Meus 50 anos coincidem com os do Parque do Ibirapuera do qual tive a sorte de ser vizinha durante bons e ricos 20 anos de minha vida!
O Ibirapuera era a porta para a cidade, para ir para a escola, para o trabalho, para a ginástica, fazia parte de todos os itinerários para entrar na cidade.
Como era bom sair de bicicleta e dar uma volta no parque, tinha um cantinho, no meio da atual pista cascalhada de Cooper, onde eu colhia morangos silvestres.
No Ibirapuera, tinha o Pavilhão de Feiras, que foi demolido, onde aconteciam a Fênit, o Salão da Criança, que era o máximo, a UD – Utilidades Domésticas, que hoje acontecem no Anhembi, bem maior e feito com esta finalidade.
Ainda tem o Planetário que sempre nos maravilha com seu céu estreladíssimo como já não se vê mais na cidade, nos apresentando o universo, deve voltar logo a funcionar.
O Parque suporta diferentes usos, em seus diferentes horários, dias semanais e em suas diferentes políticas, mas, como São Paulo, ele é sempre superpopulado. Tanta bicicleta, gente correndo, gente jogando, gente brincando, gente simplesmente descansando, gente namorando, gente lendo, gente patinando, gente skatista, gente respirando infelizmente um ar bem poluído, apesar de todas as árvores, seria muito dizer que ele é o pulmão da cidade, mas com certeza é um dos pólos culturais mais arejados da cidade.
A Praça da Paz suporta shows ao ar livre patrocinados pelo Pão de Açúcar que são muito freqüentados e gostosos nas tardes de domingo.
O MAM pequenininho, mas com um trabalho do maior valor na formação de educadores que com sua proposta de interação atraiu um extenso público visitante, assim como atrai público tudo o que acontece na Oca e no prédio da Bienal que é de grande interesse. Transcrevo os debates que lá acontecem entre curadores, artistas, marchands e educadores. Também tem agenda de cursos de artes e fotografia bem interessantes.
Ainda bem que os órgãos públicos estão se retirando da área que ainda passa por reformas e construção de mais uma parte do projeto de Niemeyer, o Teatro, consagrando o espaço às artes, cultura e lazer. Parece que até o DETRAN vai sair de lá. É fora do parque, contra mão, mas não faz mal, recupera-se mais esta área.
A Casa Japonesa, os bosques de eucalipto, o viveiro Manequinho Lopes, o lago despoluído ou quase, com as aves que voltaram, restam como últimos redutos da memória de tranqüilidade tão aspirada pelos paulistanos. E acredite se quiser, conheci quem vivia da pesca no lago! Comecei a vê-lo diariamente pescando e, um dia, cheguei perto e disse: "Mas este lago é poluído, moço!"
Ao que ele respondeu: "Não fossem estes peixinhos, dona, não sei como estaria vivendo!"
O fato é que, em São Paulo, todo mundo arranja um jeito de viver!