Oásis em Santo Amaro

Muitas e antigas árvores abrigavam pássaros de várias espécies que ali faziam seus ninhos e alimentavam seus filhotes. Sob elas, alamedas tortuosas e ajardinadas compunham uma paisagem romântica e tranqüila. A percorrer essas alamedas, as mais lindas moças que já conheci, passeavam com um sorriso maroto nos lábios e lançando olhares disfarçados para os rapazes de aspectos galantes, elegantemente penteados com perfumadas brilhantinas, e que ali também iam passear só para vê-las. No centro daquele oásis, uma banda era abrigada por um coreto, e vez por outra quebrava o silêncio com suas marchas e dobrados. Ali não havia intrigas, assaltos nem drogas. Não se conheciam essas coisas. A maior maldade, partia de um ou outro rapaz ao arriscar um convite a uma daquelas beldades para acompanhá-la ao cinema. Nesse oásis, se destacava um pequeno chafariz, onde em seu centro repousava uma estátua chamada Iguatinga, protegida pela sombra de um Chorão. Completando o ambiente, deparávamo-nos com o pipoqueiro e com o vendedor de quebra-queixo. Que lugar era esse que hoje procuro e não encontro mais? Lembro-me apenas que o conheci como sendo o Jardim de Santo Amaro. Disseram-me que hoje é conhecido como Praça Floriano Peixoto. Ao saber disso, fui lá e nada mais do que conheci um dia estava presente nessa praça. Chorei ao lembrar dos momentos felizes que vivi ali. Ah! Como eu gostaria que meus filhos tivessem conhecido esse lugar. Às vezes, me pego perguntando a Deus: por que eles mudaram tanto nossas vidas?

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