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Categoria - Outras histórias Troféu Roquete Pinto Autor(a): Arthur Miranda (Tutu) - Conheça esse autor
História publicada em 10/07/2014
Domingo, dia 15/06, meu amigo e redator de humor para televisão Magalhães Jr. foi à Feira de Antiguidades do bairro do Bixiga e acabou encontrando um exemplar original do Troféu Roquete Pinto. 
 
Acabou comprando a estatueta de bronze maciço, que infelizmente (ou não) está desprovida da placa de identificação. Ou seja, ele não sabe a quem pertenceu o troféu. 
 
Criado em 1950, inicialmente destinado aos destaques das rádios de São Paulo, é a mais antiga premiação da televisão brasileira, passando a ser entregue a partir de 1952. A premiação teve ao todo 26 edições.
 
A primeira entrega do prêmio aos profissionais de televisão ocorreu no dia 16 de dezembro de 1952, sob organização da ACRESP (Associação dos Cronistas Radiofônicos do Estado de São Paulo). Todos os premiados eram ligados à TV Tupi, até então a única emissora de São Paulo. 
Foram eles: Dionísio Azevedo (Melhor Produtor de TV), Cassiano Gabus Mendes (Melhor Diretor de TV), Lima Duarte (Melhor Ator), Lia de Aguiar (Melhor Atriz), Walter Stuart (Prêmio Especial), Francisco Alves (Prêmio Saudade) e Edgar Roquete-Pinto (Menção Honrosa).
 
A entrega do prêmio passou a ser exibida ao vivo pela TV Record e TV Paulista. Em 1960, foi instituída a “Galeria de Ouro” do Troféu Roquete Pinto, destinada aos profissionais que obtivessem seis premiações, incluindo rádio e televisão. Ao entrar na “Galeria”, o profissional não poderia mais concorrer nos anos seguintes, sendo considerado hours concours. Entretanto, esta regra foi extinta em 1967.
 
Em 1968, o Ministério da Educação e Cultura também criou um “Prêmio Roquete Pinto", destinado aos melhores roteiros cinematográficos do Brasil. O valor inicial do prêmio correspondia a cinco mil cruzeiros novos (NCr$5.000,00).
 
Em 1971, a TV Record decidiu suspender a premiação, voltando a realizá-la somente em 1978. Desta vez, além da rádio e da televisão, o prêmio passou a ser entregue também aos profissionais da indústria, da publicidade e da educação. A última edição do Troféu Roquete Pinto foi realizada no ano de 1982.
 
Esse troféu que foi por muitos anos aguardados, festejados e cobiçados pela maioria dos profissionais de radio e televisão, com o passar dos anos tornou-se “carne de vaca”, e, à medida que a antiga Televisão Record deixou de ser a emissora líder de audiência, como acontece com todo troféu e premiação dada aos melhores profissionais do ano, foi aos poucos caindo no esquecimento, até do próprio premiado ou contemplado. 
 
Muitos dos grandes artistas que foram homenageados com esses prêmios, anos depois, viveram esquecidos e alguns até morreram na miséria ou mesmo abandonados. 
 
Na realidade, seus ganhadores é que deveriam estar para sempre, com muito destaque no coração do povo brasileiro, ou, pelo menos, lembrados para sempre em um espaço especial nos lugares onde eles trabalharam e deram seus talentos e seus dons a serviço do Ibope e do faturamento comercial da mesma, pois, quando uma emissora quer acabar com um programa, ela bota todo o elenco “na rua” sem se importar se o mesmo tem troféu ou não. 
 
Vai ver que esse Roquete Pinto, sem dono, hoje em poder do meu amigo Magalhães Jr, pertenceu a alguém que foi posto “na rua” por alguma emissora que ele tenha trabalhado por muitos e muitos anos... E olha, eu conheço um monte de gente que passou por isso, nesse nosso Brasil sem memória. 
 
Acho que a grande relíquia mesmo será sempre o ganhador e não o Troféu, pois o mesmo não vive, não tem família, não come, não sente fome nem solidão e nem valeria nada se não fosse valorizado pelos méritos do seu ganhador.
 
Acho que todo o troféu de premiação de celebridades deveria ser de ouro maciço, assim ,quando o tempo e o sucesso passar e a idade chegar, ele e seus familiares poderão vendê-lo por um bom preço, e, com isso, não passar fome.
 
Quanto a mim, agradeço a Deus por ter deixado a televisão, bem antes que a mesma me deixasse.
 
