Pra quem saía da Praça das Bandeiras e se dirigia à Zona Bancária do Centro Antigo de Sampa, a primeira providência era desviar das ruas congestionadas de gente como a São Bento. Pra essa região eu ia todos os dias úteis da semana. Começava pela Rua Formosa, e atravessava o Vale do Anhangabaú na altura da Praça Ramos, subia aquelas escadarias que ligava o Vale à Libero, e seguia pela Dr. Miguel Couto. Mas aqui eu tomava fôlego. Conhecia bem o comércio desta rua, mais parecida com uma travessa. Carimbos eram o seu forte. Foi ali que comprei a primeira caneta Parker, e o primeiro isqueiro Zippo. O ramo de guichês de charutaria era o que mais crescia, seguido do de sapatarias rápidas. Engraxar sapatos lendo jornal era uma maneira de dar trégua às correrias. Pequenas lojas de consertos, de máquinas de escrever, relógios e jóias completavam a paisagem visual da rua. Ainda se usava muito o chapéu de feltro, e aqui havia aquelas máquinas que lavavam, passavam e secavam em instantes, enquanto o dono esperava. O chique desta época era exibir por fora daquele bolsinho do isqueiro, chaveiro com logotipos daquelas companhias de aviação. Antes de terminar não poderia deixar de dar créditos aquelas chapinhas de metal que se colocava na biqueira do sapato. Em dias de chuva o manequim do paulistano era indefectível: galochas de borracha, capa de nylon, guarda-chuva, e o chapéu impermeável da Ramenzzoni, ou Curi. Entrar nos coletivos com esse aparato todo era um espetáculo divertido.
Dr. Miguel Couto foi um famoso médico de outrora.
e-mail do autor: [email protected]