Primeira Transmissão da Copa do Mundo

O grande acontecimento do ano de 1.938 é, sem dúvida, a transmissão da
Copa do Mundo de futebol realizada na França. A cobertura dos cinco jogos disputados pela Seleção Brasileira e o grande final, é realizada pela cadeia de emissoras Byinton, que era formada, em São Paulo, pela Rádio Kosmos, Piratininga de São Paulo (ex. rádio Cruzeiro do Sul) e a Rádio Clube de Santos.
Quem não tinha rádio em casa, se aglomerava no Largo do Paissandu em São Paulo. Por esse país afora, onde fosse viável, as pessoas se reuniam para não perder as transmissões ampliadas pelos alto-falantes que as emissoras espalhavam em lugares estratégicos, inclusive os estádios de futebol: os apaixonados pelo futebol não queriam perder a façanha dos craques patrícios nos campos franceses.

O patrocínio exclusivo foi do Cassino da Urca.
O Locutor foi o Leonardo Gagliano Neto que enfrentou muitas dificuldades na transmissão realizada em ondas curtas, e teve que narrar as partidas na rês do gramado ou quando possível, de algum telhado nas redondezas do estádio, e até da geral. Gagliano era o único radialista sul-americano em ação nos estádios franceses. Assim como o Brasil era o único time participante abaixo da linha do Equador. “Naquele tempo, não existiam comentaristas, repórter de campo e toda a equipe que atualmente participa de uma transmissão”.

O êxito das irradiações supera as expectativas. Os jornais estamparam
as peripécias que Leônidas, Domingos da Guia, Batatais, Perácio e seus companheiros aprontavam a cada jogo na França. Acostumados a transmissões de rádio dos jogos pelo Brasil e em território de países vizinhos, era a primeira vez que podiam acompanhar ‘ao vivo’ a seleção nacional em gramados europeus.

Notícias dão conta de que em 1938 o Brasil parou para ouvir as irradiações de Gagliano Neto. O povo, incrédulo e fascinado com os sons vindos do outro lado do oceano, vibrava.
Na estréia, a 5 de junho, Brasil 6×5 Polônia mostram jogo ofensivo, com uma chuva de gols das mais espetaculares de todos os Campeonatos Mundiais. Nas quartas de final, Brasil x Checoslováquia (1×1 e 2×1) disputam duas partidas seguidas para desempatar: os teams travam uma verdadeira batalha na praça de esportes. Jogadores expulsos de ambos os lados, alguns checos hospitalizados, feridos com gravidade. Apesar dos nervos, um lance duvidoso garantiu a vitória nacional: a bola escapa das mãos do goleiro brasileiro, entra, mas o juiz não vê e nossa imprensa faz de conta que não aconteceu, evitando comentar o assunto. O tira-teima ainda não existia…

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