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Categoria - Outras histórias Cabelos louros, saia azul e blusa branca Autor(a): Nelinho - Conheça esse autor
História publicada em 16/04/2015
Não posso precisar bem a data, mas na década de 50, talvez nos meses de junho, os responsáveis pela paróquia de Nossa Sra. das Dores realizavam uma quermesse, que ficava em um grande, terreno na esquina das ruas Leais Paulistanos e Agostinho Gomes. Funcionava aos sábados e domingos à noite durante um mês. Esse era um ponto de diversão dos jovens aqui do Ipiranga.
 
Havia diversas barracas com atrações tais como "Pesca", "Jogo de Argolas", "Coelhinho", "Tiro ao Alvo", além daquelas que vendiam doces. Os homens geralmente ficavam parados e reunidos em grupinhos esperando ansiosamente por um olhar ou um sorriso das meninas que circulavam entre as barracas.
 
Havia também uma cabine de som onde as pessoas podiam oferecer uma música a alguém pelo qual nutriam alguma simpatia, na esperança de merecer uma atenção especial e, daí talvez, entabolar um namorico. Geralmente o anúncio era feito assim: "Fulano de Tal oferece esta música à menina que está de vestido verde e bonezinho branco, na barraca do Coelhinho como prova de simpatia". E ai o locutor colocava o disco na vitrola com a música escolhida pelo autor da mensagem. Muitas das vezes a coisa dava certo e eu tive prova disso...
 
Num certo sábado, resolvi ir sozinho na quermesse, pois alguns colegas de turma foram ao cinema. Dei algumas voltas pelas barracas e, numa delas, uma garota despertou a minha atenção. 
 
Ela vestia uma saia plissada azul, uma blusa branca, seus cabelos longos eram loiros e o seu penteado na época era denominado "rabo de cavalo". Por sorte, ao lado dela estava uma menina que eu conhecia. 
 
Me aproximei das duas e cumprimentei minha conhecida. Ela por sua vez me apresentou a amiga, seu nome: Vera. 
 
Fiquei conversando com as duas por alguns minutos depois me afastei, mas já com a intenção de propor um namoro...
 
Me dirigi à cabine de som e ofereci um número musical para a Vera, com os seguintes dizeres: "Nelinho oferece esta música à garota que está de saia plissada azul e blusa branca, tal como prova de grande amizade". 
 
A música oferecida eu me lembro até hoje, era uma valsa interpretada pelo Carlos Galhardo denominada "Salão Grená". Uma das estrofes dizia: "sei que voltarás, pois as de lembrar que foste feliz, nunca houve alguém que quisesse o bem que eu sempre te quis". 
 
Esperei alguns minutos após a execução da música e novamente voltei ao local onde as duas garotas estavam. 
 
Nem bem estava chegando perto, a Vera logo disse para a amiga: "Olha ele aí". 
 
Continuei ali e por fim me ofereci para acompanhar Vera até a sua casa que ficava na Rua dos Sorocabanos. Ela concordou e a outra garota se afastou e nos deixou a sós.
 
Ali começava um namorico que, infelizmente, não prosperou, pois os pais da garota eram muito enérgicos e não permitiam que ela "desse bola". Era muito nova e precisava estudar...  Minha idade: 14 anos. Idade da Vera: 13 anos. 
 
O máximo que conseguimos foram algumas matinês no cine Ipiranga Palácio, aonde chegamos a trocar algumas carícias no escurinho do cinema. 
 
Pouco depois tudo acabou. 
 
Hoje, por coincidência, passei por aquela esquina. O terreno já está ocupado por grandes edifícios... Me lembrei então da Vera. Caminhei até a Rua dos Sorocabanos, mas a casa onde ela morava já não existe mais. 
 
Muitos anos já se passaram, mas sempre fica uma lembrança, onde estará aquela menina de cabelos loiros, saia azul e blusa branca?
 
E-mail: lt.ltesser@hotmail.com
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Publicado em 04/05/2015

Também frequentei muito as quermesses da Penha, com a minha irmã. A vovó fazia quentão e nós ajudávamos nas mais variadas barracas. Gostávamos quando nos ofereciam música mas nunca saímos com ninguém que o tenha feito! Mas que era muito gostoso sentir-se o centro das atenções de alguém, ah, isso era! Bons tempos e seu texto nos trouxe lindas lembranças! Abraço

Enviado por Célia - rccsimonato@hotmail.com
Publicado em 29/04/2015

Então. Era muito bom, tão bom que a gente nunca esquece, mesmo sendo apenas frugal.

