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Categoria - Outras histórias Os Restaurantes de São Paulo Autor(a): PAULO EDUARDO ALVES TEIXEIRA - Conheça esse autor
História publicada em 10/04/2015
Como na maioria das crônicas que escrevi, inicio com as minhas recordações de infância passada no bairro das Perdizes, mais especificamente na Rua João Ramalho. Lembro que, quando ia para a escola, no Externato Santa Rosa de Lima, passava em frente a uma pizzaria, a Paulino, mas que nesse horário ainda estava fechada. Não lembro direito, mas acho que naquela época, na metade para o final da década de 60, só abria à noite e aos finais de semana. O aroma das pizzas sendo assadas em forno a lenha, de alguma forma ainda está presente no meu olfato.
 
Lembro que íamos lá um ou outro sábado à noite e as pizzas de mussarela e de aliche, no meu paladar de criança, eram completamente antagônicas. A primeira eu adorava e a segunda odiava, por causa do sabor pronunciado do peixe, puxando bastante para o salgado que nunca fui muito fã.
 
Aos domingos, eram dias de almoçar fora, ou no Gaiato, localizado na General Olímpio da Silveira ou no Gato que Ri no Largo do Arouche. Adorava a Lasanha e a Charlote, uma espécie de sobremesa gelada do Gaiato. Já no Gato que Ri, não me esqueço da salada de maionese que eles serviam.
 
Passados os anos, já trabalhando, havia vários restaurantes do centro antigo de São Paulo, dos quais me recordo, mas não lembro o nome de todos. Na Rua 7 de Abril, na esquina da Rua Marconi, havia um bar e restaurante que tinha um anexo externo onde eu comia o melhor cachorro quente que já experimentei até hoje, o molho de tomate com pimentão, não consegui achar parecido em nenhum lugar. Havia a Leiteria Paulista na Xavier de Toledo, de onde tenho a recordação do Frappé de Coco e a lanchonete da antiga Mesbla, na esquina da Dom José de Barros com a 24 de Maio, também era muito boa. Eu e minha esposa, frequentamos muito, desde a época do namoro e depois de casados também. Ainda na 24 de Maio tinha também o Churrasqueto, um pouco enfumaçado, mas ótimo.
 
O La Farina na Rua Aurora, ainda hoje frequentamos, tinha uma massa verde recheada com amêndoa que é inesquecível. Aliás, inesquecível também foi a noite que resolvemos fazer um happy hour com o pessoal do trabalho. Naquela época, íamos acompanhados das esposas, maridos e namorados, e nesse dia levamos também nosso filho que devia ter 4 ou 5 anos e, quando o garçom perguntou a ele o que iria beber, prontamente teve a resposta:
 
- Pode me trazer um chopp escuro.
 
A gargalhada foi geral, acho que todos podem imaginar.
 
Ainda na Rua Aurora existe o Bar do Léo, vou poucas vezes lá, mas posso dizer que nesses 41 anos que frequento, a qualidade do chopp e dos acompanhamentos sempre foi excelente. Já na Praça Julio de Mesquita, o Moraes com seu filé ao alho e óleo e ao lado o Mester, com um bistecão de mais de 1 ½ quilo de peso, tanto um como outro, reis nas suas especialidades.
 
No quadrilátero do antigo centro financeiro, alguns locais já fecharam, outros mudaram de nome e alguns poucos continuam, entre eles o Guanabara na esquina da São João com a Prestes Maia. Havia o Lírico e o Dix com seus balcões de frios onde se podia escolher o “sanduba” pelo cardápio ou montar do jeito que você quisesse. No Dix, o sanduicheiro oficial era o Roberto, ele ainda está lá, há mais de 30 anos. O nome do lugar mudou, mas a qualidade ainda é a mesma, se alguém quiser conferir, é na São Bento em frente ao Metrô, que inclusive tem o Girondino ao lado da escada rolante, onde se pode tomar um ótimo café, muito bem tirado e na temperatura certa.
 
Um pouco mais à frente, indo em direção à Praça Antonio Prado, tem o hot dog do Pedrinho, é uma portinha mas o dog é gigante, tanto no tamanho quanto no sabor. Depois vem a casa Mathilde, com seus doces portugueses que são de dar água na boca. É um lugar recente, mas que, com certeza, deve ficar na história do lugar. Na esquina da Rua do Comércio está o Café Alhambra e na Líbero Badaró o Pirandello. Seguindo até a Praça Ouvidor Pacheco e Silva o Itamarati é um dos mais antigos restaurantes do centro.
 
Alguns dos que já fecharam, como o Um Dois Feijão com Arroz na Praça da Sé e o Micheluccio da Faria Lima com o pizzaiollo girando as redondas em um dedo, também me trazendo lembranças... Como no dia em que a minha mulher desceu do carro com o nosso filho no colo e ele puxou o seu colar de bolinhas de madeira. Não preciso nem dizer que tive que ficar catando bolinhas de colar em plena Faria Lima à noite. 
 
