Shopping Light, à esquerda, e Viaduto do Chá. Foto: Jose Cordeiro/ SPTuris.

Vultos e sombras negras nas ruas da Paulicéia

Vultos e sombras negras no “escritório”, nas ruas da Paulicéia.

Quando ando pela cidade me recordo dos muitos encontros nas ruas da cidade de São Paulo.

Me recordo do herói da Frente Negra Brasileira, Doutor Lucrécio.

Na Barão de Itapetininga e arredores da Praça da República, Professor Eduardo de Oliveira.

Como não lembrar do saudoso e sorridente Alberto Mandela, na Vinte e Quatro de Maio e Ramos de Azevedo.

No histórico Viaduto do Chá, lembro-me do distinto Senhor Candinho.

O que dizer da doutora, da beleza negra de Maria do Carmo Valério na Vila Mariana, na Galeria Presidente, uma mulher além do seu tempo, uma empresária exemplar.

Passando por Perdizes, e no Largo do Paissandu, Igreja do Rosário vem à memória a Estadista Deputada Estadual Theodosina Ribeiro.

No Largo do Arouche, aquela voz e pessoa encantadora de Agnaldo Timóteo.

Na Avenida São João com a Ipiranga, Wilson Simonal, sem igual.

E por que não falar do reverendo Rubens dos Santos, Capelão no Carandiru, das reuniões no Teatro Dercy Gonçalves e das resenhas na hora do almoço na Vinte e Quatro de Maio.

Do anônimo mestre africano Reverendo David Emanuel, que a todos inspirava, uma voz de Angola de saudosa memória.

Clóvis Moura, um altaneiro da Antropologia, da Cultura, que nos deixou muitos ensinamentos nos arredores da Consolação.

Oh! Quantas saudades de gentes queridas, de Vultos e Sombras que brilharam e encantaram a nossa São Paulo.

Também dos muitos encontros com Rev. Antônio Olímpico de Sant’ana, na Metodista da Luz e Catedral Presbiteriana de São Paulo na Nestor Pestana.

Das conversas pastorais sobre os negros na Bíblia na Sé e na Barra Funda, ouvindo o escritor, educador professor e teólogo Dr. Rev. Paulo de Souza Oliveira.

São Paulo de muitas faces e facetas, na Câmara Municipal de São Paulo, Presidente Paulo Rui de Oliveira. 

Na Prefeitura de São Paulo, o Prefeito Celso Pitta, encontros e desencontros no tempo e no espaço.

A cidade também acolheu estrangeiros ilustres como o cardiologista Doutor Frederico Pereira, da Guiné Bissau.

Lembro em especial do Benny Yanga, judeu negro do Bom Retiro, mestre e cantor.

Como era legal ver andando na Avenida São João com a Avenida Ipiranga o Wilson Simonal

E parando… Por aqui, Jair Rodrigues, a Sua Majestade o Sabiá. 

Vamos com a fé na nossa querida cidade de São Paulo.

Professor Jair Matos Martins 

 Texto dedicado às lideranças negras que deixaram um  legado de lutas e dedicação por dias melhores.