Foto: Jose Cordeiro/ SPTuris

Começo na Fazenda da Juta

São Mateus, Fazenda da Juta, 1997. Meu primeiro dia no novo bairro que estava para nascer foi tenebroso; logo de cara um carro queimado virado de cabeça para baixo, bela recepção! O clima por anos foi de guerra civil, com muitas mortes e poucas soluções; o abandono era a estrela do lugar.

Todos os dias inúmeros caminhões de todos os tamanhos chegavam com mudanças de famílias que chegavam com seus poucos bens, porém muita esperança de um novo lar. Bairro difícil, em condições precárias, ruas sem asfalto, o chão era de terra vermelha e os vários condomínios de CDHU não possuíam muros, ou qualquer tipo de proteção.

Ir ao trabalho em dias de chuva era um pesadelo; o barro pintava a roupa com tons diferentes, além dos calçados que às vezes sumiam na lama funda. Nascimento de um bairro com cheiro de pólvora e muitas pessoas cheias de garra e vontade de vencer na vida. O crescimento desse bairro foi a ferro e fogo, a dor, desespero e muita luta dos que madrugavam para buscar o seu sustento.

Havia também as noitadas divertidas com o bom e velho forró e os pagodes presentes na maioria dos botecos por entre as vielas. Apesar do ambiente pesado e perigoso, as pessoas humildes e aguerridas da região sempre acordavam e dormiam com um enorme sorriso no rosto.

Passados anos de penúria e descaso, a organização e a união de dentro pra fora da comunidade forçou a pavimentação, a instalação de postos de saúde, de batalhões de Polícia, de boas escolas, o aparecimento de muralhas por todos os condomínios, entre outras melhorias que deram o senso de sociedade a este bairro forte da cidade de São Paulo.

Hoje o cenário mudou, a região é vista e reconhecida como um bairro estruturado e com todos os valores de cidadania que um ser humano merece. A essa conquista por um lar melhor para os seus filhos e os filhos deles, eu dedico essa história real de coragem, união e valores de um tal povo da Fazenda da Juta, localizada em São Mateus, São Paulo, SP.