Atualmente, no Bosque da Saúde, vêem-se trechos da linha de bonde 30 – Bosque da Saúde, especificamente o que era a parte final dela.
Da Praça da Árvore até esse final (Rua Juçara), era uma linha única, ou seja, não daquelas que se viam comumente: uma que ia, outra que voltava. Ali, era um trilho só. Um desvio, de espera, bem defronte à tradicional escola estadual "Princesa Isabel", na Ibirarema, hoje está à vista, pelo desgaste do asfalto que o recobria. Quando eu era moleque, final dos anos 50, lembro então de ter visto algumas vezes o bonde 30 – Bosque, carro aberto dos dois lados, chegar à Praça da Árvore (à época, a linha começava lá) e "mudar a alavanca", ou seja, inverter o percurso. Como é sabido, aquele tipo de bonde tinha dois comandos, ou "duas frentes". Depois, a linha 30 – Bosque foi estendida até o Centro, creio que até a Rua Asdrúbal do Nascimento (ou Praça João Mendes?). Bondes camarões. Esse trecho final continuou uma linha só.
Na confluência de Juçara com Tiquatira, hoje dá para ver o "entroncamento" triangular, ou seja, um desvio, na verdade. O bonde vinha subindo a Tiquatira, mal adentrava a Juçara, já era o ponto final. Dava a ré (o cobrador "auxiliando" a manobra, segurava a cordinha para a roldana da alavanca não escapar do fio); o bonde retornava, agora de frente, à Tiquatira e, daí, rumo à Cidade. Pois um trecho de trilhos, com o passar do tempo, vem emergindo do asfalto, na Tiquatira e na Ibirarema. Relembrando – quantos dele não se lembrarão? – o bonde 30. Trechos claramente visíveis (fuçando jornais dos anos 40, no AESP, encontrei notícias sobre descarrilamento e tombamentos de bondes dessa linha, numa tal de "curva da morte". Só não achei a referência exata: onde era? Alguém sabe? Avenida Bosque? Guararema?).
Em vão, porém, esse ressurgir: não mais se ouvirão os pesados camarões rangendo suas ferragens pelo asfalto. Nem o "tuc-tuc-tuc" dos compressores de ar. Nem o "ding-ding-ding" de (digamos) sua buzina – acionada pelo pé do motorneiro. Como não mais se vêem, afixadas nos fios, aquelas placas brancas com os dizeres "PARADA DE BONDE" (tudo em maiúsculo, lembram-se?) É isso, trilho: mostra-te, a descoberto, à curiosidade de quem jamais viu teu bonde – ou sequer dele ouviu falar. Meros indícios…
Pois qualquer dia destes, nova camada de asfalto te recobrirá, reconduzindo-te – além do descanso – ao desaparecimento, novamente "eterno"…
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