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Categoria - Outras histórias O indivíduo coletivo Autor(a): Samuel de Leonardo - Conheça esse autor
História publicada em 04/05/2015
Nessas minhas andanças ao longo de tantos anos, aprendi, quase que forçadamente, a gostar de viajar de transporte coletivo pela minha amada paulicéia de trabalhadores bem suados e de poetas abençoados. 
 
Confesso: amo de verdade essa atividade. 
 
Quando adentramos a nave é como se formássemos um só corpo, uma só alma. Deixamos de ser único, individual, passamos a ser um todo, um conjunto harmônico e extasiante. Os momentos transformam-se em uma terapia que testa a nossa capacidade de resistência física e psíquica diante do estado das coisas.
 
Viajar de ônibus, de trem ou de metrô numa grande metrópole todos os dias é uma tarefa mais que nobre, é um desafio hercúleo. Não é uma atividade propícia a todos, é um evento mais difícil do que ganhar uma Copa do Mundo de Futebol ou um concurso de Miss Universo. 
 
Descrevo como uma obra de arte, um enredo teatral onde não há atores principais nem coadjuvantes, todos tem papel de suma importância num enredo sem desfecho.
 
Comparo ainda o espaço a um tabuleiro de xadrez, sem reis, sem torres e nem bispos, só damas e cavalos, cada movimento é uma jogada, toda saída é um xeque-mate.
 
Cada um dos participantes deveria ser enaltecido e ser premiado em vários quesitos. Mereceria até um programa especial de televisão com transmissão diária de vinte e quatro horas, no formato de um reality show, porém com personagens carregados de dignidade e de inteligência.
 
Quem precisa de um personal trainer ou de um terapeuta? Com os braços esticados segurando no suporte fazemos alongamento, com as mãos abaixadas segurando mochilas e bolsas exercitamos a nossa musculação, com o corpo todo esticado e às vezes curvados, mais os nossos pés sobrepostos sobre outros fazemos pilates. 
 
No aperto e nos solavancos do veículo desenvolvemos nossa habilidade mental. Comprovadamente pessoas que praticam a arte de se transportar coletivamente têm a capacidade de resiliência acima da média dos cidadãos que não praticam a modalidade.
 
Pesquisadores, estudiosos, intelectuais, sociólogos, e toda a mídia com o seu poder de persuasão ainda não chegaram a um consenso sobre o tema e tem dúvidas se a modalidade é um sim ou um não ou então apenas uma tese sem definição, haja vista que apresenta características antagônicas. 
 
Ao mesmo tempo em que é um verdadeiro exercício de democracia, já que cada um escolhe o veículo que lhe convier, por outro lado, é uma forma socialista de ser, todos dividem o mesmo espaço de maneira comum.
 
Como até então ninguém ainda conseguiu definir, eu como usuário declarado definido: o transporte coletivo é um espaço itinerante onde um é o todo e o todo é apenas um.
 
E-mail: samuel.leo@hotmail.com.br
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Publicado em 05/05/2015

E preciso que todos se conscientizem disso.

E haja mais respeito,mais educaçao.

Parabens

Enviado por Benedita Alves dos Anjos - dosanjos81@gmail.com
Publicado em 04/05/2015

Apesar de ter carro, essencial em dias chuvosos e para carregar mãe idosa ao médico, feira, mercado e igreja, tenho preferência por transporte coletivo.

Eu gosto do corredor de ônibus, especialmente quando estamos em velocidade boa e observando os carros quase parados (rs).

Somando a todos os exercícios mencionados por você, acrecento a caminhada que praticamos até o ponto e retorno. (rs) Às vezes escutamos umas conversas estranhas, umas músicas mais altas, recebemos e damos uns empurrões para descer, coisas que no mínimo provoca algum riso. Bela crônica, gostei.

Enviado por Marina Moreno Leite Gentile - dagazema@gmail.com
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