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Categoria - Outras histórias Uma vida de luta e trabalho - Parte III Autor(a): Nelinho - Conheça esse autor
História publicada em 07/07/2014
Como já disse na narrativa anterior, comecei a trabalhar na firma “Despachos Iris Ltda.”. Essa firma ficava na Rua Líbero Badaró, nº 651. No mesmo prédio funcionava a “Rádio Bandeirantes” (que, pouco tempo depois, se mudaria para a Rua Paula Souza). 
 
Essa firma tinha o nome IRIS porque foi fundada pelos proprietários das Indústrias Reunidas Irmãos Spina Ltda., Srs. Paschoal Spina, Nicolino Spina e o Sr. André Amato, este último, irmão do Sr. Mário Amato que veio a ser presidente da Fiesp. 
 
Nessa firma tive oportunidade de crescer profissionalmente, mas antes, tive que passar pelo estágio de office-boy
 
Conheci a maioria das ruas e bairros de São Paulo, principalmente na região dos bairros da Luz, Brás e Belém. A empresa executava o serviço de desembaraço alfandegário para diversas firmas. Entre muitas, eu destaco as seguintes: “Del Guerra & Filho Ltda.” nas pessoas do Sr. Anibel Del Guerra e o Sr. Machado; “Ao Caçador”, onde quem me atendia era o Sr. Jorge Sracorsian; “Casa Bertucci”, na Rua Paula Souza, com o Sr. Dante; “J.Tucci & Cia. Ltda.”, onde o Sr. Julio Tucci me regalava com uma bela fatia de queijo provolone italiano e um saquinho de azeitonas pretas importadas da Grécia (uma delícia!); passava em frente à “Cantina Balila”, na Rua do Gasômetro; visitava o Sr. Arthur Navarrete na “Sociedade Comarca de Couros, Pelosi & Cia.”, na Rua da Alfândega nº 33, importador de rolhas de cortiça e findava a parte do Brás na “Casa Diana Paolucci”, que ficava na mesma Rua da “Pizzaria Castelões”.
 
Mais à frente, já praticamente no Belém, visitava a “Sokofer”, na Av. Celso Garcia, cuja direção era do Sr. Heitor. No centro, visitava a “Cia. Oscar Rudge de Papéis”, no Largo de São Francisco, onde quem me atendia era o Sr. Mário Amato; na “Sociedade de Óleos Brasil” com o Sr. Ítalo Ricci; na “Pintucci, Spadari & Cia. Ltda.”, com o Sr. Helio Luiz Spadari, Sr. Torquato Pintucci (essa firma depois passou a produzir os televisores da marca “Empire”); a “Casa Calfat”, que ficava na Rua Gal. Carneiro, com o Srs. Edgar e Azis Calfat (posteriormente, fecharam a loja e montaram a fábrica em Santo Amaro com o nome de “Textil Gabril Calfat Ltda.”).
 
Na Iris, após o retorno da rua tendo entregue toda a correspondência, eu ficava treinando datilografia na “Remington Rand”, de carro grande, e aprendendo o serviço interno com os colegas Rudovico Amaury Rodrigues, Arthur Eduardo Chiappetta, Helio Lopes Molina, Sergio Luiz Figliolini e o gerente, Sr. André Amato, aliás, eu guardo ainda um certo remorso por uma atitude pouco elegante para com o Sr. André, tudo causado pela minha inexperiência e imaturidade. Hoje, com certeza a coisa não se repetiria. 
 
Infelizmente nunca pude pedir desculpas a ele devido as circunstância de serviço que tomaram outros rumos e nos afastaram definitivamente. 
 
Aprendi muito com essas pessoas e a eles devo muito do meu sucesso profissional. Depois ainda vieram o José Luiz Fins, o Antonio Corrêia, o Delso Ferraz, a Dagmar, o José Duarte... Na filial de Santos funcionavam o Sr. Reinaldo Ribeiro, o Sidonio Rodrigues, o Roberto Gaspar Paulo e Silva, o Jair Manhani e o Abel Martins Filho.
 
Nessa firma, galguei a escada, saí de office-boy e cheguei a chefe do setor de exportação. Lá permaneci por 14 anos. Saí porque a firma acabou fechando. 
 
Depois da Líbero Badaró fomos para a Rua 3 de Dezembro, depois para o Largo São Bento e, finalmente, para a Rua do Tesouro. Lá ficou até o encerramento. 
 
Eu e meus colegas ficamos na “rua da amargura”. Recém casado e desempregado.
 
