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Categoria - Outras histórias Por onde andará o Wallace? Autor(a): Walquiria - Conheça esse autor
História publicada em 24/02/2015
Prestava ajuda como voluntária em uma escola estadual, na qual eu conversava com os pais o significado da APM escolar e para que servia.
 
Eu participava ativamente das festas, sempre com intuito de arrecadação para pequenas reformas e melhorias na escola que eram sempre mostradas a todos. Certo dia, entrei na sala da diretora e me deparei com um menino negro, do qual só se via ressaltado o branco dos olhos e o suor que brilhava em sua testa.
 
Ele tinha uns 10 anos mais ou menos e um medo penetrante nos olhos. Eu sem saber o motivo dele estar lá, óbvio que estar na diretoria naquela situação, teria que ser por algum grave motivo, tive uma luz imediata em dizer para a diretora que era uma emergência e que precisava falar com ela em particular.
 
A diretora saiu longe da sala e eu perguntei o que estava acontecendo. Ela disse que ele era um péssimo aluno, brigava e agredia os colegas e ela tomou a decisão de suspendê-lo, até a vinda de sua mãe na escola. Como ela nunca apareceu, ele ficaria afastado por um bom tempo dando sossego a todos.
 
Pedi para falar com ele e fiquei muito penalizada quando ele me disse que os meninos o chamavam de macaco e andavam igual a um em volta dele para todos rirem e debocharem... 
 
Pedi à diretora que me desse uma chance em ajudá-lo a superar isso e ela muito a contra gosto permitiu.
 
Naquele dia, levei o Wallace para casa em meu carro e descobri que sua precária moradia era uma fábrica antiga e abandonada no qual umas vinte famílias se agruparam.  Sua mãe tinha mais 5 filhos e aquela pobreza desleixada sem nenhuma luz no fim do túnel,mas senti que ela amava os filhos...
 
Conversei com os dois, mãe e filho e prometi ajudá-los. Comecei comprando camisetas do uniforme com o emblema da escola,  mochila, material escolar, tênis novo, abrigo de inverno e marquei de buscá-lo no sábado para irmos ao McDonalds. Disse a ele que poderia levar os dois irmãos maiores, com 5 e 7 anos, pois os muito pequenos não dava para levar.
 
Nunca mais esqueci o olhar de felicidade daquelas crianças dentro da lanchonete. Depois fizemos um passeio pelo Museu do Ipiranga e a tarde ao levá-los de volta um deles me perguntou:
 
- Tia o que você é do meu irmão? 
 
E eu disse:
 
- MADRINHA!
 
E assim, apadrinhei aquele menino sofrido, indo uma vez por semana buscá-lo na escola e levá-lo de carro em casa. E isto, era a glória para ele.
 
Fazia compras de guloseimas em um atacadista, e deixava ele e as caixas em frente a sua moradia, vendo brilhar um olhar de orgulho naqueles olhos tão tristes.
 
Na Páscoa, montei uma cesta cheia de ovos, com um bem grande no meio, fiz um lindo embrulho de celofane com um laço de fita enorme e assim fui, pedindo licença, entrei na classe e dei a ele dizendo: “Você merece!”. Todos ficaram maravilhados e eu novamente me apresentei: “Sou a madrinha dele!”.
 
Ele passou naquele ano. E no ano seguinte, continuei meu acompanhamento escolar e a minha ajuda. Chegou a semana do Natal, eu fui cheia de presentes e surpresas visitá-lo, mas recuei sem acreditar no que via... só escombros... Derrubaram o prédio e nenhum vizinho me informou mais nada.
 
No ano seguinte, fui para outro lugar e não voltei mais naquela escola. Pensava sempre... por onde anda o Wallace? A vida continuou e alguns anos depois, minha filha encontrou no supermercado uma funcionária da escola que a reconheceu e disse: “Fale para sua mãe que o Wallace esteve na escola apenas para mandar dizer a ela que eles conseguiram uma moradia na comunidade de Guarulhos. Que ele estava trabalhando em um buffet de festa infantil, junto com sua irmã mais velha e que a mãe dele trabalhava no mesmo lugar de faxineira.”
 
Ele queria muito que eu soubesse disso.
 
Fiquei muito tempo extasiada com esta tão linda notícia. Para mim, foi uma felicidade interior tão grande que muitas vezes ria sozinha quando lembrava... 
 
De vez em quando eu ainda me pergunto: Por onde andará o Wallace?
 
