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Categoria - Paisagens e lugares Garoa dos Faróis Autor(a): Autor1 - Conheça esse autor
História publicada em 28/07/2014
Na torre de Alexandria, a grande chama ardia, nos espelhos refletia e a noite tornava-se dia. O porto iluminado, monumento que foi considerado maravilha do mundo antigo, dádiva do Egito. Pensei nisto em um dia de engarrafamento. Eu um tanto iludido, em um fim de tarde na Marginal, o trânsito parado, tantos carros iluminados... Sim, acreditem, o Farol do Egito foi reinventado e está em meio ao trânsito de São Paulo.
 
Começo de noite, a Marginal vai ficando iluminada, ganhando cores inusitadas, os neons e as fachadas juntam-se com os reflexos das calçadas. A luz que vem das mentes agitadas, a população apressada, talvez nem repare a cidade iluminada. Por uma longa distância, nosso Farol Paulista, fez de Alexandria sua herança, já não em forma de torre, mas no sincronismo do carros. Ainda mais contemporâneo, por ser espontâneo, surge a chama de luz no grande trânsito parado. As luzes da cidade, contraste com o asfalto, na plena urbanidade. Carros e seus faróis acessos seriam notícias e problemas, mas quem diria que isto serviria para um belo tema de poema.
 
São Paulo se ascende, Garoa dos Faróis. Suas luzes são guias, brilham em tantos e tantos caminhos, percorrem destinos, refletem nos olhos fascínios à alma dessa cidade em movimento. Novo monumento, as luzes e suas belezas, que linda realidade, faróis e tantos faróis dos carros, sejam andando ou parados, ainda que engarrafados, cedem um brilho inusitado, maravilha moderna, assim qualquer um espera.
 
Se Paris é a cidade Luz, São Paulo é a cidade dos faróis, a nova Alexandria é aqui. As luzes que saem do asfalto brilham na imensidão, gotículas da garoa na consagração da refração. Na plena realidade, obra de arte, cores nascem no cinza. De forma expressiva, convidativa, a linda garoa desce. Os carros ainda nem se mexem, o trânsito está encorpado, surge agora um céu escuro e denso como fundo. Um espetáculo para se apreciar. Desço do carro e só consigo admirar: a Marginal toda iluminada, minha alma está apaixonada pelas maravilhas modernas de São Paulo, por essa imensa fila de brilhos e carros. Até que chegou minha vez de partir, coração marejado, não sei se isto é mais lindo andando ou parado, garoa e faróis por todos os lados.
 
E-mail: autor@gmail.com
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Publicado em 10/08/2014

Justamente! O farol de Alexandria era um elefante branco perante os moradores, assim como o engarrafamento para os paulistanos é uma questão de ponto de vista, você pode pensar no quanto é bom voltar para casa do serviço,escola,compromissos e alegrar-te por poder estar realizando seja o que lá o que for, porém o homem prefere reclamar, esbravejar, os servos não viam utilidade na torre de Alexandria,da mesma forma que dificilmente se imagina algo belo em meio um engarrafamento, mas sim existe, o FAROL emana a LUZ,no Egito abria o caminho dos mares, em SP abre o caminho para os mais diversos destinos, sem a torre o porto era um simples local, sem o engarrafamento o asfalto é o único tom da marginal,é aí que surge um arte inesperada. A torre brilhava nas ondas do mar,foi destruída por um terremoto, a Garoa dos Faróis é destruída assim que a Marginal vai se liberando e o fosco volta ao seu lugar, a poesia aqui não é o Lirismo,sim as cores improvisadas no concreto, sim essa arte improvisada que faz o fosco asfalto virar paleta de cores de forma exagerada compara ao farol de Alexandria, essa LUZ improvisada em ambos servindo como guia, seja em SP ou em Alexandria,essa arte inesperada, sempre incompreendida é o sentido da GAROA DOS FARÓIS! Falamos aqui de duas belezas,que não foram compreendidas,mesmo que em locais, gerações diferentes, o interessante é que ambas envolvem veículos,luz, cores e incompreensão!E ao se desfazer da luz, ambos locais voltaram ao seu normal, o fosco, o escuro!

Enviado por Wander Luiz dos Santos - wandersantos23@gmail.com
Publicado em 07/08/2014

Wander,li sua narrativa muito rápido e não me veio a mente nenhum comentário por falta de entendimento do texto.Lendo com mais calma,refleti que por nunca ter ouvido falar na tôrre de Alexandria e o que ela expressava e que agora aprendi.Entendi que o trânsito noturno da nossa Marginal lembra esta torre em forma horizontal de luzes acesas e que as gotas de chuva formam ainda um espetáculo maior da natureza salpicados de gotículas em neon e que é realmente um espetáculo lindo de se apreciar e inspirador para um poeta...Mas meu querido,aposto que quem pega todos os dias o trânsito da Marginal ao longo dos anos para ir e depois voltar depois de um tenso dia de trabalho,jamais conseguiria enchergar nenhum resquício de beleza ou poesia nas luzes encarrilhadas por intermináveis quilometros sem ao menos saber se andará um pouquinho mais nos próximos quilómetros a diante...Mas tenho certeza que os usuários acham os farois acesos da Marginal muuuuuito mais lindos andando...

Enviado por Walquiria - walquiriarocha@yahoo.com.br
Publicado em 31/07/2014

Wander, que maravilha! Eu sempre fui fascinada pelas luzes de S.P. Principalmente à noite, mas você extrapolou a nossa imaginação. Magnífico texto. Sensibilidade no meio de uma cidade que grita, vocifera e ama. Meus parabéns efusivos e receba o meu abraço.

Enviado por Vera Moratta - vmoratta@terra.com.br
Publicado em 31/07/2014

Não precisa ser de Alexandria, bastam os faróis das marginais já estarás bem acompanha do na trajetória da vida, Wander. Parabéns pela crônica, Santos.

Modesto

Enviado por Modesto Laruccia - modesto.laruccia@hotmail.com
Publicado em 31/07/2014

Seu texto, um belo poema em prosa, reflete muito do que nós paulistanos perdemos quando não temos olhas para ver. Veja você, até do paroxismo louco que são as marginais, nasce a poesia. Borges dizia que nesse mundo a beleza é comum, ele estava certo mais uma vez. Parabéns e grande abraço.

Enviado por Alfred Delatti - apdelatti@ig.com.br
Publicado em 29/07/2014

Muito obrigado Nelinho,as pessoas, a cidade são nossa inspiração, obrigado mesmo!

Enviado por Wander Luiz dos Santos - wandersantos23@gmail.com
Publicado em 29/07/2014

Wander, depois de saborear a deliciosa leitura desse seu belo texto, eu vou procurar ser mais otimista, quando me encontrar na marginal em dias de mais de 350 quilômetros de Congestionamento, parabéns. Agora fiquei com uma duvida cruel, não sei se viajo para São Paulo que eu já conheço, ou vou ao Egito ver esse Farol, mais outra coisa. São Paulo só foi Uma cidade Luz duas vezes durante os incêndios do Joelma e do Andraus. Onde lamentavelmente eu perdi um amigo bem chegado. Parabéns pelo texto muito bem bolado.

Enviado por Arthur Miranda (Tutu) - 27.miranda@gmail.com
Publicado em 29/07/2014

Wander, parabéns pelo poético texto! admiro sua sensibilidade em encontrar poesia e romantismo neste trânsito caótico de São Paulo, parabéns pelo texto.

Enviado por Nelinho - lt.ltesser@hotmail.com
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