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Categoria - Outras histórias O destino era o “Eldorado”, a capital de São Paulo (1949) Autor(a): TANGERYNUS - Conheça esse autor
História publicada em 17/04/2015
Éramos crianças, três irmãos nascidos em Porto Ferreira – SP, e daí a família resolve migrar para a capital de São Paulo. E lá vamos nós, embarcando no trem da Cia. Paulista.
 
Não me perguntaram se eu queria mudar para a capital... Enfim, também se perguntassem eu não poderia responder. 
 
E vamos viajando até chegarmos à Estação da Luz. Em seguida embarcar no trem subúrbio Santos & Jundiaí, destino Vila Carioca, estação parada Vemag, atual Estação Tamanduateí.
 
Foram quatro anos se adaptando... Moramos em vários endereços: Rua Campante; Rua Lício de Miranda, em dois endereços, próximo da Rua Álvaro do Vale e próximo da Rua Aída; Rua Colorado; Rua Frei Pedro de Souza. Sempre pagando aluguel, e finalmente em 1953, teríamos a nossa casa, na Rua Albino de Morais, 114.
 
Vila Carioca, bairro em formação, muitos terrenos baldios. Dias antes de iniciarmos a construção de nossa casa, um Citroen de cor preta foi abandonado entre as ruas Albino de Moraes e Antônio Frederico. O indivíduo que furtou não conhecia a vila e deixou o veículo atolado no brejo. Olha só, isso foi no mês de setembro de 1953.
 
Boa parte dos terrenos do bairro da Vila Carioca era negociada pela empresa Comercial e Importadora F. Cuocco S. A., com sede na Rua Brigadeiro Tobias, 740, no centro da cidade.
 
O valor de um terreno com 50x10 (500 metros quadrados) era vendido por Cr.$ 12.000,00 (doze mil cruzeiros). Isso em 120 meses, pagando o selo proporcional no valor de Cr.$ 44,50. Na época, não tinha a correção monetária.
 
Madeira para construir casas não era problema. Tinha uma empresa importadora de máquinas industriais, com sede na Rua do Grito, entre as ruas Silva Bueno e do Manifesto, madeira essa que servia como “contêineres”, madeira de pinho.
 
De acordo com a demanda, para construir novas casas de madeira, pessoas compravam e lá vinham os caminhões descarregando em plena rua. 
 
Lembro que certa ocasião, três contêineres foram descarregados. Eu e os meus irmãos, ainda crianças, desmontávamos peça por peça, usando martelo, pé-de-cabra e alavanca. Uma vez desmontada íamos amontoando de acordo com a medida de cada tábua, tudo na calçada.
 
Meu pai “Dito Carpinteiro” se uniu com o vizinho “Mané Barraqueiro”, e lá vamos nós construirmos casas de madeira.
 
Água não era problema: abria-se um poço com três metros de fundura. Não lembro o tamanho da cisterna de cimento, sei que tínhamos água até a boca do poço, mas não era de boa qualidade. Recordo que parentes do interior vinham nos visitar e diziam que a água era pesada, e com gosto meio salobra, de mau paladar.
 
Anos depois, chega ao bairro água encanada, e vamos consultar um encanador para saber o custo do serviço. De acordo com o valor apresentado, meu pai achou caro.
 
Preferiu comprar as ferramentas e fazer o serviço de encanamento. E, assim foi. 
 
Em razão, disso meu pai acabou aprendendo a profissão de encanador. 
 
Depois, mudamos para o Jardim Botucatu, na Saúde. Muito trabalho de instalar bombas de poço, e também continuamos a fazer o trabalho de madeiramento. Isto, até 1975, quando chegou toda infraestrutura no bairro e adjacências. Digo, chegou água encanada, esgoto e asfalto.
 
E-mail: tangerynus@gmail.com
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Publicado em 26/04/2015

Um cidadão que morava no Bairro Santo Antonio (Saúde), certo dia esteve em casa, veio nos chamar para consertar uma bomba dágua. Ele comentou um fato da sua família. Disse ele que quando moravam no sertão de Pernambuco andavam léguas para conseguir um pouco dágua para consumo. E agora é só ligar a bomba, e os filhos tem preguiça de apenas ligar a bomba, um manda o outro e ficam nesta lenga lenga. Foi preciso dar uma bronca em todos só asim um dos filhos foi lá e ligou finalmente a tal bomba. O Poço tinha 30 metros de fundura.

Enviado por TANGERYNUS - tangerynus@gmail.com
Publicado em 25/04/2015

Falando em mina dágua. Tinha uma na Avenida Carioca bem em frente onde temos hoje a séde da Escola de Samba Imperador. Tinha também um poço artesiano por onde tem as torres de tramissão de energia elétrica. Quando encerrava o primeiro tempo das partidas disputadas no campo do Juvenil Flor da Vila Futebol Clube, os jogadores e torcedores vinham em ambos locais para beberem água. Água pura.

Enviado por TANGERYNUS - tangerynus@gmail.com
Publicado em 24/04/2015

Ao ler o texto muito bonito, pensei o mesmo que a Walquíria (comentário anterior). Os filhos ajudavam, compartilhavam a responsabilidade. Era um tempo mais difícil na questão de acesso as coisas essenciais, porém havia união. Amei ler este texto, você narrou de uma forma linda. Lembrei de muita coisa, da minha casa antiga, do meu tio construtor de poços no Jd. Sao Luiz. Eu fui uma privilegiada na questão da água. Ao lado de nossa casa havia uma mina. Nossa, nunca imaginei que um dia lembraria desta fase e desta mina, como um privilégio.

Enviado por Marina Moreno Leite Gentile - dagazema@gmail.com
Publicado em 23/04/2015

Tangerynus. conheço bem a Vila Carioca desde os meus tempos de criança, tive muitos amigos lá, do clube União Mútua, bons tempos, parabéns pelo texto.

Enviado por Nelinho - lt.ltesser@hotmail.com
Publicado em 22/04/2015

Entrei de personagem na sua historia e recordei do poço onde morávamos no Jardim Brasil e o sabor horrorendo da água amarelada que ele tinha...Eu nunca esqueci o gosto e nem me acostumei com ele,mas era o que tínhamos na época e ainda servía para alguns vizinhos mais pobres que nós(se é que era possível)pois nem o poço eles tinham...

Você ainda tinha o seu pai,e eu só tinha mãe e mais oito irmãos dos quais ela criou sozinha e tornou todos eles cidadãos do bem.

Por isso eu não consigo entender o tipo de criação e educação das crianças e jovens de hoje...tem todo conforto só estudam e viram rebeldes sem causa,fazendo o que querem sem punição e consequencia nenhuma...

Enviado por Walquiria - walquiriarocha@yahoo.com.br
Publicado em 22/04/2015

Venturoso relato sobre mudança de cidade e bairro. Parabéns, Tange.

Modesto

Enviado por Modesto Laruccia - modesto.laruccia@hotmail.com
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