Vila Pompéia, Água Branca, Lapa

Nasci no Brás, Rua Visconde do Parnaíba. Pelo fato de meu pai ter conseguido serviço nas oficinas mecânicas do Matarazzo, mudamo-nos para a Vila Pompéia, Rua Caraíbas, bem próximo ao Palestra Itália. Naquela época, fim da década de trinta, início da de quarenta, ainda não havia piscinas no clube. Como eu e meus dois irmãos queríamos nadar, ficamos sócios do Clube Espéria, junto à Ponte Grande. O clube ficava a beira do rio Tietê. Quando não estávamos nadando íamos remar em velhas "catracas" ou "batelões" no então saudável rio.<br>Do outro lado do rio ficava o Clube Tietê, que só freqüentávamos aos sábados à tarde e no domingo de manhã. Para chegar lá tomávamos o bonde no Largo da Pompéia, descíamos na Praça do Correio, subíamos até o Largo São Bento, para tomar outro bonde. Depois de alguns anos foi construída a piscina do Palestra e também um tanque de saltos. Meu pai colocou-nos de sócios. Além de freqüentar a piscina chegamos a treinar esgrima, devido aos filmes de capa e espada que assistíamos no Cine S. Carlos, na Rua Guaicurus, ou no Cine Roma, ou no Carlos Gomes, na 12 de Outubro, ou no Cine Recreio na Lapa de Baixo. Depois de algum tempo meu pai construiu uma casa para nós na Rua Coriolano, bairro da Água Branca. Na época rua de terra, como todas as outras do bairro, exceto a Rua Clélia, principal do bairro.<br>Freqüentamos o Grupo Escolar Miss Browner, na avenida Pompéia. Depois fomos para o Ginásio Anhanguera, no fim da Rua Clélia. Eram vários quilômetros de distância, que fazíamos a pé para, com o dinheiro do ônibus, comprarmos doces na cantina do colégio. Para se ter uma idéia do pouco de casas que havia no bairro: minhas tias que moravam no Brás, vinham fazer piqueniques no fim da Rua Miranda de Azevedo, próximo à igreja da Vila Pompéia. Os vários tios e primos que moravam no Brás, Moóca, Tatuapé e Penha vinham nos visitar como se estivessem vindo a uma cidade do interior. Como demonstrei inclinação para a música, meu pai comprou um acordeon e passei a estudar com a profa. Zezinha, que tocava nas rádios Tupi-Difusora formando trio com Palmeira e Luizinho. Passei a freqüentar o auditório, aos domingos, mas essa é uma outra história que fica para uma próxima vez.<br><br>e-mail do autor: [email protected]