E-mail: walquiriarocha@yahoo.com.br
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Publicado em 14/04/2015

Muito obrigada Niderce, me sinto muito mais feliz lendo comentários com tanto carinho igual ao seu, A Julia Poguetti abriu uma porta de resignação em minha vida na qual eu não conhecia...

Enviado por Walquiria - walquiriarocha@yahoo.com.br
Publicado em 09/04/2015

Walquiria, parabéns pela linda história.

Já venho observando seu exemplo, nas histórias e comentários do site, mas principalmente a dedicação as irmãs Poggetti.

Assim, sem lhe conhecer, já admiro sua solidariedade.

Parabéns!!

Felicidades. Niderce Teresa

Enviado por Niderce Teresa Martins - niderceteresa@bol.com.br
Publicado em 31/03/2015

Agradeço nossa mestra Vera Morata,ao Adilson no qual mandei um e-mail pessoal e ao Waldevir por ter demonstrado que não guardou nenhuma mágoa ao meu respeito. Obrigada a todos!!!

Enviado por Walquiria - walquiriarocha@yahoo.com.br
Publicado em 27/03/2015

Parabéns Walquiria.

Se todos fossem iguais a você este nosso Brasil seria muito melhor.

Já conheço sua vida em particular e acho que esta sua atitude só veio comprovar outras atitudes tomas pós Wallace.

Um abração bem forte.

Waldevir Bernardo - Vie do Site dos Boleiros da Água Rasa.

Enviado por Vie - historiadaaguarasa@gmail.com
Publicado em 22/03/2015

Dona Walquiria estou digitando para agradecer a senhora por uma historia linda que estou com os olhos cheio de lagrimasmas feliz por saber que existe pessoas como a senhora

Enviado por Adilson G. Alencar - adilsonkiforma@facebook.com
Publicado em 02/03/2015

Realmente, Wal, emocionante. Bondade, dedicação, carinho sustentam as pessoas mais sensíveis e vulneráveis. Verdadeira promessa de vida. Parabéns em letras garrafais. Um beijo querida.

Enviado por Vera Moratta - vmoratta@terra.com.br
Publicado em 02/03/2015

Queridos amigos, Valdecir, Luiz Peron, João Claudio, Heitor,

Estan, João Felix, Modesto, Júlia e Nelinho.Obrigada pelas palavras tão gentis sobre a minha história...As vezes me sinto um pouco envergonhada em falar das histórias que presenciei e presencio das quais eu faço parte para estender a mão ao meu próximo no meu dia a dia

Tenho um rosário de histórias lindas e horrendas tristes e alegres, e me sinto privilegiada por poder participar ou ter participado delas um dia ... Tem algumas que marcam e deixam saudades e esta foi uma delas... Obrigada a todos vocês meus agradáveis amigos!!!

Enviado por Walquiria - walquiriarocha@yahoo.com.br
Publicado em 01/03/2015

Walquiria, que bom seria se mais pessoas agissem como você para sair em socorro de muitos Wallaces nesta cidade gigantesca, parabéns pelo seu gesto epelo texto.

Enviado por Nelinho - lt.ltesser@hotmail.com
Publicado em 28/02/2015

Mais uma vez Wal, você escreve e nos emociona, sua missão tem sido cumprida com muito amor e alegria e sei que DEUS tem lhe agraciado com muita energia.

Beijos Julia.

Enviado por Julia Poggetti Fernandes Gil - gibajuba@yahoo.com.br
Publicado em 28/02/2015

Walquíria, a sua bondade, seu carinho e sua preocupação para com os desafortunados da vida, é a semente de uma prodigiosa e bem nutrida árvore que vc acaba de plantar. Ela, a árvore, poderá nem trazer sombra a vc mas, os designos divinos ou o que sua crença assim o desejar, te proporcionam uma existência abençoada e rica em exemplos a serem seguidos. Este menino, o Wallace, seja qual for o caminho que ele venha a seguir na vida, nunca esquecera a doce e querida "madrinha" que um dia, indelevelmente marcou seu desenvolvimento de tal forma que ira agradecer a Deus por ter tido essa felicidade. Uma criança guarda tudo o que de ruim e de bom que lhe é proporcionado durante sua formação. Vc, Walquiria não merece só um simples "parabéns", merece um abração e um beijo bem na sua face tão querida. Parabéns, Walquiria.

Modesto

Enviado por Modesto Laruccia - modesto.laruccia@hotmail.com
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