Poeta, Barbiére, Soldato I Giurnalista

Infelizmente, como tudo no Brasil, mais um aniversário de morte de um grande artista passa em branco.
Muito pouco, ou quase nada, foi lembrado de Alexandre Ribeiro Marcondes Machado, que foi imortalizado na literatura como Juó Bananére.
Nascido aos 8 de maio de 1892, em Pindamonhangaba, interior de São Paulo, mudou-se para a Capital, onde estudou engenharia civil na escola politécnica da USP. Começa a escrever artigos para vários jornais.
Em “O Pirralho”, revista dirigida por Oswald de Andrade, cria a seção “Cartas d’Abax’O Piques” em que escreve crônicas imitando a fala dos imigrantes italianos radicados no Brás.
Com o pseudônimo de Juó Bananére (Juó de João e Bananére de Bananeiro), conquista, de pronto, a simpatia dos leitores, sobretudo os de bairros de forte presença italiana.
A linguagem única e universal foi classificada como “macarrônica”. Contudo, seu estilo também foi chamado de “paulistaliano”, por alguns autores, principalmente por Monteiro Lobato.
As crônicas escritas no “O Pirralho” foram reunidas no livro “La Divina Increnca”, nome que parodiava a obra de Dante Alighieri “A Divina Comédia” e que, como ele mesmo dizia, o candidatava a “Candidato á Gademia Baolista de Letras”.
Faleceu em 22 de agosto de 1933.
Só para entender a importância deste poeta macarrônico, posto aqui, dois de seus sonetos:

SONETTO FUTURISTE
Pra Marietta

TEGNO una brutta paxó,
Prus suos gabello gôr di banana,
I pros suos zoglios uguali dos lampió
La da igregia di Santanna.

Ê mesimo una perdiçó,
Ista bunita intaliana,
Che faiz alembrá os gagnó
Da guerre tripolitana.

Tê uns lindo pesigno
Uguali cos passarigno,
Chi stó avuáno nu matto;

I inzima da gara della
Té una pinta amarella,
Uguali dun carrapatto.

O LOBO I O GORDERIGNO
Fabula di Lafontana
Traduçó Du Bananére

Un dia nun ribeiró,
Chi tê lá nu Billezinho,
Bebia certa casió
Un bunito gorderinho.

Abebia o gorderigno,
Chetigno come un Jurití,
Quano du matto vizigno
Un brutto lobo saì

O lobo assí che inxergô
O pobre gordêro bibeno,
Os zoglios arrigalô
I lógo giá fui dizeno:

_ Olá! ó sô gargamano!
Intó vucê non stá veno,
Che vucê mi stá sujano
A agua che io stô bibeno!?

_ Ista é una brutta galunia
Che o signore stá livantáno!
Vamos xamá as tistimunia,
Foi o gordêro aparlano…

Nos vê intô Incelencia,
Che du lado dimbaixo stó io
I che nessum ribêro ne rio,
Non górre nunca pra cima?

_ Eh! non quero sabê di nada!
Si vucê non sugió a agua,
Fui vucê chi a simana passada
Andó dizeno qui io sô un pau dagua.

_ Mio Deuse! che farsidade!
Che genti maise mentirosa,
Come cuntá istas prosa,
Si tegno seis dia dindade?!

_ Si non fui vucê chi aparlô,
Fui un molto apparicido,
Chi tambê tigna o pello cumprido
I di certo é tuo ermô.

_ Giuro, ó inlustre amigo,
Che isto tambê é invençó!
Perché é verdado o che digno,
Che nunca tive un ermô.

_ pois se non fui tuo ermó,
Cabemos con ista mixida;
Fui di certo tuo avó
Che mexê coa migna vida.

I avendo acussi parlato,
Apigó nu gorderigno,
Carregó illo pru matto
I comeu illo intirigno.

MORALE: O que vale nista vida é o muque!

e-mail do autor: [email protected]