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Categoria - Nossos bairros, nossas vidas Onde está meu Tatuapé? Autor(a): José Camargo Beira - Conheça esse autor
História publicada em 10/07/2014
Meu Tatuapé sumiu.
 
Os campos de futebol da várzea da Rua Melo Peixoto, o campo do Paulistinha, onde disputei vários festivais, virou a Radial Leste e outros vários campos de futebol viraram bairro chique Anália Franco.
 
A capelinha onde eu tocava o sino sumiu da praça, o cine Leste das matinês aos domingos e seção das moças às quartas, virou um enorme espigão, o Grupo Escolar Visconde de Congonhas do Campo, onde aprendi a ler e escrever, ainda esta lá, mas escondido atrás de muros tão altos que mais parece uma prisão.
 
Procurei a sede do Cruzeirinho onde havia bailes memoráveis e muitos amores. Virou um enorme estacionamento. 
 
Meu Tatuapé sumiu.
 
Passei na Rua Tuiuti para ver o casarão onde cheguei com um mês de vida... Outro espigão. 
 
Prédios, prédios e mais prédios foi o que virou meu Tatuapé querido.
 
A caixa d’água com o galo da empresa de Maio e Gallo sumiu junto com a empresa.
 
Sumiu a famosa porteira e o sinal “din din din” da passagem de nível dos trens da Central do Brasil. Virou shopping e estações. 
 
Sumiu tudo que me lembra meus dias felizes da infância e juventude. 
 
Para onde foi meu Tatuapé?
 
Ficou parado na minha memória, pois eu saí a 40 anos do Tatuapé, mas aquele Tatuapé dos anos 50/60 jamais sairá de mim.
E-mail: josebeira@hotmail.com
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Publicado em 20/11/2014

Beira, vamos sentir orgulho do nosso Tatuapé de hoje, pois é o bairro que mais cresce verticalmente na cidade e o mais valorizado!

O nosso Tatuapé vai continuar a ser nosso, mesmo que não se compare ao Tatuapé das décadas de 50/60/70/80, quando tinhamos espaços para vivermos a vida.

O Tatuapé nunca sairá de nós. Parabéns pelas lembranças.

Enviado por Renato Ferro - renatodecastroferro@yahoo.com.br
Publicado em 18/07/2014

Pois é, Beira, nossos bairros vão continuar a existir... só na nossa memória. Os espigões que substituem os nossos espaços, ruas, praças e visuais no horizonte de nossa cidade. Parabéns, Camargo.

Modesto

Enviado por Modesto Laruccia - modesto.laruccia@hotmail.com
Publicado em 15/07/2014

José, felizmente Deus nos presenteou com a memória, atravéz dela voltamos ao passado, assim como um livro cujas páginas já lidas podem ser relidas, o seu Tatuapé está lá, a Rua Tuiuti onde meu avô trabalhou também, é o prêço do progresso caro amigo, parabéns pelo texto.

Enviado por Nelinho - lt.ltesser@hotmail.com
Publicado em 12/07/2014

Pois é José Beira, o "nosso" (me permita falar assim) Tatuapé está bem diferente dos bons anos 60/70, que pena não podermos mais rever todos os lugares por onde passamos nossa juventude, mas podemos guardá-lo na nossa mente e em nossos corações, o que você faz e depois descreve muito bem e nos leva de volta àqueles tempos. Eu me delicio com suas narrativas e me vejo de novo naquele Tatuapé tão querido.

Abraços...Maria Eugênia

Enviado por Maria Eugênia Clini - mariaclini@hotmail.com
Publicado em 11/07/2014

Beira:

Conheci, acho que conheci o Tatuapé, quando meu pai, pedreiro, acertou uma "empreita" na Tuiuti. Morei no Ipiranga, e a sequencia de minha infância e juventude, modestamente, é igual a sua.......Cadê meu Ipiranga?

Belo Texto.

Enviado por Luiz C. Peron - luizcperon@bol.com.br
Publicado em 10/07/2014

Beira, o que voce relata, está acontecendo em toda cidade, por isso é bom fotografar, relatar para a memória do bairro, parabéns,Estan.

Enviado por Estanislau Rybczynski - estan_tec@hotmail.com
Publicado em 10/07/2014

É isso mesmo, muito bem colocado: onde estão as mais belas vistas de muitos bairros que foram engolidos pelo progresso maldoso que só visa o lucro dos grandes empreendimentos imobiliários? Cai dia-a-dia o passado glorioso destes bairros em escombros para nada perpetuar na história. Fazem isto em muitas localidades, formam desertos onde a passagem de concreto suplanta a natureza exuberante, onde os rios somem mortos sob o asfalto para dar origem a grandes avenidas. Mataram o Tatuapé e tantos belos bairros paulistanos e as garras do poder chegaram agora em Santo Amaro e já começaram a destruição de nossa história, infelizmente! Fazem mil reuniões com a subprefeitura, chamam aqueles que lutam para preservar o mínimo necessário de “sociedade organizada”, mas nos iludem com mentiras todas as reuniões, somos uma voz que clama no deserto e nunca somos ouvidos, pois depois das reuniões e cafezinhos com bolachinhas vem o golpe do poder econômico dizendo que “entendemos mal, não é bem assim” e “tombam” nossa história através da mentira constante. Montaram conselhos, outra balela para manterem o controle sobre nós todos, falam de plano de bairro, mas quem realmente recebe os dividendos da cidade são os empreiteiros que só possuem um SENHOR a respeitar: O DINHEIRO, o grande deus do capitalista, onde tudo tem um preço, até compram o silêncio daqueles que tentam contê-los na destruição desenfreada! Uma nova ordem está sendo construída nos grandes centros urbanos e nela não cabe a simplicidade popular. Parabéns pelas observações.

Enviado por Carlos Fatorelli - cafatorelli@gmail.com
Publicado em 10/07/2014

Meu querido José, confesso que o conteúdo do seu texto me entristece, pois o meu maior medo é o meu Cambuci também desaparecer. E a alma da gente reclama, não aceita, nem quer pensar numa realidade assim. É difícil mesmo, concordo com você. Mas... o que podemos fazer? Nem tenho o que dizer. Um abraço, meu amigo.

Enviado por Vera Moratta - vmoratta@terra.com.br
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