25 de janeiro: um pouco de Jânio Quadros

(*) Nelson Valente

– 1917
Às 11 horas da quinta-feira, 25 de janeiro, nasce Jânio da Silva Quadros, à Rua 14 de Julho, em Campo Grande (Mato Grosso do Sul). São seus pais o médico e engenheiro agrônomo Gabriel Nogueira Quadros e Leonor da Silva Quadros.

– 1924
A família Quadros muda-se de Mato Grosso para o Paraná, passando antes por várias cidades do interior paulista. Em Lorena, a última delas, o menino Jânio é matriculado no curso primário do Colégio dos Salesianos. Ele conclui o primeiro ano de estudos – e depois todo o primário – no Grupo Escolar Conselheiro Zacarias, de Curitiba.

– 1928
Jânio inicia o curso ginasial no Instituto Santa Maria, também em Curitiba.

– 1930
Gabriel Quadros luta contra a Aliança Liberal na Revolução. Em represália, perde os empregos públicos no Paraná e muda-se novamente, com toda a família, para São Paulo. Jânio, em consequência, perde o ano escolar.

– 1931
Jânio Quadros matricula-se no Colégio Arquidiocesano para concluir o ginásio.

– 1933
Em novembro, ele termina o curso ginasial. A família Quadros propicia uma vida modesta para os filhos Jânio, então com 16 anos, e Dirce, de 14. (Dirce faleceu aos 15 anos).

– 1934
Ao final do ano, Jânio conclui o curso preparatório à Faculdade de Direito de São Paulo, que irá cursar a partir de 1935.

– 1936
Aumentam os problemas financeiros da família Quadros. O estudante Jânio não pode pagar a segunda prestação da anuidade escolar e pede moratória ao diretor da faculdade, Francisco Morato.

– 1938
Professor de Geografia e Português nos ginásios Dante Alighieri e Vera Cruz, em São Paulo, Jânio disputa sua primeira eleição, pelo Partido Acadêmico Conservador. Candidata-se a primeiro-secretário do Centro Acadêmico XI de Agosto, na Faculdade de Direito do Largo São Francisco, e elege-se após uma campanha em que pediu cada um dos votos pessoalmente. No mesmo ano, passou a integrar a Associação Acadêmica Álvares de Azevedo e a ocupar a cadeira Castro Alves da Academia de Letras da Faculdade de Direito. Escreve versos para as publicações de estudantes.

– 1940
Em 16 de janeiro, Jânio recebe o grau de bacharel em Ciências Jurídicas e Sociais. Inscrito na Ordem dos Advogados do Brasil sob o n.º 3.805, em 14 de outubro, inicia uma carreira na área criminal que duraria sete anos.

– 1942
Casa-se com Eloá, filha de um farmacêutico do bairro paulistano do Bom Retiro.

– 1943
Nasce sua única filha, Dirce Maria, a Tutu, com quem manterá a vida toda uma relação de ódio e afeição.

– 1947
Filiado ao Partido Democrático Cristão (PDC), Jânio não se elege vereador (com o Partido Comunista cassado), Jânio (Suplente) com 1.707 votos, em 9 de novembro. Recordista de projetos e requerimentos na Câmara Municipal, marca sua atuação por polêmicas em plenário que, pelo menos uma vez, terminaram em agressão física contra ele.

– 1950
Em 3 de outubro, escolhido por 17.840 eleitores, torna-se o deputado mais votado na Assembléia Legislativa de São Paulo, pelo mesmo PDC.

– 1952
Apoiado pelos minúsculos PDC e Partido Socialista Brasileiro, enfrenta uma coligação de sete legendas (PSP, PTB, PSD, UDN, PRP, PR e PRP) e conquista a Prefeitura da capital com 284.922 votos – mais que o dobro de todos os outros candidatos juntos. Batiza sua empreitada de "revolução branca através do voto" e realiza uma administração saneadora das finanças municipais.

– 1954
Licencia-se por três meses do cargo de prefeito e parte para sua primeira viagem ao exterior, levando a mulher Eloá e a filha tutu. Conhece as cidades de Paris e Roma, a convite das prefeituras locais. Jânio fora lançado em janeiro para a disputa do governo do Estado e venceria a eleição de 3 de outubro com 660.264 votos.

– 1955
Deixa a Prefeitura em 31 de janeiro, para assumir o governo do Estado. Exerce novamente um governo moralista, com controle do dinheiro público e transformação do déficit estadual em superávit.

– 1956
Jânio empreende sua segunda viagem ao exterior. Leva a mãe, a esposa e a filha aos Estados Unidos, França e Inglaterra, num período de sessenta dias. Alega um tratamento de saúde e faz declarações defendendo reatamento com os países comunistas.

– 1957
Em 18 de maio, morre assassinado seu pai, Gabriel Quadros, então deputado federal. Jânio declara encerrada sua carreira política. Desafia determinações de censura a rádio e televisão do Departamento Federal de Segurança Pública. Em dezembro, registra sua candidatura a deputado federal pela seção paranaense do Partido Trabalhista Brasileiro (PTB).