 
Nos anos 70, em frente ao Shopping Iguatemi havia uma creperia chamada Rick Store, era ponto de encontro de carros “envenenados”. Toda sexta-feira e sábado era dia de racha na Faria, não durou muito, acabou sendo fechado exatamente por causa dos rachas e alguns atropelamentos coletivos.
 
Outros, como o Redondo no comecinho da Consolação, o Sujinho na esquina da Rua Maceió, O Famiglia Mancini na Avanhadava, os restaurantes do Bixiga, como o Bassi, os cafés Aurora e Piu Piu, o Mexilhão e as cantinas com suas porções generosas. Aliás, falando em cantina, não posso deixar de falar do Gigio na Rua do Gasômetro, não sei se ainda tem música ao vivo, mas havia lá um tenor japonês, chamado Satochi que o pessoal chamava de Pavatoshi em alusão ao grande cantor.
 
Não tenho como falar de todos os restaurantes, teria que escrever uma dezena de páginas e ainda assim seria pouco e também, a minha memória não seria capaz de lembrar-se de todos.
 
Hoje, a cidade especializou-se. Há grandes restaurantes em shoppings, algumas ruas têm as suas especialidades, como a Vila Madalena ou as ruas do Tatuapé. O glamour de ir a um restaurante vestindo roupa social já não existe mais, mas não poderia acabar esta crônica sem falar do Restaurante Terraço Itália, situado no 41º andar do edifício do mesmo nome na Avenida São Luiz. 
 
Nunca estive lá, mas todos sabem que é um lugar no mínimo chique. Lembro que, numa bela tarde de um dia de semana quente e ensolarado, uma prima nossa e seu namorado tinham vindo nos visitar. Estavam de férias, então passeei com eles uma boa parte da tarde mostrando os pontos turísticos do centro de São Paulo. Passando pela São Luiz, comentei do Terraço e eles perguntaram se estaria aberto. Eu disse que sim, eles poderiam subir e tomar um chopp ou refrigerante apreciando a vista de São Paulo.
 
Como eu tinha algum compromisso, falei como chegar lá, fazendo a baldeação de elevador e etc e tal, deixei-os no térreo e fui embora. Até hoje, depois de mais de trinta anos eles não perdoam da encarada que o maitre deu nos dois quando a porta do elevador se abriu e deu de cara com um casal de cariocas de bermuda e chinelo, cansados e suados entrando no bar do restaurante.
 
E-mail: paulo.eat@hotmail.com
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Publicado em 15/04/2015

Paulo, tive a sorte de conhecer a maioria dos restaurantes citados no seu comentario, permita-me citar tambem a Panificadora Ayrosa que ficava ao lado do cine Art Palacio, parabens pelo texto.

Enviado por Nelinho - lt.ltesser@hotmail.com
Publicado em 13/04/2015

Paulo: acrescente na sua lista também o famoso "Campestre" da rua Quintino Bocaiuva, quase esquina com a Benjamin Constant. Foi um restaurante maravilhoso que eu frequentei por mais de 20 anos.

Boas lembranças na sua narrativa.

Parabéns.

Heitor

Enviado por Heitor Iório - hiorio@imjm.com.br
Publicado em 13/04/2015

Paulo Eduardo, muitos dos restaurantes citados por vc eu os conheci, como vc mesmo confessa, tem muitos ainda pra serem citados com excelente nível de qualidade. Com relação a Cantina Gígio, na "minha" rua do Gasômetro, o japonês ainda canta lá. Sua narrativa resultou num ótimo roteiro dos bons restaurantes que ainda atuam em São Paulo. Um texto enxuto, com parágrafos bem distribuídos, resultando uma leitura bem agradável. Parabéns, Alves Teixeira.

Modesto

Enviado por Modesto Laruccia - modesto.laruccia@hotmail.com
Publicado em 11/04/2015

Paulo, seu passeio pelos restaurantes retidos em sua memória aguçou minha memoria gustativa e quase me afoguei de tanta salivação. Minhas saudades aumentaram desses e das outras dezenas de restaurantes que frequentei em Sampa. Valeu!

Enviado por Miguel S. G. Chammas - misagaxa@terra.com.br
Publicado em 10/04/2015

parabéns pelo texto. tínhamos também , os restaurantes GIGETO. PARREIRINHA. O LEAO DO OLIDO. CHURRASCARIA CABANA,LE CASSAROLE.

FASANO,RESTAURANTE DO PAPAI.PADOCCK, ATLANTICO,CHA MOON,ETC<<

Enviado por João Cláudio Capasso - jccapasso2@hotmail.com
Publicado em 10/04/2015

Paulo, que viagem gostosa e saborosa, conheci muitos desses restaurantes, mesmo porque trabalhei uns cinco anos em projetos e execução de cozinhas industriais e comerciais e reformas também e posso comprovar os sabores que citou, enfim recordei muita coisa de sua crônica, parabéns, Estan.

Enviado por Estanislau Rybczynski - estan_tec@hotmail.com
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