Leia as histórias

:: Tombo de bicicleta ::

Categoria: Outras histórias

Autor(a): Margarida Pedroso Peramezza | história publicada em 8/3/2010

Quando criança, eu e meus irmãos, tínhamos duas bicicletas. Uma para os meninos e a outra, para nós meninas. Aprender a andar era por tentativas, ensaios e erros, nada de rodinhas auxiliares, uma vez que as bicicletas já eram na versão adulta. Foi assim que aprendemos a andar sobre duas rodas.

Lembro que fazíamos rodízio e fila para treinar na rua de casa no bairro da Penha, aliás, a criançada toda fazia uma boquinha, acho que éramos as únicas crianças do pedaço a ter bicicletas daquele porte. Isso era bom porque um ajudava o outro e todos eram beneficiados.

Andávamos na calçada, lado oposto da minha casa, mas minha mãe nos observava o tempo todo pelo vitrô da cozinha ou da sala. O percurso tinha como ponto de partida a venda do Caibar, onde havia um degrau que servia de banco. Podíamos chegar até a casa da Dna Júlia, uma vizinha que sempre ajudou minha mãe a tomar conta de todos nós.

Esta calçada tinha uma parte plana e outra com uma ligeira subida, um lugar perfeito para nossa aprendizagem. Com o tempo passando e tantos treinos logo aprendemos os truques da bicicleta e passamos a dominá-la com mais destreza e aí todos queriam mostrar para meu pai o grande progresso.

Quando me senti segura, quis também me exibir aos olhos do meu pai. Esperei então um dia em que ele chegava do trabalho e antes que entrasse em casa, fui mostrar tudo o que sabia. Que desilusão! Na primeira rodada, fui direto para o chão e meu joelho foi atingido por uma pedra, provocando um grande estrago.

Do outro lado da rua, meu pai que observava tudo, deu um sorriso sem graça e entrou em casa. Meus irmãos me ajudaram, precisei fazer um curativo e fiquei de molho por um bom tempo. Depois a ferida foi secando e eu consegui dar a volta por cima e mostrar para meu pai que havia realmente aprendido a andar de bicicleta.

O joelho ficou marcado e a vaidade acabou por me deixar com um pouco de complexo que o tempo se encarregou de dar fim. Carrego a marca no joelho até hoje, mas na época tive que aprender a lidar com ela, pois sempre tinha alguém para perguntar qual a sua origem, lembrando-me sempre desta passagem trágica e marcante de minha vida.

A moda trouxe a mine saia e assim mais um problema surgiu, pois mostrar aquele joelho marcado não foi fácil, mas a vida é sabia e consegui superar.


E-mail do autor: peramezza@ajato.com.br

:: Comente esta história ::

Nome:
E-mail:
Comentário:




- Antes de escrever seu comentário, lembre-se: a São Paulo Turismo não publica comentários ofensivos, obscenos, que vão contra a lei, que não tenham o remetente identificado ou que não tenham relação com o conteúdo comentado. Dê sua opinião com responsabilidade!


:: COMENTÁRIOS ::


    Se servir de consolo (ou conforto) estes tombos eu levo até hoje - a pé, ou de bicicleta. O pessoal aqui de casa já nem me acode e eu,nem grito. Mais tarde, quando a dor passa é que eu verifico o prejuizo. Obrigada pelas fotos! 

    [ Enviado em 19/3/2010 por Lia Beatriz Ferrero Salles Silva - lia.ferrero@hotmail.com ]



    Pois é ,menina, naqueles tempos bicudos ter uma bicicleta era lucro. Tinha dois irmãos ,nossa bi cicleta era masculina e, a feminina com redinha na roda trazeira papai-noel nunca me trouxe. Já adulta comprei uma cor-de-rosa com cestinha para andar na praia mas não teve o mesmo gosto.Eu me consolei quando uma das minhas noras comprou com o primeiro salário uma caixa de lápis de cor de 36 cores porque as suas eram de meia dúzia, e isso a deixava infeliz diante das coleguinhas da classe. Um abraço, 

    [ Enviado em 16/3/2010 por Trini Pantiga - trinesp@ig.com.br ]



    Margarida, esse aprendizado com bicicletas nos marcou de muitos modos. Aprendi tbém da forma que a Ivette descreveu. Quanto aos cortes e as cicatrizes...serão mostradas quando chegarmos no paraíso, se chegarmos, rsrs. Abraços.  

    [ Enviado em 12/3/2010 por Clesio de Luca - clesiodeluca@yahoo.com.br ]



    Levante o dedo quem nunca tropeçou ou caiu na vida. A pé ou de bicicleta. No sentido exato da palavra ou no sentido figurado. O joelho demorou, mas cicatrizou.Sua índole e coragem abalaram-se, mas nunca desistiram e o resultado é essa pessoa cheia de garra que você é. Como diz a música "Levanta, sacode a poeira e dá a volta por cima". Levantou e tentou novamente. Mas a dor do ferimento certamente foi menor que a dor de falhar bem na hora de mostrar ao seu pai. Acontece. bj 

    [ Enviado em 11/3/2010 por Vera Lúcia de Angelis - deangelisgomes@terra.com.br ]



    Sra.Peramezza, o machucado real deve ter sido menos doloroso do que o fato de não conseguir mostrar ao papai a exímia ciclista que era. Em nossa infância quem tinha uma bicicleta em casa era considerado rico; reclamações ao Papai Noel eram escritas todos os anos, "Cadê a minha?" Abraço do Bernardi. 

