Copa de 1950 – um só jogo em São Paulo

Em 1950, ano santo e da aguardada copa do mundo de futebol em nosso país (porque nenhum outro se dispusera a fazê-lo, mal refeitos da II Guerra Mundial) o esporte era ainda comandado pelo Rio de Janeiro.
O Vasco da Gama era o chamado "Expresso da Vitória" e seus jogadores formariam a base da seleção brasileira com Ademir Menezes, Danilo, Augusto, Chico, Maneca, Ipojucan, Elí e outros.
Só para constar, os santistas se vangloriam de haver conseguido um empate na Vila Belmiro contra os vascaínos, em janeiro de 1950, ano que o Santos se sagraria vice-campeão estadual.
Destarte, os cariocas dominaram a seleção montada pelo técnico Flávio Rodrigues Costa, que tinha como assistente oficial Vicente Feola que, ao que parece, não "apitava" nada.
Foram convocados os goleiros Barbosa e Castilho, os zagueiros Augusto, Juvenal, Nena, Newton Santos, os médios Danilo, Bigode, Eli, Bauer, Rui e Noronha e os "avantes", como se dizia na época, Friaça, Alfredo, Zizinho, Maneca, Ademir, Baltazar, Jair, Adãozinho, Chico e Rodrigues. Foi deixado fora, dentre outros, Cláudio Cristovão Pinho, ponta-direita do Corinthians, de longe o melhor jogador da posição. Era paulista e não gostavam dele…
Na tarde do dia 28 de junho de 1950, uma 4ª feira, dia útil, o selecionado brasileiro que estreara contra o México, ganhando por 4 X 1, fez em São Paulo sua única partida em campo paulista contra a seleção da Suíça.
Eu era estudante e faltei às aulas daquele dia para poder chegar cedo ao Estádio Municipal do Pacaembu. Foram comigo os amigos Luiz Edmundo Corrêa Soares de Souza, Gilberto Rodrigues Lóes e José Fernandes Rendeiro, meus vizinhos da Rua Itapicuru, em Perdizes, onde morava desde 1938. Edmundo e Zé Rendeiro eram tricolores, Gilberto, o "Giba", se dizia torcedor da Portuguesa, mas acho que era corintiano e eu, santista, uma verdadeira excrescência naquele tempo.
Conseguimos um bom lugar na geral, bem no meio do campo. O estádio se encheu com um público estimado em mais de 40 mil pessoas e renda de mais de um milhão e meio de cruzeiros.
O Brasil entrou em campo com Barbosa, Augusto, que era o capitão do time, Juvenal, Bauer, Rui e Noronha, o famoso trio de defesa do São Paulo Futebol Clube, Alfredo, do Vasco da Gama, improvisado de ponta-direita, Ademir Menezes, Baltazar, "center-foward" do Corinthians, injustamente alcunhado de "Cabecinha de Ouro", visto que tinha uma cabeça grande… Maneca e Friaça.
Quando esse time entrou em campo houve uma vaia generalizada contra Flávio Costa, de que participamos entusiasticamente, principalmente porque deixou fora o Cláudio.
O jogo decorreu em ritmo medíocre, sem muita emoção, porque a Suíça se "fechava em copas" na defesa e o nosso ataque não se entendia e só chutava bola fora… E tome vaia. Mesmo assim Baltazar fez seu gol de cabeça e o malsinado Alfredo outro. A Suíça marcou com seu ponta-esquerda Fatton, que era meio baixinho e gordo. O primeiro tempo acabou 2 X 1 para nós.
O segundo tempo foi pior que o primeiro: muitos ataques e finalização errada. Quem achou o caminho do gol foi novamente o baixinho Fatton. Final: Brasil 2 X Suíça 2 (uma vergonha!). Houve quem afirmasse que o paulista era "pé frio" e que as "injustas" vaias constrangeram nossos "pobres" atletas a ponto de não os deixar mostrar o "seu verdadeiro futebol".
Saímos do estádio xingando Flávio Costa e toda sua geração e, no entanto, aquele mesmo selecionado, depois de ganhar da Iugoslávia com a entrada de Zizinho e Jair da Rosa Pinto, goleou espetacularmente a Suécia e a Espanha e depois… Bem, depois, deu no que deu.

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