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Categoria - Outras histórias Paisagem Paulista I Autor(a): Alfred Delatti - Conheça esse autor
História publicada em 13/02/2015
Era possível ver as luzes que se distanciavam e, num longo arco ascendente, ganhavam altura na noite longa e se perdiam na distância.
 
No terraço, onde nos apertávamos, as pessoas passavam céleres, indo, voltando e chegando; e nós ali fitando as luzes que iam e vinham.
 
No enorme piso quadriculado que se estendia logo abaixo, figuravam as pessoas. As peças de xadrez se movimentando, certamente imaginadas pelo gênio que criou aquele piso preto e branco, exaustivamente imitado e repetido.
 
Na noite calma, era ali que ficávamos muitas vezes juntos. Apenas vendo; apenas esperando. Cada um de nós chegando um ao outro, como que tomados pela essência daquele lugar.
 
O café fumegante na minúscula chávena, trazia algo de mais distante para nós, como a nos confortar de não sermos também aqueles que partiam ou chegavam. Queríamos apenas ser aqueles que apenas estavam.
 
A noite propícia nos envolvia com suas promessas e as luzes errantes de certa forma também nos levava ou levava nosso pensamento para terras distantes.
 
Após algum tempo, descíamos pela escada calmamente em busca do estacionamento e aí sim partíamos plenos, agora um no outro de chagadas e partidas.
 
Aeroporto de Congonhas.
 
E-mail: apdelatti@ig.com.br
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Publicado em 02/03/2015

Gostei muito, Delatti. O seu texto provoca imaginações. Parabéns, Um abraço.

Enviado por Vera Moratta - vmoratta@terra.com.br
Publicado em 24/02/2015

Chegar ou partir, são só dois lados da mesma viagem. Já disse o poeta, que não sei o nome...

Enviado por Marcos Aurélio Loureiro - marcoslur_ti@yahoo.com.br
Publicado em 20/02/2015

Delati, belo relato das luzes da Paulista, vou aguardar o próximo capítulo.

Enviado por Nelinho - lt.ltesser@hotmail.com
Publicado em 16/02/2015

Aeroporto de Congonhas, local de muitas lagrimas de alegria e de lagrimas nas despedidas, tb,eu um dia vi um amigo partir para nunca mais voltar, foi no ano de 1.958, nos despedimos do colega de trabalho que viajou definitivamente p/ os EEUU, um grande pessoa,que nos deixou um legado de pessoa honesta, trabalhador exemplar e excelente amigo, tantos anos se passaram mas seu exemlo até hoje permanece, parabens pelo texto, romantico e espressivo. Marquezin

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Enviado por João Marquezin - joaomarquezin@yahoo.com.br
Publicado em 16/02/2015

Um repentino vislumbre de uma época em que, assistir a partida e chegada de passageiros em Congonhas, era uma emoção deslumbrante e gratuita. Parabéns. Alfred

Modesto

Enviado por Modesto Laruccia - modesto.laruccia@hotmail.com
Publicado em 14/02/2015

Belo texto, poético, um sonho real na nossa querida Pauliceia. Ele nos remete a um voo sem precisar embarcar na aeronave. Basta ler, fechar os olhos e sentir o frescor de um tempo em que viajávamos pelo simples fato de visitar Congonhas. Saudades dos anos 60 e 70.

Enviado por Samuel de Leonardo - samuel.leo@hotmail.com.br
Publicado em 13/02/2015

Achei que esta foi uma forma poética se descrever um aeroporto!!!

Eu já chorei e sorri com algumas chegadas e algumas partidas...hoje me despeço das pessoas mais conciente e preparada para as separações.

Enviado por Walquiria - walquiriarocha@yahoo.com.br
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