A Igreja de São José do Ipiranga

A Igreja de São José do Ipiranga fica na Rua Brigadeiro Jordão, esquina com a Rua Agostinho Gome. Em 1912, vieram da França os padres Marc Givilet, Arnaldo Dante e Charles Hoara. Chegaram a São Paulo e, quatro anos mais tarde, conseguiram adquirir um terreno no Ipiranga para construir uma igreja em louvor a São José.

Em 26 de janeiro de 1919 foi lançada a pedra fundamental e, em 25 de dezembro de 1920, a Igreja é fundada e o primeiro pároco, Padre Ernesto Pilati, tomou posse. Os ornamentos e o trono do altar-mór foram inaugurados em 11 de maio de 1921 e, em 20 de agosto do mesmo ano, a paróquia recebeu, com grande festa, três sinos que foram bentos pelo padre Dante.

As belíssimas telas e pinturas foram inauguradas em 1924 e são de autoria do inspirado artista brasileiro Oscar Pereira da Silva. O órgão de tubos foi fabricado por Aristides Cavaillé-Coll, um dos maiores e mais célebres construtores de órgãos da Europa. Possui dois teclados, pedaleira e 13 registros, uma rara preciosidade  de origem francesa.

Nessa igreja fui batizado, crismado, fiz a minha primeira comunhão, fui coroinha de segunda e depois de primeira, nela me casei, batizei meus filhos e ambos se casaram nessa paróquia. A cruz que se encontra na parte esquerda do pátio frontal foi conduzida em 1942 por ocasião do Congresso Eucarístico. Foi carregada por vários congregados marianos, entre eles meu falecido pai, Maximiliano Tesser.

Na semana santa, mais precisamente na sexta-feira, havia a procissão do Senhor Morto, e no início da noite centenas de fiéis se aglomeravam na igreja e na rua. A procissão saía descendo a Rua Brigadeiro Jordão, entrava nas Rua Silva Bueno e o trânsito parava. Os bares cerravam a meia porta, as pessoas nas calçadas assistiam em silêncio, os homens tiravam seus chapéus.

Da Silva Bueno a procissão subia a Rua 2 de Julho, e nas janelas das casas se viam velas acesas e toalhas brancas. O final da 2 de Julho entrava na Rua Bom Pastor, seguia até a Brigadeiro Jordão e finalizava já dentro da igreja, quando após uma reza terminava a cerimônia da paixão.

Hoje, infelizmente por motivos de segurança, as procissões se limitam a ficar no interior da igreja ou em duas ou três ruas próximas. As missas antigamente aos domingos eram rezadas às 6, 7, 8, 9 e 10 horas da manhã e, à noite, a reza começava às 19 horas e terminava às 20h30. Durante a semana se rezavam missas às 6 e 7 horas da manhã.

Eis um pouco da história da Igreja de São José do Ipiranga, onde passei boa parte da minha infância, adolescência e onde ainda faço minhas orações.