    [ Enviado em 11/3/2010 por Ernesto Bernardi - ernestob1144@gmail.com ]



    Margarida, lembranças marcantes de um tempo feliz de sua infância. Apesar das marcas deixadas nos joelhos você foi perseverante no manejo da bicicleta. A vida é assim. Depois de vários tombos apreendemos à vivê-la. Belas recordações. Abraço Grassi  

    [ Enviado em 11/3/2010 por J Grassi - jr_grassi@yahoo.com.br ]



    Margarida, quem de nós não carrega uma marca dos tempos de criança? parabéns pelo texto, abraços, Leonello Tesser (Nelinho). 

    [ Enviado em 9/3/2010 por Leonello Tesser (Nelinho) - lt.ltesser@hotmail.com ]



    Olá Margarida, como lhe disse, gosto muito dos seus textos; ainda bem que você continua no site, somos perseverantes. A respeito de calçadas, tenho minhas ressalvas ao verdadeiro tormento de se andar por calçadas tão irregulares em São Paulo. Mas os tombos fazem parte de nossa vida, né? Um grande abraço 

    [ Enviado em 9/3/2010 por Márcia Sargueiro Calixto - marciascalixto@hotmail.com ]



    Vc se machucou feio,hein vó 

    [ Enviado em 9/3/2010 por Renato C. Peramezza - renato.peramezza@hotmail.com ]



    Margarida, não diga "passagem trágica" nem por brincadeira. Posso imaginar o que seja, pra uma moça, uma cicatriz no joelho mas, agora com meus 25 pontos da cirurgia, a cicatriz está quase invisivel. É verdade que pra homem é diferente mas não é nenhuma tragédia. Encare sua marca como um trofeu pela sua coragem. Parabéns, Peramezza. Laruccia  

    [ Enviado em 9/3/2010 por Modesto Laruccia - modesto.laruccia@hotmail.com ]



    Margarida, tudo bem? Afinal de que tamanho foi esse corte? Pelo jeito parece que você foi atropelada por um bonde. Risos(brincadeira). Boas (?) recordações de sua infância. Um abraço. Asciudeme 

    [ Enviado em 8/3/2010 por asciudeme joubert - asciudeme@ig.com.br ]



    Margarida. Sua bicicleta era cor de Rosa com aquele cestinho pendurado no guidon? 

    [ Enviado em 8/3/2010 por Mário Lopomo - mlopomo@uol.com.br ]



    Margarida, Que tombaço! Ainda bem que você superou o estrago. Um Abraço. Alaide 

    [ Enviado em 8/3/2010 por Alaíde Santos - alaide.santos2010@hotmail.com ]



    Eu também aprendi a andar de bicicleta em uma de adulto: do meu pai. Foi difícil porque ela era grande e pesada e ainda por cima tinha o "quadro". Então eu tinha que colocar a perna - que era curta, por dentro do quadro e andar meio de lado. Eu tinha apenas 6 anos de idade e quando caia, aquela bicicletona pesada caia por cima de mim. Mas era proibido chorar. Tinha mais é que engolir as lágrimas e seguir em frente. Abração, Ivette 

    [ Enviado em 8/3/2010 por ivette gomes moreirai - ivetteg.moreira@gmail.com ]



    QUEM NÂO TEM UMA MARCA, E SINAL QUE NÂO TEVE INFANCIA. 

    [ Enviado em 8/3/2010 por joao claudio capasso - jccapasso@hotmail.com ]



    Margarida se ficou apenas com uma marquinha no joelho considere-se uma privilegiada no aprendizado da bicicleta. abraços Falcon  

    [ Enviado em 8/3/2010 por marcos Falcon - marcosfalcon@uol.com.br ]



    Pois é Margarida, só quem caiu da bicicleta pelo menos uma vez na vida, é que pode dizer que já andou de bicicleta, tenho pelo menos tres marcas de quedas de bicicleta, mas depois dos 50 anos nunva mais cai até hoje. (ou seja parei de andar aos 50 anos,kkkkkkk. 

    [ Enviado em 8/3/2010 por Arthur Miranda - 27.miranda@gmail.com ]



    Valente Margarida!É até simbólico: viver é cair e levantar. Abraços. 

    [ Enviado em 8/3/2010 por Luiz Simões - saidenberg@ajato.com.br ]



    É isso mesmo Margarida, voltar a escrevcer no site é aúnica resposta que podemos dar aos maus intencionados. Adorei te ler! 

    [ Enviado em 8/3/2010 por Miguel - misagaxa@terra.com.br ]



    Mana, adorei lembrar esse tempo muito bem narrado por você. Acho que fui a mais levada das meninas lá de casa. Se levarmos em conta,a quantidade de cicatrizes nos braços e canelas...ganho fácil. Obrigada por essas lembranças deliciosas. bjos, muito bjos. Bernadete 

    [ Enviado em 8/3/2010 por Bernadete P Souza - bernadete.pedroso@gmail.com ]



    Margarida, que coisa boa ter a bicicleta e dividir com as amiguinhas. Eu nunca tive uma. Logo, não sei andar. Mas tive também uma marca no joelho - se é que te consola. Foi de um tombo na área de uns vizinhos, brincando de esconde-esconde. Sumiu depois dos meus 40 anos. Adorei teu texto, mas você tinha sumido, não é, bela? Escreva mais, porque você faz falta. Um beijão. 

    [ Enviado em 8/3/2010 por Vera Moratta - vmoratta@terra.com.br ]



As histórias e comentários aqui publicados não refletem a opinião da São Paulo Turismo,
sendo o conteúdo de cada história e comentário de única e exclusiva responsabilidade, civil e penal, da pessoa que a enviou.


São Paulo Turismo S/A - Av. Olavo Fontoura, 1.209 - Parque Anhembi - Santana - CEP 02012-021 - Telefone (11) 2226-0400
faleconosco@saopaulominhacidade.com.br | Termos de uso
Todos os direitos reservados