Prezado Magalhães, cuide desse antigo e precioso troféu, coloque o mesmo em um local de destaque, e mande gravar, no espaço em branco do destinatário o seguinte texto: 
 
“Troféu Roquete Pinto do Sofrido e Esquecido Artista Brasileiro”.
E-mail: 27.miranda@gmail.com
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Publicado em 15/07/2014

Arthur, acho muito triste um profissional ter que se desfazer de um ´troféu ao qual fez jus pelo seu trabalho, infelizmente muitos de seus colegas da época devem ter sofrido do mesmo mal, mas o ouvinte ou o telespectador sempre atento com certeza jamais esquece seus ídolos, parabéns pelo texto.

Enviado por Nelinho - lt.ltesser@hotmail.com
Publicado em 14/07/2014

Tutu, lembro bem deste troféu, era uma festa de vulto quando anunciavam os vencedores e as entregas. Essa recordação, que só poderia vir de sua privilegiada memória, premiava os talentosos, os que brilhavam em sua popularidade, era uma atração pra quem se dedicava a aplaudi-los. Como tudo que brilha, manda seu recado na esteira de sua duração: "não sou eterno, aproveite-me, e emocione-se comigo".

Narrativa de nobre intenção, está muito bem redigida, Arthur, parabéns e um forte abraço.

Laruccia

Enviado por Modesto Laruccia - modesto.laruccia@hotmail.com
Publicado em 14/07/2014

Lembro que na época a entrega desse troféu era com toda a pompa, muitas vezes o mestre de cerimonias era o indefectível Blota Junior e sua perfeita dicção e simpatia. Triste ver que um troféu desses foi parar numa feira de relíquias esquecidas, já sem identidade. Troféu que leva o nome de um grande homem de nosso país: Edgard Roquete Pinto, médico, professor, antropólogo, etnólogo e ensaísta, Pai da Radiodifusão no Brasil. Muito oportuno e preciso seu texto, parabéns.

Enviado por Alfred Delatti - apdelatti@ig.com.br
Publicado em 10/07/2014

Arthur, mais uma linda homenagem a muitos esquecidos artistase, voce citou o Magalhães Jr, conheço o trabalho dele no programa da rádio Bandeirantes, -Voce é curioso? aos Sabados as 10h00 da manhã, parabéns,Estan.

Enviado por Estanislau Rybczynski - estan_tec@hotmail.com
Publicado em 10/07/2014

Este prêmio focava realmente os talentosos da época e era esperada a transmissão para se conhecerem os melhores no meio artístico à época.Hoje cada TV faz o seu show premiando os pares entre si. Parabéns pela crônica.

Enviado por Carlos Fatorelli - cafatorelli@gmail.com
Publicado em 10/07/2014

Arthur, escrever sobre uma relíquia desse porte é muito difícil, mas você conseguiu fazê-lo de forma exemplar. Imagino a emoção de encontrar um troféu assim, bem na feira do Bixiga... eu iria ao delírio. Parabéns. Um abraço.

Enviado por Vera Moratta - vmoratta@terra.com.br
Publicado em 10/07/2014

Arthur, meu padrinho de casamento, Paulo Sérgio Patusca, recebeu um Roquete Pinto quando trabalhava na Radio Bandeirantes e fazia a sonoplastia de um programa policial (me foge agora o nome do programa...). Como você afirmou, de repente o profissional era demitido, assim, sem mais nem menos, o que acabou acontecendo com o Paulo... Certa vez êle me disse que a estatueta tinha desaparecido de sua casa durante uma reforma...

Quem sabe o troféu não seja aquele do Paulo Gordo, heim?; aliás faz um montão de anos que eu não o vejo, nem sei se está vivo...

Abraço do Ignacio

Enviado por Joaquim Ignácio de Souza Netto - joaquim.ignacio@bol.com.br
Publicado em 10/07/2014

infelizmente o brasileiro e um povo sem memoria.

e por isso que os políticos se aproveita da situação.

Enviado por João Cláudio Capasso - jccapasso2@hotmail.com
Publicado em 10/07/2014

Lindo e emocionante texto Tutu. Concordo com você em todas as virgulas e pontos dessa crônica. Além de muitos premiados e das festas da entrega do troféu, me lembro dos apresentadores oficiais dessa homenagem, Blota Junior e Sonia Ribeiro,o casal mais eclético da TV Paulistana.

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Enviado por Miguel S. G. Chammas - misagaxa@terra.com.br
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