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Categoria - Paisagens e lugares Mar de Cabeças Autor(a): Autor1 - Conheça esse autor
História publicada em 16/07/2014
Olho para o relógio, um relógio escondido no bolso, pois gente do interior esconde o relógio no bolso quando vem para a capital. Quase meio-dia, falta uma estação, enfim desço do metrô, estou no terminal do Tietê, quando chego perto das catracas, avisto o mar de cabeças.
 
Um sábado ensolarado, fim de ano, depois de dia de pagamento, na gigante metrópole São Paulo. Nada de anormal, porém meus interioranos olhos acostumados a pequenas paisagens, a calma da pequena cidade, viram-se amedrontados diante de um denso e extenso mar de cabeças. Como um surfista a medir e projetar seu deslizar sobre as ondas, meus olhos foram adentrando ao mar, à medida que minhas pernas, apressadas pernas, afundavam-se na imensidão do mar de cabeças. Uma cena impactante, porém tão bela, tão brasileira - nem Tarsila do Amaral em sua fantástica obra de diversos semblantes, poderia expressar a diversidade do mar de cabeças. Tantos cabelos, tantos olhos, tantos semblantes, tantas cores, tantos sonhos, tantas vidas, tantas realidades.
 
São Paulo impressiona por sua esmagadora quantidade do diverso, por sua exponencial pluralidade, a forma como tudo deforma, reforma, transforma nesta cidade. Uma cena de um sábado de manhã em um estação de Metrô seria, de longe, o mais belo cartão postal do Brasil.
 
Estampando como destaque, a diversidade, a forma, a cor, a mistura deste profundo Mar. O surfista sofre, se arrisca, pensa dominar as ondas, vai virando sua prancha, cola sobre o movimento. Ele se ajeita diante do vento, por instantes presencia o encontro entre as águas e o ar, perde-se na vastidão do azul, feito o rapaz do interior. Ambos querem descobrir, querem atrever-se a dominar, sentem-se atraídos pelos movimentos do mar, até que o surfista caí, o menino do interior esbarra em alguém, num golpe de realidade. Um recolhe a prancha, o outro baixa a cabeça, nasce um sorriso a meia boca, mas no peito explode a felicidade.
 
O surfista sai balançando os cabelos e correndo para a areia, o menino do interior, arrisca olhar para trás, e quando voltam para casa, dividem o mesmo sentimento: o respeito, o mito, mas a intensa paixão pelo mar. Um sobre as ondas e outro em meio às cabeças, sabem que é preciso cuidado, pois o mar que diverte é o mesmo que implacavelmente afoga, sufoca e que pode custar a vida. Mas para os olhos é um fascínio se perder em meio imensa dimensão, apreciar a obra da natureza.
 
E-mail: autor@gmail.com
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Publicado em 29/07/2014

Muito obrigado a todos, as lindas palavras, as reflexões,fico muito grato!Uma satisfação, que bom saber que a história ganhou o imaginário, o mundo tão particular de cada um, esse compartilhamento e sem dúvida incrível, muito obrigado!

Enviado por Wander Luiz dos Santos - wandersantos23@gmail.com
Publicado em 23/07/2014

Wander, parabéns pelo seu texto, poético, parabéns.

Enviado por Nelinho - lt.ltesser@hotmail.com
Publicado em 17/07/2014

Um mar de cabeças empolga no mesmo grau de intensidade que o mar, de fato. Se a metáfora foi desenhada, é por que a semelhança, alcançada pela sensibilidade de quem lê é a mesma de quem escreve. Parabéns, Wander.

Modesto

Enviado por Modesto Laruccia - modesto.laruccia@hotmail.com
Publicado em 17/07/2014

Wander, o seu texto é simplesmente lindo, com um lirismo de primeira classe. Gostei muito do seu relato e concordo com o seu teor: essa multidão multicor fascina mas dá medo, atrai e confunde, tem cor e cheiro e também traz dúvidas. Vou reler. Meus parabéns e espero poder te acompanhar na escrita por um bom tempo. Um abraço.

Enviado por Vera Moratta - vmoratta@terra.com.br
Publicado em 16/07/2014

Tenho um amigo da região de Presidente Prudente acostumado com a lida diária da roça que ao vir para o casório do seu primo, viu tanta gente na rodoviária que ficou com tanto medo que não viu a hora de voltar para sua pacata cidade e...nunca mais voltou em São Paulo!!!

Enviado por Carlos Fatorelli - cafatorelli@gmail.com
Publicado em 16/07/2014

A dura realidade vivida pelos paulistanos no dia a dia na cidade tentacular que é São Pauloe eu também já surfei muito nesse mar de cabeças e pernas na multidão, parabéns pelo antagônico e poético texto entre o mar e o concreto, parabéns,Estan.

Enviado por Estanislau Rybczynski - estan_tec@hotmail.com
Publicado em 16/07/2014

Lindo seu conto Wander, unindo a calma do interior com a agitação paulistana. Na realidade nossa querida e grandiosa Capital nada mais é que um pequenino interior que cresceu e ficou enorme, isso tem acontecido também aí pelo nosso querido vale do paraíba, com São José, Taubaté e até mesmo com minha atual cidade, Lorena. Parabéns seu conto despertou meu apetite de leitor aqui do SPMC, portanto mande mais.

Enviado por Arthur Miranda (Tutu) - 27.miranda@gmail.com
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