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Categoria - Outras histórias São Paulo de Piratininga, minha paixão Autor(a): Pedro Vitorino - Conheça esse autor
História publicada em 10/03/2015
Escrever sobre São Paulo sempre se apresentou com uma tarefa muito fácil. A maioria dos principais fatos relacionados, a quase toda minha vida, se passou aqui, A partir dos meus 13 anos.
 
Cheguei nesta fantástica cidade cosmopolita, que tão bem recebe seus visitantes, sejam eles turistas ocasionais ou aqueles que para cá se deslocam definitivamente, onde acabam por constituir suas famílias e se tornam tão paulistanos quanto os que aqui nascem.
 
Minha primeira visão da cidade... Tão logo desembarquei na Estação da Luz, naquele longínquo ano de 1957, deixou-me atônito e vislumbrado. Jamais tinha visto tanta gente num mesmo lugar, indo e vindo, se atropelando, ao som das buzinas dos carros, do apito do trem no interior da Estação da Luz e dos solavancos das rodas de ferro dos bondes sobre os trilhos, de onde saiam faíscas incandescentes com um daqueles dragões mitológicos.
 
Vindo de cidade pequena do interior paulista, meus ouvidos estavam habituados aos sons das cigarras cantantes naquelas quentes tardes de verão, somente interrompidas quando raios e trovões antecediam algum temporal. Fora isso, somente o doce e suave cantar dos pássaros, tão abundantes, e o silêncio das longas noites onde só se via o brilho das estrelas e os riscos deixados no céu pelas estrelas cadentes.
 
Lembro-me bem daquele início de noite. Chegamos na Estação da Luz, eu, minha tia Tereza e suas duas filhas, Maria Lúcia e Fátima, pouco depois das 19h, depois de uma fantástica viagem a partir de Mococa, onde apanhamos a jardineira às 10h. Fomos até Santa Cruz das Palmeiras onde embarcamos no trem "Maria Fumaça", da Companhia Paulista de Estrada de Ferro, às 13h45. Esse trem, que utilizava lenha para acionar suas caldeiras, obrigava todos os passageiros a fecharem as janelas dos vagões, principalmente nas curvas, para evitar a entrada excessiva de fumaça e fagulhas de brasas e carvão carregados pelo vento. Em Cordeirópolis, trocaram a máquina motriz, saiu a "Maria Fumaça" e o trem foi puxado, a partir dali, por máquina a diesel até Jundiaí onde, novamente, houve mais uma troca, passando para uma locomotiva elétrica da Santos a Jundiaí, até São Paulo.
 
Vencidos aqueles quase infindáveis momentos de deslumbramento, tia Tereza, arrastando minhas duas primas pelas mãos, me ordenou que aguardasse um instante com as malas, por que ia buscar um táxi. Foi, também, a primeira vez que ouvi esse nome. Logo descobri que era a mesma coisa que os "carros de praça" de Mococa...
 
O táxi foi abrindo caminho por aquela "montueira" de carros, ônibus e gente, até que chegamos à casa onde moravam meus tios, na Casa Verde.
 
Quando acordei, no dia seguinte, senti um desejo enorme de voltar para a casa de meus pais, na fazenda, tudo aquilo me parecia irreal, alucinação pura!
 
Muito depressa passei a amar São Paulo. Talvez porque não tivera tempo de pensar muito, pois, poucos dias depois meu tio, que era cozinheiro no Bar e Café Senense, na Rua Capitão Salomão, me arranjou um emprego de office-boy na Av. São João, bem pertinho dali. A partir desse primeiro emprego aprendi a conhecer a cidade e seus encantamentos, apaixonando-me por ela.
 
Ao longo de toda minha vida tenho sido uma espécie de embaixador de São Paulo, defendendo-a com unhas e dentes quando alguém, inadvertidamente, tenta macular seu nome na minha presença.
 
Hoje, aposentado e residindo em Jundiaí, a cada 15 dias volto à cidade, dou um giro pelo centro, visito meus filhos e netos, todos paulistanos natos, e somente depois volto pra casa.
 
Como jornalista e publicitário viajei muito por esse Brasil afora e em países do cone sul, e jamais conheci fracasso na defesa desta grandiosa São Paulo de Piratininga, terra de bravos, pois é assim que todos nós devemos chamá-la!
 