– 1959
Deixa o governo paulista em 31 de janeiro para assumir a cadeira de deputado pelo Paraná, que conquistara em 3 de outubro do ano anterior, com o recorde estadual de 78.810 votos. Em abril, o Partido Trabalhista Nacional lança-o candidato à sucessão de Juscelino Kubitschek. Apoiado pelo PDC, começa a campanha, mas renuncia em 25 de novembro, numa manobra que leva Carlos Lacerda a promover uma bem-sucedida campanha para que reassuma a candidatura. Conquista também o apoio da UDN e do PL.

– 1960
Visita Havana, a convite de Fidel Castro. Anda mais de quinhentas horas de avião durante a campanha presidencial. Em 3 de outubro, derrota o marechal Henrique Teixeira Lott, com 1,8 milhão de votos de diferença. Obtém 5.636.623 votos para a Presidência da República, ou 48, 57% do total dos votos. Após a eleição, submete-se a uma cirurgia nos olhos, em Londres. Banha o prêmio de "revelação do ano" na diretoria do Clube dos Comentaristas de Discos, pelo rock-balada Convite de Amor, uma parceria com Rossini Pinto, gravada pela Copacabana. A letra diz que o mundo é "uma imensa esfera de harmonia e luz / e a vida é sempre eterna primavera / que encanta e seduz".

– 1961
Assume a Presidência em janeiro. Condecora Che Guevara com Grã-Cruz do Cruzeiro do Sul e, sem maioria no Congresso, enfrenta dura oposição a seu governo. Renuncia em 25 de agosto e dois dias depois viaja para Londres, a bordo do cargueiro Uruguai Star.

– 1962
Retorna ao Brasil em março, lança-se candidato a governador de São Paulo e sofre sua primeira derrota nas urnas, para Adhemar de Barros. Recebe 1.125.941 votos, contra 1.249.414 do adversário.

– 1964
Queixa-se do regime militar em carta ao marechal-presidente Castelo Branco e tem os direitos políticos cassados pelo prazo de dez anos.

– 1966
Lança seu Curso Prático de Língua Portuguesa e sua Literatura, em seis volumes.

– 1967
Lança, com a colaboração de Afonso Arinos, a História do Povo Brasileiro, também em seis volumes.

– 1968
É punido por pronunciamentos de caráter político, com um confinamento de quatro meses em Corumbá (MT).

– 1974
Recobra seu título eleitoral, mas se mantém afastado da disputa de cargos públicos.

– 1976
Nasce o pintor Jânio Quadros, que roda o país com uma exposição de uma série de óleos que chama de "Minhas bonecas".

– 1979
Admite retornar à vida pública, como candidato à sucessão do governador paulista, Paulo Maluf.

– 1980
Filia-se ao PTB da deputada Ivete Vargas, mas deixa o partido no ano seguinte.

– 1981
Assina filiação ao PMDB em junho, mas acaba barrado por uma impugnação da Executiva Nacional do Partido em outubro. Apenas Orestes Quércia, Alencar Furtado e José Storópoli votam a seu favor nessa decisão. Volta para o PTB em novembro.

– 1982
Surge como candidato do PTB ao governo de São Paulo, na primeira eleição direta após o golpe de 1964. Antes da eleição visita o presidente da Líbia, Muamar Kadafi, e sai do encontro elogiando "seus esforços pela paz mundial". Termina em terceiro lugar, com 1.447.328 votos, contra 5.209.952 do eleito Franco Montoro, do PMDB.

– 1983
Lança Quinze Contos, livro recebido a pedradas pela crítica (prefaciados por José Sarney e Mário Palmério – ambos da Academia Brasileira de Letras).

– 1984
Às voltas com um câncer de mama, Eloá submete-se a uma cirurgia em São Paulo Jânio lança-se candidato à Prefeitura de São Paulo em 30 de abril.

– 1985
Pelo mesmo PTB, elege-se prefeito da capital paulista com 1.572.454 votos.

– 1986
Assume o cargo de prefeito e pendura no seu gabinete um par de chuteiras, aposentando-se das disputas eleitorais.

– 1987
Descobre-se que Jânio mantém uma conta numerada em Genebra, na Suíça.

– 1989
Não comparece à entrega do cargo à prefeita petista Luiza Erundina. Embarca para os EUA e a Europa, de onde passa a alimentar a imprensa com especulações sobre sua candidatura à Presidência da República. Sofre um acidente vascular cerebral durante a viagem – o primeiro de uma série de derrames, que terminariam por entrevá-lo numa cadeira de rodas.

– 1990
Em fevereiro, afirma-se disponível para disputar o governo estadual outra vez. Em julho, sofre novo derrame cerebral. É internado no Incor em outubro, em estado grave. Volta para casa entrevado, numa cadeira de rodas. Em novembro, perde a mulher Eloá e passa a receber uns poucos amigos, primeiro em sua mansão no Morumbi e depois num quarto de apart-hotel.

– 1992
Em 16 de fevereiro, falece o ex-presidente Jânio Quadros.

(*) é professor universitário, jornalista e escritor

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