Leia as Histórias

Categoria - Outras histórias Uma vida de luta e trabalho - Parte IV Autor(a): Nelinho - Conheça esse autor
História publicada em 30/12/2014
Como eu já frisei no último relato, fiquei desempregado devido ao fechamento da empresa. Meus falecidos cunhados Oscar e Airton Leite resolveram me oferecer uma colocação nos escritório de contabilidade que eles mantinham em São Caetano do Sul. Fiz o concurso para Despachante Policial, fui aprovado e comecei a exercer a profissão naquele município, mas não tive sucesso pois a concorrência era muito grande. 
 
No escritório minhas chances de crescimento eram mínimas, já que meus cunhados não poderiam aumentar o número de funcionários e nem pagar um salário maior do que os que estavam sendo pagos aos demais colaboradores. Em vista disso comecei a procurar uma colocação em outro ramo.
 
A coisa estava difícil e após uma peregrinação por inúmeras salas de "RH" e distribuir um calhamaço de currículos, comecei a trabalhar numa empresa fabricante de óleo comestível da marca "Biriguí" recebendo apenas comissão. 
 
O produto era novo na praça e não consegui rendimento suficiente para minhas despesas. Solicitei dispensa e fui trabalhar em outra empresa produtora de óleo comestível da marca "Pacaembú". Lá consegui angariar uma carteira de clientes que me permitiram auferir um ganho melhor. Mas, por azar a empresa resolveu dispensar os vendedores externos e mais uma vez fiquei no "desvio".
 
A luta tinha que continuar, pois tinha agora vida de casado e com uma filha pequena. Eu tinha que me virar. Nova oportunidade surgiu num dia chuvoso de fevereiro de 1966: o despachante aduaneiro Laércio Teixeira Ramos, com quem eu já havia trabalhado na Iris, me encontrou tomando café em um bar da Av. Ipiranga. 
 
Após os cumprimentos e comentários de praxe sobre a família,  confessei a ele que estava desempregado e à cata de uma colocação. Imediatamente ele me deu o endereço de seu escritório lá no Viaduto Santa Efigênia, onde também trabalhava meu antigo colega da Iris.
 
De nome Rudovico e mais o Haroldo Amalfi, o Antonio Correia e o também despachante aduaneiro Renato Bucciarelli - este último foi como um pai para mim e para os outros funcionários do escritório.
 
Não havia vínculo empregatício, todos trabalhavam e no final do mês a renda do escritório era distribuída entre todos. O Sr. Renato como dono ficava com 40% do rendimento, os 60% restantes eram divididos com os demais após abatidas as despesas com aluguel da sala, luz, etc. 
 
O Laércio ficava com a renda de seus clientes, mas contribuía com as despesas do escritório e, para que eu pudesse funcionar junto ao setor de importação na antiga Estação Aduaneira de Importação Aérea em São Paulo,  me nomeou como seu ajudante oficial.
 
Após me filiar ao Sindicato dos Ajudantes Aduaneiros de São Paulo comecei a trabalhar no setor de Colis-Postaux no correio central e também no armazém de carga aérea que funcionava na esquina da Rua Santa Efigênia com a Av. Ipiranga. Esse departamento mudou depois para a Rua Florêncio de Abreu, onde hoje funciona um setor da Receita Federal. 
 
Na nova função conheci várias pessoas importantes com as quais tive a sorte de trabalhar e aprender muito sobre a rotina do serviço de desembaraço de mercadorias importadas. Tive vários "professores" que me auxiliavam no dia a dia, entre eles destaco o falecido Rômulo Machado França (foi ex-pracionha da FEB e lutou na Itália), o Luiz Gonzaga Cruz Junior (grande companheiro das rodadas de aperitivo em um bar da Av. Conceição, onde costumávamos comentar as atividades do dia saboreando uma caipirinha e beliscando porções de fritas e queijo provolone).
 
No correio tive também grandes companheiros como o Mário Polichetti, o Walter Pavanelli, o Érico dos Santos Machado, o Salvador (mais conhecido como "Chulé"), o Nilson Tavares e tantos outros que a minha memória não conseguiu gravar.
 
Como nos seriados do cinema: continua na próxima semana.
 
E-mail: lt.ltesser@hotmail.com
Localização da história
Login

Você precisa estar logado para comentar esta história.

Antes de Escrever seu comentário, lembre-se:
A São Paulo Turismo não publica comentários ofensivos, obscenos, que vão contra a lei, que não tenham o remetente identificado ou que não tenham relação com o conteúdo comentado. Dê sua opinião com responsabilidade!
Publicado em 08/01/2015

Nelinho, eu sei bem o que é esse drama. Fiquei desempregada algumas vezes e sei o quanto é duro enfrentar a busca de trabalho, andando de um lado para outro. Mas você conseguiu e eu também Felizmente. Parabéns pelo relato. Você é ótimo, meu querido colega. Sempre com detalhes significativos, beleza e uma vida carregada de bons princípios, Parabéns.

Enviado por Vera Moratta - vmoratta@terra.com.br
Publicado em 06/01/2015

Mais uma remexida nas "pequenas células cinzentas" do Nelinho, desta vez ele trabalhando como despachante aduaneiro. O que mais atrai nessa crônica, é a memória do irrequieto Tesser. Lembra dos nomes dos colegas e amigos como se as ocorrências tivessem acontecidas ontem. Parabéns, Nelinho vc merece.

Modesto

Enviado por Modesto Laruccia - modesto.laruccia@hotmail.com
Publicado em 05/01/2015

Nelinho, eu nuca fiquei desempregado, mas imagino a angustia, de um homem de caráter como você, acordar de manhã e não ter para onde ir. Deve ser horrível.

Enviado por Marcos Aurélio Loureiro - marcoslur_ti@yahoo.com.br
Publicado em 05/01/2015

Eu sonhava trabalhar no correio pois na época era um luxo Mas nunca me aventurei por mêdo de deixar meu emprego certo pelo duvidoso...Eu ajudava a sustentar a casa e não podia me aventurar...

Enviado por Walquiria - walquiriarocha@yahoo.com.br
Publicado em 04/01/2015

Parabens pela fibra demostrada nas horas em que a vida nos castiga para nos testar , e nos da a vontade de persistir ate conseguir o que queremos como voce conseguiu . E hoje relembra com orgulho e destemor o quanto valeu a pena essa luta . Parabens mais um vez e aguardamos mais uma do seriado . Abracos Felix

Enviado por João Felix - jfvilanova@gmail.com
Publicado em 31/12/2014

Nelinho, lembrar nossos percalços profissionais é uma forma de reviver, de forma agradável, a nossa passagem por este plano. Gostei de ler tuas lembranças.

Enviado por Miguel S. G. Chammas - misagaxa@terra.com.br
Publicado em 31/12/2014

Nelinho, uma saga comum a muitos de nós, e voce soube suportar, batalhar e vencer, muito bom o roteiro dessa saga, parabéns,Estan.

Enviado por Estanislau Rybczynski - estan_tec@hotmail.com
Publicado em 30/12/2014

comecei a trabalhar com 13 anos de idade, passei por muitos empregos ate a aposentaria,

mas sempre lembro dos colegas de serviços,

muitos já faleceram,

isso e a vida

Enviado por João Cláudio Capasso - jccapasso2@hotmail.com
« Anterior 1 Próxima »