
Na boa, na inteligência
Sem apelação
Fazendo a diferença
Usando numa boa a razão
Pois o futebol é só um jogo
Já dizia o poeta
O jogo da bola
A bola da vida
A vida que rola
Redonda como a bola
Chutada, mordida
Pisoteada, mastigada
Em cada lance
Em cada dividida
Assim como é a vida
Essa grande batalha
No gramado e na geral
No dia a dia da torcida
Que torce e vive torcendo
Pra tê trabalho
Pra tê saúde
Pra cria os filho
Pra tê moradia
Pra tê dignidade
Pra tê cidadania
Que torce pra tudo
Pra andá de cabeça erguida
Torce, torce, torce
Às vezes, só por torcê
Sem razão, sem meta
Sem sabe porque
Assim como a bola
Que rola solta
Sem sabê que a razão
É a meta
O gol
Olha o gol
Gooooooooolllll
Mais um gol
Do meu time, no jogo
Mais um gol da vida
Às veiz é gol contra
Às veiz é bola perdida
De qualqué forma
No final
Mais uma vitória
A alegria da torcida
Na cara estampada
escancarada
O riso aberto e solto
Da boca desdentada
O sorriso maroto
Inocente de criança
Que se perdeu com a vida
Lindo, largo
No abraço
Nalegria desse momento
No aperto do peito
Somos todos irmãos
Manos de luta
Manos guerreros
Na batalha, na vida
Só a vitória interessa
Mesmo por meio a zero
E no passar do tempo
No compasso da hora
do dia, do mês, do ano
Na espera da veiz
Ou mesmo sem espera
Lentamente ou na pressa
Vitória, vitória, vitória
Assim é a vida
Como o título de campeão
Essa grande promessa!

e-mail do autor: [email protected]