E-mail: pvlion@hotmail.com
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Publicado em 20/03/2015

Perfeito Pedro:

São Paulo é isso mesmo, é uma megalópolis que nos assusta nos primeiros instante,porém, nos envolve de tal forma que acabamos nos apaixonando pela loucura ali vivida diariamente.

Abraços,

Enviado por André Luiz Penteado - andreluizpenteado@gmail.com
Publicado em 14/03/2015

SIM ,verdadeira terra de bravos,sem exagero,quem nasce nesta cidade tem o previlégio de se tornar UM BRAVO e aos visitantes a garra dessa gente acaba por contagiar.PARABÉNS,sou defensora de tudo que há em minha terra querida,estou distante 500km,mas meu amor por essa terra é bem juntinho de todos os PAULISTAS e PAULISTANOS como eu,um grande abraço!!

Enviado por Luzia Helena Junqueira - luziahelena030746@gmail.com
Publicado em 13/03/2015

Retificando,a data da chegada em S. Paulo,chegamos em 1.939, eu contava na época com 4 aninhos,portanto 1.935 foi o ano do meu nascimento.

desculpem - nos.

Marquezin

Enviado por João Marquezin - joaomarquezin@yahoo.com.br
Publicado em 13/03/2015

Vitorino, obrigado pelo "bravos" pois tambem cheguei a S. Paulo da mesma forma que vc. Só que comigo a coisa foi diferente, cheguei nesta capital em 1.935, não pegamos taxi porque meus pais mal tinham dinheiro p/ comprar comida, e tb. nem sabiam p/ onde ir porque vieram na raça e na coragem, mas S. Paulo é o melhor p/ quem procura algo melhor em sua vidae Deus nasua bondade nos ajudou logo conseguimos ajeitar nossas vidas. Obrigado a esta Capital que tanto amamos, Foi muito bom esse seu texto, Parabens, Vitorino. Marquezin

Enviado por João Marquezin - joaomarquezin@yahoo.com.br
Publicado em 12/03/2015

Pedro, você tem razão, São Paulo acolhe com todo carinho todos aqueles que aquí aportam, e você é um dos bravos que chegou, viu e venceu, parabéns pelo texto.

Enviado por Nelinho - lt.ltesser@hotmail.com
Publicado em 11/03/2015

Pedro, na qualidade de paulistano nato e amante dessa metrópole li seu texto e me embriaguei com o carinho de suas palavras.

Tens razão, São Paulo é tudo isso e um pouco mais e precisa, muito, desses afagos calorosos.

Enviado por Miguel S. G. Chammas - misagaxa@terra.com.br
Publicado em 11/03/2015

Uma vitoriosa chegada a São Paulo, viajando desde jovem tendo descortinado um futuro promissor, oportunidade que só encontrou respaldo na fé, certeza inabalável de perseguir e alcançar sucesso na vida. É assim mesmo, Pedro, persistência, objetividade em querer, são ingredientes indispensáveis pra uma carreira gloriosa. A isso juntamos o amor pela cidade que te acolheu e que ela, a cidade, te devolveu com um forte abraço. colaborando com seu progresso. Uma narrativa brilhante, traindo um ótimo domínio de nossa gramática e seus parágrafos bem distribuídos, parabéns, Vitorino.

Modesto

Enviado por Modesto Laruccia - modesto.laruccia@hotmail.com
Publicado em 10/03/2015

Pedro, imagino sua saga por essa cidade tentacular, voce a encarou com coragem e sabedoria por isso venceu, parabéns, Estan

Enviado por Estanislau Rybczynski - estan_tec@hotmail.com
Publicado em 10/03/2015

Pedro sua historia anterior já conta um pouco da sua luta de trabalho e da sua admiração por São Paulo.Se na época os sons das businas e bondes e carros passando já existia imagine para quem chega agora...

Gosto de ler histórias em que parêntes nos recebe do interior em casa para iniciarmos a vida de trabalho pois São Paulo ainda é a Metrópole do trabalho e oportunidades.

Minha mãe também teve este gesto por várias vezes,até mesmo para fazer a faculdade ela recolheu uma sobrinha do interior pois lá não havia chance de curso superior.

Jundiaí é pertinho,dá para voltar sempre...mas aposto que o centro de São Paulo só nos dá tristeza pelo abandono...

Enviado por Walquiria - walquiriarocha@yahoo.com.br
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