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Categoria - Outras histórias Paisagem Paulistana II Autor(a): Alfred Delatti - Conheça esse autor
História publicada em 26/03/2015
Nossa rua, no trecho em que exitou a nossa vida, era delimitada ao sul pela esquina da Av. Leôncio de Magalhães e a norte pela esquina da Durval Clemente.
 
Quem conhece percebe logo que é um pequeno trecho dessa rua, que na verdade começa lá longe, na esquina da Almirante Noronha e termina numa íngreme subida na Av. Nova Cantareira.
 
Então, naquele pequeno trecho aconteceu nossa infância e uma primeira adolescência.
 
Ali a Beatlemania, a Jovem Guarda, a repressão da ditadura, os Festivais de Música da Record.
 
Ali na esquina o tio atropelado.
 
Ali a deusa indiferente que subiu sem olhar.
 
As primeiras garoas do inverno.
 
O Natal na solidão.
 
Ali os dias longos e as esperanças curtas.
 
Ali duas famílias numa pequena sala.
 
Um livro apenas entrevisto.
 
Uma decepção e o conhecimento da decepção.
 
A incompreensão de adultos.
 
A agressão gratuita.
 
Os grandes desejos.
 
Naquele pequeno trecho de rua os balões de São João. 
 
O desejo terrível de ir junto, mas ficar.
 
A padaria, o bar, o misto quente.
 
A feira atrás do quarteirão.
 
O ônibus elétrico.
 
O ponto final e a passagem exata apenas.
 
O vulto do Pai e da Mãe.
 
O sacrifício da Mãe.
 
 
Rua Gaspar Soares, Jardim São Paulo.
 
E-mail: apdelatti@ig.com.br
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Publicado em 30/03/2015

Alfred, numa apreçada sequência de menções, vc consegue erguer o "manto diáfano da fantasia", (como diria o grande escritor, Eça de Queiroz), revelando tópicos de locais, ocorrências, transportes, degustações e fatos cujas experiências vc não reteve mas, leva a todos que puderam gozar, naquela época, as delícias de uma época inesquecível. Um texto robusto, Delatti, parabéns.

Modesto

Enviado por Modesto Laruccia - modesto.laruccia@hotmail.com
Publicado em 30/03/2015

Delati, sou ali de perto, da Parada Inglesa, conheço este espaço que você falou, claro que sem a mesma ligação sentimental, mas sinto o mesmo pela Parada.

Enviado por Marcos Aurélio Loureiro - marcoslur_ti@yahoo.com.br
Publicado em 26/03/2015

Delati, parabéns pelo relato de suas lembranças de forma de poesia, todos nós temos um pedacinho de rua do qual jamais esqueceremos, continue escrevendo.

Enviado por Nelinho - lt.ltesser@hotmail.com
Publicado em 26/03/2015

Alfred, o mundo se encontrou ali na av. Nova Cantareira. É impressionante como todas as coisas passam na nossa vida, deixando boas memórias e também amargas sequelas. Parabéns pela criatividade e um abraço.

Enviado por Vera Moratta - vmoratta@terra.com.br
Publicado em 26/03/2015

Numa pequena crônica, toda a história de uma vida desde a infância até a adolescência de um tempo que ficou na saudade, parabéns, Estan.

Enviado por Estanislau Rybczynski - estan_tec@hotmail.com
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