Interlagos, sempre Interlagos

Em um dos dias que antecederam a corrida de Fórmula 1, fiquei pensando em como Interlagos sempre fez parte da minha vida e como ele cresceu e acompanhou o desenvolvimento da cidade.

Comecei a freqüentá-lo com dez anos de idade, levado por meu pai e, a partir daí, nunca abandonei minha paixão pelo automobilismo, sempre colaborando com a organização das corridas.

Na época, o autódromo não tinha infra-estrutura alguma, nem, ao menos, banheiro público; era terra para todos os lados. Até o acesso era dificílimo, mas nada desanimava os corredores e torcedores.

Na minha juventude, as coisas melhoraram um pouco. As escuderias de marcas nacionais como a Willys e a Vemag apareceram, as Mil Milhas e as Vinte e Quatro Horas eram um sucesso e os nossos pilotos foram para o mundo e o conquistaram. Três Campeões do Mundo prá ninguém botar defeito. E mais os que foram para outras categorias também com sucesso.

Mas Interlagos continuava aqui, pista viva aos finais de semana, novos talentos aparecendo, nova tecnologia se impondo, obras, dessa vez prá valer, e finalmente a Fórmula 1 acontecendo com sucesso, com competência, com vibração. Nós de São Paulo trabalhando tão bem ou melhor do que muitos dos autódromos internacionais.

Vi de tudo em Interlagos, mas dentre os grandes momentos, não consigo esquecer o dia em que, ainda muito jovem, dei de cara com Fangio. Ele mesmo, Juan Manoel Fangio, o super campeão, um quase deus para nós, bem ali na minha frente. Eu não podia acreditar… Fangio falando comigo, conversando com a turma, indo de carro em carro trocando idéias. Tenho amigos campeões que também me deram muitas emoções, mas o encontro com Fangio foi demais.

Só mesmo em Interlagos, só mesmo em São Paulo isso podia me acontecer.