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Categoria - Outras histórias Memórias de um ídolo Autor(a): Miguel S. G. Chammas - Conheça esse autor
História publicada em 12/08/2014
Desde tenra idade a música foi minha grande sedução.
 
Músicas clássicas, líricas ou populares me atraíam e acalmavam. Tinha um tio de segundo grau (era tio de minha mãe), que na qualidade de empresário do Teatro Municipal de São Paulo, me facilitava o comparecimento à maioria dos espetáculos, que nesta capital cumpriam suas turnês, e mais, após o espetáculo, o acesso aos bastidores e camarins era garantido.
 
Além dessa fantástica iniciação musical, eu tinha em casa minha mãe, dona de uma belíssima e afinada voz e que não degenerando sua descendência italiana, sempre a meu pedido, me presenteava com audições das velhas e românticas canções napolitanas. Sem contar que, também, cantava com belíssima maestria as canções e tangos portenhos.
 
Considero então, que meu berço musical, ao contrário do que hoje se oferecem aos jovens rebentos, foi de altíssima qualidade.
 
Os anos foram passando e eu, cada vez mais apaixonado pela música. Confesso que, na minha transição de menino para rapaz, tentei por algumas vezes entoar canções, compareci aos programas infantojuvenis de calouros, como o Clube Papai Noel do querido Homero Silva, ao Grêmio do Zezinho da antiga Rádio Cultura na Avenida São João. Inúteis tentativas, meu negócio era ouvir e me deleitar com as obras dos verdadeiros artistas.
 
Ídolos musicais sempre tive, entre eles: Enrico Caruso, Tito Schippa, Gino Becchi, Beniamino Gigli (de quem recebi inesquecível presente), Carlos Gardel, Libertad Lamarque, Hugo Del Carril, Bing Crosby, Frank Laine, Frank Sinatra...
 
Muitas linhas deveriam ser preenchidas com nomes de meus ídolos, e ainda nem sequer citei um só dos meus ídolos nacionais, que começavam com a voz de Vicente Celestino, passavam por Mario Reis, Francisco Alves, Orlando Silva, Sylvio Caldas, Carlos Galhardo, Nelson Gonçalves, Dalva de Oliveira, Wilma Bentivegna, Izaurinha Garcia, Elza Laranjeira, Angela Maria, Elis Regina (a maior de todas), Claudia e tantas outras.
 
Mas voltando ao ídolo que sugeriu este texto, nos anos 50 me tornei fã de um sanfoneiro que marcou para sempre um ritmo nordestino, o Baião e seus derivados: Luiz Gonzaga.
 
Fui seu fã incondicional e o acompanhei por diversos auditórios e teatros de Sampa, principalmente o auditório da Rádio Record, na Rua Quintino Bocaiuva.
 
Seu grande Show em São Paulo aconteceu num domingo, nas salas do Cine Odeon. Eu ali estava e levava comigo meu irmão e meus primos, Roberto e Sonia.
 
Tinha conseguido convites para todos e nos divertíamos muito, principalmente quando eram sorteados uma centena de prêmios aos presentes. Num dos sorteios, o número estava no convite que eu dera para minha prima Sonia, era uma Bicicleta Hercules.
 
Eu não tinha uma, até então, e tinha a certeza que dificilmente haveria de ganhar uma bicicleta. Não achei justo ela se apossar do prêmio que, se eu não lhe tivesse convidado, seria meu.
 
Essa bicicleta foi motivo de várias brigas e muitas surras, naquela casa da Rua Augusta, onde nós morávamos.
 
O show foi fantástico, a música foi contagiante, o Rei do Baião reforçou minha idolatria, mas no fundo, até hoje, sinto certa dor por não ter ganhado a tal bicicleta!
 
E-mail: misagaxa@terra.com.br
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Publicado em 18/08/2014

Miguel com esse seu texto voce me lembrou da minha bicicleta Monark que irei contar brevemente. Mas foi uma pena voce nao ter ficado com o premio mas como diz o ditado o que e dado nao e roubado . Imagino a tua decepcao ao vela com a bicicleta que teria que ser sua . Mas pelo menos como voce mesmo diz o show do seu idolo foi fantastico . Abracos e parabens pelo texto . Felix

Enviado por João Felix - jfvilanova@gmail.com
Publicado em 14/08/2014

Miguel eu também já passei por um acontecimento parecido com uma vizinha da qual participamos de um festa com nossos filhos e eu é que tinha os ingressos e dei a ela que foi a sorteada... Mas como nem eu e nem ela precisávamos do prêmio que na época era uma TV daquelas imensa...doamos para ser rifada na creche do nosso Bairro.

Enviado por Walquiria - walquiriarocha@yahoo.com.br
Publicado em 13/08/2014

Miguel, tem um ditado popular que diz: "Da-se as sementes mas, retem-se parte dos frutos". (essa é minha). Se vc propiciou o espetáculo a sua prima, ela deveria considerar que, pelo menos o guidon e o selin ela poderia levar. O resto era seu. Quando vc deu os convites, deveria ter comunicado a todos que, quaisquer dos prêmios que fossem sorteados, ele seria seu. Chammas, parabéns só pelo texto, pela "escorregadela", não.

Um forte abraço, Miguel.

Laruccia

Enviado por Modesto Laruccia - modesto.laruccia@hotmail.com
Publicado em 12/08/2014

Miguel, se você deu o ingresso à sua prima Sonia nada mais justo que ela ficasse com o prêmio, aliás será que você conseguiria subir a Rua Augusta pedalando? dolorosa interrogação, parabéns pelo "ciclístico" texto.

Enviado por Nelinho - lt.ltesser@hotmail.com
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