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Categoria - Personagens O reencontro Autor(a): Luiz Carlos da Silva - Conheça esse autor
História publicada em 22/07/2014
Desci apressadamente as escadas do metrô Sé, para embarcar para a Zona Leste da cidade de São Paulo. Naquela época, às dezoito horas, a estação sempre estava lotada de pessoas, querendo retornar para casa depois de um árduo dia de trabalho.
 
Olhei as enormes filas para comprar o bilhete, e optei por uma que parecia um pouco menor que as outras. E lá eu fiquei aguardando, pacientemente, minha vez, enquanto terminava de ler um livro. Com um olho na página e outro na frenética movimentação de passageiros e, também, do barulho das locomotivas chegando e partindo da estação.
 
A fila movia-se lentamente e quando chegou minha vez de comprar o bilhete, cheguei bem perto do arrecadador e disse:
 
- Uma passagem única! 
 
E foi quando ouvi o arrecadador dizer:
 
- Luiz! Quanto tempo! Espere um minutinho, que irei sair para dar um abraço em você.
 
O rapaz saiu do guichê de arrecadação. Simplesmente abandonou a fila e veio todo sorridente dizendo:
 
- Caramba amigão, que saudades! Por onde você anda, lembra-se de mim?
 
Fiz uma cara de interrogação e respondi nervosamente:
 
- Não, não lembro de você não. O que quer comigo? De onde nos conhecemos? 
 
O rapaz barbudinho sorriu e disse:
 
- Fomos amigos de classe em 1971, no Ginásio Estadual Cidade de Hiroshima, em Itaquera, lembra-se?
 
Passei a mão na cabeça e novamente disse:
 
- Desculpa “amigo”, mas não estou me lembrando da sua nobre pessoa. Que tal entrar para o guichê e vender o bilhete? Caso contrário, irei a outro guichê.
 
O rapaz sorriu novamente e disse:
 
- Meu nome é Marcelo, e eu namorava a Berenice, na quarta série do curso ginasial.  Após alguns meses de namoro com Berenice, você começou a namorá-la, me deixando muito triste... Lembra-se agora?
 
Afastei-me um pouco do Marcelo e, meio sem graça, disse:
 
- Claro que lembro! Mas tudo já passou. Nem sabemos por onde anda a Berenice. 
 
E apertei a mão do antigo aluno da escola.
 
O rapaz sorriu e disse: 
 
- A Berenice está em casa, pois ela é minha esposa!
 
Novamente, fiquei muito surpreso. Enquanto o Marcelo entrava para o guichê, para vender-me o bilhete, ainda sobrou tempo de escutarmos dos passageiros apressados: “Encontros de velhos amigos!”
 
- Aparece lá em casa, para fazermos um churrasco. Aqui está o meu cartão! -disse o velho amigo. 
 
Enfiei o cartão no bolso traseiro da minha calça, e desci rapidamente a escada rolante, pensando no reencontro depois de trinta anos.
 
E-mail: lucasi__@hotmail.com
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Publicado em 25/07/2014

Encontro de velhos amigos sempre suscitam antigas suspeitas de comportamentos de ambas as partes.Tudo não passou de um reencontro, mesmo, Luiz Carlos, parabéns.

Modesto

Enviado por Modesto Laruccia - modesto.laruccia@hotmail.com
Publicado em 23/07/2014

Luiz, o acaso as vezes nos proporciona muitas surpresas, velhos amigos, antigas amizades que a luta pelas vida nos separaram, o destino se encarrega de promover o reencontro, parabéns pelo texto.

Enviado por Nelinho - lt.ltesser@hotmail.com
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