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Categoria - Paisagens e lugares Maternidade São Paulo: Já Era! Autor(a): Carlos Fatorelli - Conheça esse autor
História publicada em 23/07/2014
Deve estar nascendo uma nova safra de investidores, ávidos por adquirirem o pedaço mais valorizado, em termos financeiros, dos poucos terrenos que ainda teimam em ser “oásis”. Numa verdadeira e acirrada disputa pelo espaço do maior mercado imobiliário do Brasil, expandem seus tentáculos sobre a maior e mais cobiçada área geográfica de São Paulo, que é a região mais atraente em negócios imediatos pelas incorporadoras: a Avenida Paulista e suas imediações.
 
Um caso bem recente é, sem dúvida, o terreno da antiga Maternidade São Paulo, que encerrou suas atividades em 15 de setembro de 2003. Depois de dificuldades financeiras, foi arrematada em leilão no ano de 2006, por R$ 18,5 milhões, pela CasaBlanc Representações e Participações Ltda -  um dos negócios do banco Safra -, terminando um litígio para quitação dos débitos com os antigos funcionários e que teve como mediador o Tribunal Regional do Trabalho.
 
A instituição foi fundada em 1894, e dez anos após, a diretoria da Associação decidiu adquirir o terreno da Rua Frei Caneca, onde mais tarde foi construída a maternidade. Consta nos anais históricos da maternidade, que a mesma começou a funcionar na Rua Antonio Prado, atualmente Bráulio Gomes - médico idealizador da Associação Protetora da Mãe Pobre, com a colaboração do serviço feminino voluntário -, e transferido, em 1897, para a Ladeira Santa Ifigênia, em casa doada pela Baronesa de Limeira.
 
O prédio da maternidade, na Rua Frei Caneca, possuía 19 mil metros quadrados, com 15 pavimentos. Foi referência em obstetrícia e, chegou a possuir, em tempos áureos, 400 leitos e 1.200 servidores.
 
Os oficiais do TRT constataram que os documentos da instituição estavam "na sua maioria, em regular ou em mau estado de conservação" e "esparramados pelo chão, muitas caixas rasgadas". A Justiça determinou o envio de mais de 15 mil fichas clínicas, livros e documentos para o Arquivo Público do Estado, onde serão catalogados e guardados para a disposição pública de pesquisas gerais. Os móveis e instrumentos clínicos ficarão em depositário judicial “para garantir a preservação da história da obstetrícia do país”.
 
Termina assim, melancolicamente, mais um capítulo da história paulistana: com a desativação de mais um hospital, que foi referência em atendimento de excelência. Foi parte integrante da vida de muitos que nasceram na Maternidade São Paulo, nº 1245, na Rua Frei Caneca. Hoje, escombros “silenciam” sua história e que passa, doravante, a ser apenas referência de muitos, na alegria em ser paulistano!
 
E-mail: cafatorelli@gmail.com
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Publicado em 29/07/2014

Carlos, infelizmente mais um estabelecimento de assistência médica deixa de existir nesta cidade que teima em não preservar sua memória, realmente é uma perda irreparável, parabéns pelo texto.

Enviado por Nelinho - lt.ltesser@hotmail.com
Publicado em 25/07/2014

santa casa falida(a cruz vermelha,desviou 74.000,000.00)que seria para a santa casa,

agora,sobre a maternidade, sem comentários. euma VERGONHA.

Enviado por João Cláudio Capasso - jccapasso2@hotmail.com
Publicado em 25/07/2014

Maternidade que atendia a toda população, com pacientes de todos os recantos da nação, merecia dos poderes públicos, uma atenção especial. Os principais pacientes são oriundos de todos os rincões de nossa nação, portanto, é uma falta de empenho em favor de todos os brasileiros.

Sua narrativa é de uma nobreza indiscutível, mostrando detalhes poucos conhecidos, o que enriquece mais ainda sua mensagem. Parabéns, Fatorelli com um forte abraço e muita paz.

Laruccia

Enviado por Modesto Laruccia - modesto.laruccia@hotmail.com
Publicado em 25/07/2014

Na desativação de um hospital, deveria ter outro, maior em seu lugar. Uma metrópole como São Paulo, a tendencia é, sempre crescer, acompanhar o aumento populacional. Será que os poderes nacionais não se tocam de que aqui em São Paulo estão reunidos os representantes de todos os estados brasileiros?

Bem explícito, sua narrativa tem um sabor de protesto, Fatorelli,descrita com vigor de quem sabe das coisas. Parabéns, Carlos.

Laruccia

Enviado por Modesto Laruccia - modesto.laruccia@hotmail.com
Publicado em 24/07/2014

Muito triste verificar que a Maternidade em que nasci virou isso, mera especulação imobiliária ! Documentos espalhados pelo chão, os que constam meu nascimento devem estar lá sem duvida. Verificar ainda o preço ridículo pelo qual foi arrematada em leilão é muito triste. Ah Brasil sem orgulho pelas suas historias e memórias ! Valeu seu texto muito oportuno !

Enviado por Alfred Delatti - apdelatti@ig.com.br
Publicado em 24/07/2014

E realmente foi uma pena uma maternidade tao tradicioal da nossa cidade ter um fim tao deplorante. Lembro nos meus velhos tempos de taxista de algumas familias felizes que transportei com seus filhos recem nascidos de volta para casa.Eu nao nasci em maternidade pois era muito pobre mesmo porque em 1934 nao era comum criancas nascerem em maternidades As parteiras , as comadres ou as curiosas ,naquelas epocas eram as que assitiam as maes em suas casas , essa eram as razoes da mortalidade infantil ser tao grande , coisa que foi mudando de rumo com a intruducao de maternidades publicas e a obrigacao de parteiras diplomadas para atender os mais necessitados . Parabens pelo texto. Abracos Felix

Enviado por João Felix - jfvilanova@gmail.com
Publicado em 23/07/2014

Carlos, existem momentos em que o melhor é o silêncio. É como eu me sinto agora. Sem palavras. Sem comentário. Apenas o meu abraço prá você.

Enviado por Vera Moratta - vmoratta@terra.com.br
Publicado em 23/07/2014

Concordo com o Estanislau, tem coisa que deveria ser proibida, uma delas é deixar um hospital morrer, com já esta acontecendo com a Tradicional e simpática Santa Casa, de São Paulo. Se nosso governo tivesse deixado de construir pelo menos um Estadio para essa infeliz Copa do Mundo tenho certeza que a nossa Santa Casa de São Paulo não estaria nessa falência.

Enviado por Arthur Miranda (Tutu) - 27.miranda@gmail.com
Publicado em 23/07/2014

Pois é, eu também nasci ali, como a maioria dos paulistanos, eu estou vivo e o hospital morreu e assim morre parte de mim e da história de São Paulo e principalmente parte da saúde da cidade, devria ser proibido por lei desativar unidades de saúde principalmente, parabéns pelo texto informativo,Estan.

Enviado por Estanislau Rybczynski - estan_tec@hotmail.com
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