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Categoria - Outras histórias Roleta Russa Autor(a): Modesto Laruccia - Conheça esse autor
História publicada em 07/10/2014
Dando um giro pela cidade de São Paulo, me encontro na Praça da Sé, na década de 1970, apreciando o monumento da fé cristã, a Catedral de São Bento. Obra em estilo gótico, de beleza arquitetônica majestosa, sem igual em todas as Américas.
 
A praça da Sé ainda com seus antigos edifícios ao redor da catedral, tornou-se, posteriormente, com a praça Clóvis Beviláqua uma só praça, com sua estação de metrô, conservando sempre o Palácio da Justiça.
 
Vou andando perto do edifício da Caixa Econômica, no lado oposto da catedral, quando se aproxima um indivíduo que me força a parar.
 
Espaço altruísta, no pensamento diário, leva minhas indecisas reações ao extremo do que seria uma insípida irresponsabilidade, aparentemente inconsequente, porém, de uma força convertida em inabalável fé.
 
Vou recordar meus pensamentos naquela hora, totalmente absorto em preocupações domésticas, sem tempo a perder com um estranho.
 
As razões ponderadas que me assolam não são determinadas pela minha inexperiência, mas sim, por detectar, nas redundâncias calcadas no comportamento inequívoco de meu interlocutor, algo tenebroso, por demais astuto pra um indivíduo aparentemente, sem nenhuma escolaridade, mediana, que seja.
 
Mas não, deve haver algo nesse misterioso personagem que procura esconder, sem o cuidado necessário de camuflar um comportamento sequioso por encerrar nosso diálogo.
 
Por fim, não resistindo a tortuosa expectativa, resolvi expor minhas suspeitas sobre os trejeitos de seu rotundo físico, um exagero resultante de uma dieta a base de carboidrato, um físico abandonado totalmente aos prazeres de um bom prato. 
 
- Qual a sua idade? - pergunto não esperando de pronto, uma resposta. 
 
- Porque você quer saber?... será por causa da minha barriga? 
 
Ao responder dessa forma trai, não só sua revolta com seu volume como um forte complexo com origens nebulosas que vou tentar descobrir.
 
Se a menção do ventre, por ele mesmo como defesa, na esteira de elevado índice de autocomiseração, se entende como eu estar lidando com um indivíduo problemático, completamente absorvido por recalques adquirido em vários pontos demonstrados num esquema perturbador.
 
Em dado momento, inesperadamente puxa de sua sacola a tiracolo, um revolver. Apontando pra mim, relutei quando explodi.
 
- Calma - reagi - só perguntei seu nome...
 
- Meu nome é René e não vou atirar em você...
 
- Então, pra que a arma...?
 
- Ela tem uma bala só... e vou fazer um jogo com você, vou rolar o tambor e você vai apontar na minha cabeça... quando eu disser “fogo”, você aperta o gatilho, se disparar, estarei morto e se não, faço o mesmo... na sua cabeça!
 
- Hei, que negócio é esse?
 
- Você nunca ouviu falar da “roleta russa”?
- Sim...sim... mas, aponte esse troço pra lá...
 
- Há... há... há... você tá se cagando de medo... Não ta vendo que essa arma é de brinquedo??
 
 
E-mail: modesto.laruccia@hotmail.com
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Publicado em 27/10/2014

Pitoresca e aterrorizante história, caro Modesto. Sempre que tenho de ir ao Centro Velho, sinto certo receio. Olho vivo! E receio bem justificado, que no seu caso concretizou-se de forma contundente.

Imagino o momento de horror passado, com uma estúpida brincadeira de doido. Arma de mentira, mas bem podia ser verdadeira. Isto não se faz com ninguém, menos ainda com uma figura venerável como a sua. Abraços.

Enviado por Luiz Simões Saidenberg - lssaidenberg@gmail.com
Publicado em 18/10/2014

Modesto, eu não gostaria de estar no seu lugar, a gente nunca sabe a reação das pessoas estranhas, graças aDeus você escapou ileso, parabéns pelo texto.

Enviado por Nelinho - lt.ltesser@hotmail.com
Publicado em 15/10/2014

Modesto, que arrepio voce deve ter sentido naquele momento heim ? Uma pessoa com aquela mentalidade deve ter muitos problemas p/ resolver na vida só que o cara envolve outras pessoas que nada tem a ver c/ os problemas dele, iguais a esse individuo devem circular pela nossa querida S.Paulo milhares deles, portanto todo cuidado é pouco, parabens, voce nos alerta com este fato o cuidado que devemos ter com as pessoas que nos rodeiam, abraços do Marquezin, parabens.

Enviado por João Marquezin - joaomarquezin@yahoo.com.br
Publicado em 09/10/2014

Gostei muito sr. Modesto.

Na rua acontece cada coisa!!!

Meus parabéns firme e forte contando suas histórias.

Enviado por Benedita Alves dos Anjos - dosanjos81@gmail.com
Publicado em 08/10/2014

Amigos, perdoem o erro cometido por mim: a Catedral da Sé, de São Paulo é o que se denomina, "Catedral" e não Catedral de São Bento. Perdoem-me.

Laruccia

Enviado por Modesto Laruccia - modesto.laruccia@hotmail.com
Publicado em 08/10/2014

Modesto, uma brincadeira de mau gosto do elemento que o interpelou, que podia resultar em algo pior, devido a isso e por assaltos reais com arma de brinquedo que foi proibido a sua fabricação, mas ainda de vez em quando aparece algumas importadas do Paraguai e outros,boa história com toque de humor, parabéns,Estan.

Enviado por Estanislau Rybczynski - estan_tec@hotmail.com
Publicado em 08/10/2014

caro modesto com você a arma, foi de brinquedo.

mas com o meu amigo gasolina. ele se matou sem querer fez roleta russa e tinha uma bala na arma,

ele mesmo gritou que mancada,

foi muito triste,

Enviado por João Cláudio Capasso - jccapasso2@hotmail.com
Publicado em 08/10/2014

BRINCADEIRINHA HEIM!!!!Tão inocente que voce nunca mais esqueceu!!!

Enviado por Walquiria - walquiriarocha@yahoo.com.br
Publicado em 07/10/2014

Meu querido Modesto, o conteúdo do seu texto é tão complexo que me custa fazer um simples comentário. A angustiante carência do seu interlocutor, o querer provocar um choque para obter alguma visibilidade, mesmo que altamente negativa, é algo que me foge à condição de esboçar alguma reação a não ser de desapontamento e de desesperança. Sempre os meus pais ensinaram a não dar conversa para estranhos. Muitas vezes achei isso um exagero e até uma falta de caridade para com o próximo. Mas acabei tendo que educar o meu filho assim também, embora o mesmo não economize um bom papo. O que posso dizer diante do exposto, meu querido amigo, é "ainda bem que a arma era de brinquedo". Um grande abraço, meu querido Modesto.

Enviado por Vera Moratta - vmoratta@terra.com.br
Publicado em 07/10/2014

Que susto, seo Modesto! Mas o pior deve ter sido o que senhor teve que ouvir depois do "M-2".

Enviado por Abilio Macêdo - abilio.macedo@bol.com.br
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