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Categoria - Outras histórias Carinho de avós Autor(a): verinha - Conheça esse autor
História publicada em 08/04/2015
Úmido gosto de terra, cheiro de pedra lavada...
 
Saudades de meus avós, do casarão, da sua cozinha com fogão a lenha. Minha avó Ana, Sinhá Aninha como a chamavam carinhosamente na família, fazia o melhor chá de limão que já tomei em toda minha vida. Ele era servido acompanhado de leite quente e café coado no coador de pano. Sobre a mesa minha avó enrolava biscoitos de polvilho, que eram fritos. 
 
Eram os dias mais felizes de minha vida... Todos estavam presentes: eu, minhas irmãs, nossos pais (Lucilo e Maria), minha irmã Ile e Tânia.
 
Tempo inseguro do tempo!
 
Quando me lembro, me emociono e choro.
 
Nua e fria, sem mais nada.
 
Brilho de areias pisadas era o quintal (ou terreiro) de meus avós, onde toda manhã, ela jogava milhos às galinhas e pintinhos que vinham de todos os lados, ela sempre entoava o pipi...
 
Recordo-me de meu avô Floripes. Acordava na madrugada para tirar o leite das vacas! Eu, minhas irmãs e primas nos divertíamos muito tomando o leite ainda quente que meu avô tirava na hora pra nós!
 
Meu avô era muito sério e pouca conversa.
 
A minha avó era carinhosa, me lembro dela fazendo queijos, e nos deixava sempre acreditar que estávamos ajudando-a.
 
Saíamos para recolher os ovos das galinhas, ninhos que ficavam nos galhos das árvores.
 
Com cheiro de folhas mordidas, cheiro das árvores frutíferas ou talvez dos eucaliptos que balançavam vistos de longe.
 
De onde gritávamos para ouvirmos o eco de nossas vozes.
 
Suspiro coisas acontecidas, lá longe na minha infância!
 
A noite abria a frescura...
 
Dos campos todos molhados, bastava um comentário sobre o ruído dos animais que ficavam no pasto, para que minha avó começasse uma estória sobre o Saci-Pererê. Suas estórias embalavam a noite. Do fundo da escuridão recebíamos cafunés entre nossos cabelos e o sono chegava.
 
Vózinha quanta saudades de um tempo que existe. Que ficou vivo e presente em mim. Entre sonhos e nuvens... Não haverá mais nossa vida, talvez nem o pó que fomos.
 
E a memória de tudo desmanchará quando me for!
 
E-mail: veranadal@yahoo.com.br
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Publicado em 15/04/2015

Verinha, seu relato reviveu em mim a lembranca de minha avó Maria, parabens pelo saudoso texto e a homenagem carinhosa que voce presta a sua querida vovozinha.

Enviado por Nelinho - lt.ltesser@hotmail.com
Publicado em 14/04/2015

Muito lindo o seu relato, Verinha. Ótima vivência e reconhecimento aos avós, que só especialíssimos na nossa vida. Parabéns pelo relato e pelo sentimento tão puro e verdadeiro. Beijos.

Enviado por Vera Moratta - vmoratta@terra.com.br
Publicado em 14/04/2015

Quanta poesia Vera. Que bom ter tido seus avós, como eu os tive e que delícia sermos avós, como somos.

Enviado por Marcos Aurélio Loureiro - marcoslur_ti@yahoo.com.br
Publicado em 13/04/2015

Uma escrita bem delicada e sensível, Verinha, uma doce poesia homenageando sua vózinha, com amor e carinho. Como é prazeroso ler a dedicação e lembrança de uma neta que não esquece sua querida vovózinha. Essa manifestação nos faz acreditar na bondade e respeito que o ser humano ainda possui. Gostei muito, Verinha, parabéns.

Modesto

Enviado por Modesto Laruccia - modesto.laruccia@hotmail.com
Publicado em 10/04/2015

Verinha, desculpe novamente, onde se lê: Eu quis escrever o nome de sua mãe, leia-se sua avó (que é o mesmo nome da minha mãe) - Capuano

Enviado por Roberto Capuano - robertocapuano@grafixdigital.com.br
Publicado em 10/04/2015

Verinha, desculpe pelo engano sobre o seu nome. Eu quis escrever o nome da sua mãe (que é o mesmo da minha), pelo modo carinhoso de "Sinhá Aninha", daí a confusão pela semelhança da pronúncia. - Capuano

Enviado por Roberto Capuano - robertocapuano@grafixdigital.com.br
Publicado em 10/04/2015

Verinha, como você eu também tenho muita saudade de minha avó Maria, hoje sou avô de 3 netos que para mim são filhos, é a ordem natural das coisas, parabénspelo texto.

Enviado por Nelinho - lt.ltesser@hotmail.com
Publicado em 09/04/2015

Soninha, muito bonita sua história "Carinho de Avós". Aliás, avó é sinônimo de carinho e carinho é sinônimo de avó. Você relata que sua avó "Sinhá Aninha" contava histórias. Você fez me lembrar da minha avó que também contava histórias mas deixou de contar uma que eu acabei contando em forma de poesia. Gostaria que você lê-se pois acredito que a sua vozinha também deixou de contar a mesma história. Para ler, basta digitar no Google o seguinte título: (História que vovó não contou - São Paulo Minha Cidade). Parabéns pelo relato. - Capuano

Enviado por Roberto Capuano - robertocapuano@grafixdigital.com.br
Publicado em 08/04/2015

Verinha eu cresci sem ter avós. Minha mãe ficou órfã aos 5 anos e meu pai perdeu seus pais ainda jovem...Como eu também não tive pai desde minha infância, fiquei apenas com a figura forte e maternal da minha mãe que criou os filhos sozinha...

Para mim "mãe" era o significado de tudo...confesso que carreguei uma vergonha imensa quando adolescente por não ter pai. Me achava um bichinho de goiaba perante minhas amigas...

Mas, hoje sendo avó eu babo de felicidade...netos são filhos com mel,e uma alegria intensa e constante em nossas vidas...

Hoje quando alguém conta um passado de vó em sua infância eu morro de vontade de ter tido pelo menos uma avó para também poder recordar destas coisas tão marcantes que só avós sabem fazer.

Enviado por Walquiria - walquiriarocha@yahoo.com.br
Publicado em 08/04/2015

É um privilégio ter avós amorosos; as lembranças ficam guardadas para sempre. Quando chega a nossa vez, aí sabemos realmente a delícia que é ter netos. Estar na fase de assumir o lado avó ou avô ... é tudo de bom.

Enviado por Marina Moreno Leite Gentile - dagazema@gmail.com
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