Este era um cinema de algumas duas recordações. A primeira quando eu devia ter uns 10 anos de idade. Seu Osvaldo resolveu levar sua filha Ana Maria para assistir a seção Zig Zag, que tinha todos os domingos pela manhã, neste cinema. Foi um passeio inesquecível pela primeira vez que entrei num cinema para ver uma fita (assim que se dizia).<br>Durante muitos anos ficou na minha retina essa seção Zig Zag, quando descemos do ônibus 52 Itaim, cujo ponto final ficava quase em frente ao cinema. Entramos e eu fiquei deslumbrado com a parte arquitetônica do cinema assim estilo europeu, que fazia jus ao nome (pena que não foi tombado pelo patrimônio histórico, antes de ser uma loja do Baú da felicidade). A seção Zig Zag era composta por desenhos de Ana Barbera que mais tarde íamos ver pela televisão. A segunda vez que tive algo a ver com este cinema se deu quando eu estudava no SENAI. Eu tinha 15 anos e estava retornando à casa, devia ser perto de 17 horas. Quando estava quase no rabo de fila do ônibus, veio um rapaz alto bem educado e me perguntou onde ficava o cine Don Pedro II. Estávamos quase em frente, então apontei a ele. Aparecia só a lateral do cinema. Ele parecia não entender onde ficava, e me pediu para ir com ele até a frente do cinema. Chegando lá, eu já ia retornar à fila do ônibus 152-Vila Olímpia, quando ele me pegou pelo braço e me disse: “quer assistir essa fita?” Estava passando um filme pornô. “Pode deixar que eu pago.”… Como tudo que é de graça é bom, aceitei.<br>Ele comprou os ingressos e fomos indo para o fundo do cinema que era onde sempre se tinha uma visão melhor da tela. Quando já estávamos quase passando pela última fileira de poltronas, já próximo às cortinas que encobriam o palco, pois era um cine teatro, veio o lanterninha esbaforido, e já foi dizendo: “ei seu veado sem vergonha, onde você quer levar o garoto?”<br>Saímos do cinema na mesma hora, ele sem constrangimento algum, foi dizendo que realmente era pederasta, e que tinha se encantado comigo.<br>Na minha cabeça veio àquela maneira do caipira falar. “Quar, nada, sartei de banda.”<br><br>e-mail do autor: [email protected]