Enviado por Marcos Aurélio Loureiro - marcoslur_ti@yahoo.com.br
Publicado em 27/04/2015

Nelinho, que recordação singela e carregada de boas emoções! Como é bom sonhar, relembrar, voltar às origens. Mas sempre ficam as interrogações. Lindo texto. Fico muito emocionada quando você cita as ruas do Ipiranga, as mesmas que o meu pai gostava de contar alguns casos. Parabéns pela singeleza do seu relato. Um abraço.

Enviado por Vera Moratta - vmoratta@terra.com.br
Publicado em 24/04/2015

Oi Nelinho. Eu vivi um pouco disto, era muito gostoso. Tive um pretendente, nesta época de quermesse. Demorei quinze dias para dar a resposta se queria namorar ou não. E o coitado recebeu um NÃO. O menino (Antunes) que morava na região de Interlagos deve ter ficado decepcionado.

Acho que fui malvada, apesar de ter ganho um presente lindo: uma camiseta estampada (Na época era novidade camisetas de algodão decoradas com estampas).

Linda sua história Nelinho. Quem sabe vc ainda tenha alguma notícia dela, ainda que não seja com a finalidade de namoro. Através do SPMC encontrei 3 amigos antigos.

Enviado por Marina Moreno Leite Gentile - dagazema@gmail.com
Publicado em 17/04/2015

É, Nélinho o tempo passa, e nós tb. passamos, só restando vagas lembranças que ficam dos bons tempos são saudaddes incrustadas em nossos corações que nos enche nos dias de hoje de um certo orgulho por lembrar de como havia sinceridade naquela epoca,dai os casamentos durarem 40/50 anos, modestia a parte o meu já dura 52 anos,e ainda sou feliz não é bacana? parabens pelo texto muito gostoso de ler.

Enviado por João Marquezin - joaomarquezin@yahoo.com.br
Publicado em 17/04/2015

NELINHO, todos nos tivemos a nossa vera. EU também não esqueço uma garota que conheci, tenho certeza que foi a mulher que eu amei.

mas o destino disse NAO,

Enviado por João Cláudio Capasso - jccapasso2@hotmail.com
Publicado em 17/04/2015

Tempos de ouro da nossa juventude...eu também tenho lembranças de amores platônicos dos quais apenas o olhar dizia tudo...aos 14 anos quando tudo era proibido,também ia a quermesse do Bairro apenas para ver o meu primeiro amor...nunca esqueci seu nome e nem seu olhar de alegria ao me ver,apenas nos falamos rapidamente umas duas vezes e nunca mais nos vimos pois eu mudei do lugar nesta época,e assim tudo se acabou...

Enviado por Walquiria - walquiriarocha@yahoo.com.br
Publicado em 16/04/2015

Meu amigo Nelinho, bucólicas lembranças são uma prova de nossa mocidade. Adsorei ler teu texto. Tenho certeza que foste um Don Juan na mocidade.

Enviado por Miguel S. G. Chammas - misagaxa@terra.com.br
Publicado em 16/04/2015

Nelinho, você não é o primeiro que procura saber onde anda a primeira namoradinha ou alguém que tiveram um flerte no passado, mas seu texto trás muitas lembranças mesmo e faz a gente viajar e pensar também onde andará tal pessoa que conhecemos no passado, parabéns , Estan.

Enviado por Estanislau Rybczynski - estan_tec@hotmail.com
Publicado em 16/04/2015

Pois é, Nelinha, namoro de quermesse

se der certo, futuro garantido,

se não o esperado, coração estremesse,

resta o ego machucado e ofendido.

Mas, não importa, Nelinho, sua boa memória está de prontidão pra casos como esse, pra te salvar. Caríssimo fratelo, sua crônica remexeu com meu passado nas quermesses da Paróquia de São Vito, obrigado mi brother. Parabéns, Nelinho.

Laruccia

Enviado por Modesto Laruccia - modesto.laruccia@hotmail.com
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