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Categoria - Outras histórias Uma reflexão natalina Autor(a): Neide Gaudenci de Sá - Conheça esse autor
História publicada em 03/03/2015
“Vida: nada me deves.
Vida: nada lhe devo.
Vida: estamos em paz!”
 
Pois é, cheguei! Estou com mais de oitenta anos...
 
Como paulistana típica – sempre no controle – acho que devo fazer uma avaliação da minha vida atual. Nada como o Natal para isso...
 
Um texto de Francisco Arámburo Salas sobre “El Otoño de la Vida” foi muito esclarecedor e senti muita identidade com seu conteúdo, principalmente quando diz que: “O rio caudaloso se transforma em um fluxo de paz e move-se lentamente. Quase sem sentir transforma-se em uma grandeza infinita profunda e imensurável, que é o final de todas as viagens e para onde vão parar todos os rios: o mar”.
 
Não mais dúvidas, incertezas, planos mirabolantes para o futuro, correrias, nervosismo, competições, pressa... Usufruir, sim, cada momento como se fosse o último e fazer tudo o que nos agrada e faz bem a nós e aos outros. “Pace e bene”, como ensinou São Francisco de Assis.
 
Meu dia é extremamente simples: acordo cedo, vou nadar no clube (Verdão), encontro minhas amigas, pratico papoterapia , leio, vejo TV, fico no computador algumas horas, faço meus trabalhinhos manuais... e vou deitar cedo também. 
 
Os amigos reclamam que fico muito tempo em casa, sozinha, que isso não é bom, que leva à depressão, etc, etc... 
 
Pode até ser, mas não é o que acontece comigo. 
 
Quando eu trabalhava, meu horário era muito extenso e eu queria ficar em casa e não podia. Houve até uma época em que tive que estudar à noite e ficava mais tempo ainda fora. E tinha filhos pequenos... 
 
Assim que me aposentei, achei maravilhoso poder usufruir o aconchego do meu lar. Que palavras lindas - aconchego e lar – e que significado! 
 
Não sinto solidão: adoro estes momentos comigo mesma, do mesmo modo que adoro estar com pessoas que quero bem. O equilíbrio - sempre procurado - parece simples agora, transparece nas ações cotidianas e ajuda a viver com tranquilidade, criando um suporte emocional ao meu redor.
 
Toda a agitação desta minha cidade, eu agora observo de longe, sem me atrever a participar dela.
 
Sonhos? Fora o desejo de paz para toda a humanidade, tenho aqueles que se referem à plena felicidade de filhos e netos.
 
Para mim, só um: morar num pequeno apartamento, mas com toda privacidade e mordomia. Cores bonitas em tudo, muita claridade, uma vista linda da minha querida cidade, muita higiene, música suave, cuidadores bem preparados, lazer, alimentação saborosa, piscina aquecida, facilidade de acesso em todos os lugares, enfim, um ambiente ótimo, seguro e bem adequado às características da idade. 
 
Salas de estar e jardins para poder receber visitas e bater papo com os amigos. Plena liberdade para ir e vir enquanto houver capacidade para tal e a melhor assistência para saídas quando necessário. 
 
Ficar livre das pequenas providências domésticas, sem sobrecarregar ninguém. Com isso tudo, talvez, a falta do meu querido companheiro não fosse tão sentida e a família ficasse mais tranquila. 
 
Somente um probleminha: conseguir colocar esse conjunto de coisas dentro das possibilidades econômicas de uma professora aposentada. É por isso que é sonho. Nada que uma mega-sena acumulada não possa resolver, rs!
 
E-mail: neidegsa@gmail.com
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Publicado em 09/03/2015

Neide, como você estou beirando os 80 anos, também espero um resultado favorável da mega-sena rs.rs., mas as vezes as coisas mais simples nos são oferecidas de graça, parabéns pelo texto.

Enviado por Nelinho - lt.ltesser@hotmail.com
Publicado em 07/03/2015

Neide, vc tem mais de oitenta, eu oitenta e três, vc é palmeirense, eu também. Tenho, ainda com que me preocupar, vivo com minha esposa 'a 58 anos, então posso ter uma ideia de seu passatempo. A mulher suporta mais a solidão e vc está se dando muito bem, quanto a ganhar a mega-sena, vc não é a única. Parabéns, Gaudenci.

Modesto

Enviado por Modesto Laruccia - modesto.laruccia@hotmail.com
Publicado em 05/03/2015

Como é bom a gente poder compartilhar idéias com nossos amigos através deste site e ainda receber comentários tão sensíveis. Acho que a Vida ficou um pouco brava comigo por causa desse texto e me brindou com uma tremenda dor ciática.Agora, ainda mais com o carinho de vocês, já está tudo bem.Abraço fraterno.

Enviado por Neide Gaudenci de Sá - neidegsa@gmail.com
Publicado em 04/03/2015

Neide, minha querida, compactuo tudo isso com você, nesse texto tão sincero. Mas eu ainda estou à procura, mas trabalhar pouco ainda não me faz bem. Mas tenho aproveitado muito da vida como você. Muito bom, né? Passamos cada sufoco inacreditável e, por isso hoje temos um pouco mais de paciência. Gostei muito do seu texto e aproveitei para conhecer o pensamento tão ilustre de Francisco Arámburo Salas. Muito bom. Um beijo, amiga.

Enviado por Vera Moratta - vmoratta@terra.com.br
Publicado em 04/03/2015

Neide, se me permite a intromissão, aqui do alto dos meus 74 quase 75 aninhos o que mais lhe invejo e poder mergulhar nas verdes águas do VERDÃO. Fique certa, se eu conseguir romper a barreira dos 79 escreverei também um texto neste estilo. Parabéns!

Enviado por Miguel S. G. Chammas - misagaxa@terra.com.br
Publicado em 03/03/2015

Oi Neide, tenho certeza que muitos leitores se identificarão com seus sonhos. Acredito que nunca ganharei um dinheirão porque não arisco em jogo, entretanto faço algo que realmente me causa prazer enorme: ficar em casa. Depois de enfrentar tanto trânsito fiquei estressada demais, pago para não sair! Amei seu texto.

Enviado por Marina Moreno Leite Gentile - dagazema@gmail.com
Publicado em 03/03/2015

Neide, que bom ouvir uma história vitoriosa, tipo, veni,vidi,venci, apesar das injustiças com o professorado, a economia sempre desfavorável a quem trabalha, a senhora é uma vencedora e faz por merecer um descanso assim, parabéns, Estan.

Enviado por Estanislau Rybczynski - estan_tec@hotmail.com
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