Aí, começa uma nova era que voltarei a contar no próximo capítulo.
E-mail: lt.ltesser@hotmail.com
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Publicado em 08/07/2014

Nelinho

Que memória fantástica a sua, por lembrar de tantos nomes que fez parte do início da sua carreira profissional. Dentre os muitos nomes citados, tem um que também fez parte do início da minha juventude. Com 15 anos de idade, trabalhava na Cia. Oscar Rudge de Papeis como auxiliar de escritório onde numa pequena mesa e sobre ela uma "Remington Rand" datilografava as cartas que o Dr. Edgar Caldas Barbosa (gerente da Cia. e casado com uma filha do Sr Oscar Rudge) enviava a clientes e fornecedores. Também cuidava de arquivo de documentos diversos. Ao meu lado, a menos de 4 metros, ficava a mesa do Sr Mário Amato, na época um dos vendedores da firma. Nelinho, sua história me fez relembrar com saudades esses momentos. Abraços - Capuano

Enviado por Roberto Capuano - robertocapuano@grafixdigital.com.br
Publicado em 08/07/2014

Caro Nelinho, belas lembranças de uma trajetória, feliz e sofrida, pelos meandros de uma São Paulo que já não existe, ou existe ainda físicamente, mas o espírito que sopra pelas esquinas das velhas ruas é totalmente outro, e bem menos ameno.

Um abraço.

Enviado por Luiz Simões Saidenberg - lssaidenberg@gmail.com
Publicado em 08/07/2014

Linda forma de se prestar homenagem àqueles que nos ajudaram a crescer na vida. Nelinho, você é único. Neste teu texto descobri que quase nos esbarramos muito antes da época de boemia, você trabalhando no prédio da Radio Bandeirantes na Libero Badaró e eu, frequentando o auditório dessa mesma rádio ou acompanhando meu pai nos goles de vinho na adega em frente ao prédio. Estava escrito, nos tínhamos de nos conhecer um dia. Graças ao SPMC isso aconteceu.

Enviado por Miguel S. G. Chammas - misagaxa@terra.com.br
Publicado em 07/07/2014

Com sua extraordinária memória, vc Nelinho nos presenteia com mais um capítulo de sua vida na formação de um carácter tão digno e correto como o seu. Nelinho, sua referência aos da família Tucci, primos de minha falecida cunhada, quero te informar que soube, recentemente o falecimento do irmão mais novo dos Tucci, o Ítalo. Quero crer que por ser o mais novo, os outros já devem ter falecidos todos. Minha cunhada, viúva de meu irmão Santo, faleceu com seus dois irmãos, Francisco e Arnaldo Tucci, todos com aizemer. Lembro das Industrias Reunidas Irmãos Spina Ltda, que ficava na rua Do Hipódromo. Pelosi, que ficava na rua que morei por muitos anos, rua da Alfandega. Gabriel Calfat, também de feliz recordação. Nelinho, sua capacidade de lembrar tantos nomes, lhe dá o trofeu de "Meglio Capo di tutti il mondo". Parabéns, Nelinha, continue sempre com o frescor da memória intocável.

Laruccia

Enviado por Modesto Laruccia - modesto.laruccia@hotmail.com
Publicado em 07/07/2014

Nelinho, tenho acompanhado sua narrativa, que desde o início tem sido muito interessante.

Enviado por Abilio Macêdo - abilio.macedo@bol.com.br
Publicado em 07/07/2014

A Gabriel Calfat era um empresa renomada do ramo têxtil e que empregava muitos operários em Santo Amaro. Hoje é um conjunto residencial sofisticado, pois a empresa faliu e muita gente teve que recorrer a justiça para prevalecer direitos trabalhistas. Parabéns por preservar a gama de nomes de suas relações laboriosas.

Enviado por Carlos Fatorelli - cafatorelli@gmail.com
Publicado em 07/07/2014

Nelinho, bela retrospectiva de sua vida profissional,em Santo Amaro conheci a Ind. Textil Cabriel Calfat, fechada há muitos anos, parabéns,Estan.

Enviado por Estanislau Rybczynski - estan_tec@hotmail.com
Publicado em 07/07/2014

eu também trabalhei muito na minha vida,

comecei com 15 anos,

Enviado por João Cláudio Capasso - jccapasso2@hotmail.com
Publicado em 07/07/2014

Nelinho, que belíssima história. Eu vou logo dizendo história de sucesso, pois você foi um grande batalhador. Gostei muito de ler tantos nomes italianos ano mesmo tempo. Quanto ao não poder pedir desculpas pela imaturidade, não tem jeito, Nelinho, a gente faz isso. Eu também já passei por isso e é mesmo desagradável. Mas a vida tem disso. Parabéns. Um abraço. Outra coisa: às vezes quero escrever sobre o Ipiranga, mas, perto de você, me sinto tão pouco...

Enviado por Vera Moratta - vmoratta@terra.com.br
Publicado em 07/07/2014

PARABÉNS NELINHO , MAS VOU ESPERAR O FINAL DESSA SUA BELA HISTORIA DE VIDA, PARA COMENTAR MAIS.

Enviado por Arthur Miranda (Tutu) - 27.miranda@gmail.com
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