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Categoria - Outras histórias Saudades das Copas do Mundo III Autor(a): João Felix - Conheça esse autor
História publicada em 27/06/2014
Continuando com o nosso reinado chega à copa do Chile, outra vez bem representados e defendendo nosso titulo de 58. 
 
 
Chile 1962
 
O técnico escolhido foi o Aimoré Moreira, pois o Feola tinha sido acometido por problemas cardíacos. O Dr. Paulo Machado de Carvalho foi outra vez escolhido como chefe da delegação.
 
E continuou o mesmo sistema de 1958 com 16 seleções, e o Brasil.
 
Foi sorteado no grupo três, que não era fácil, jogando contra a Tchecoslováquia, México e Espanha, e foi contra a Espanha que o Nilton Santos fez aquele pênalti que o juiz não viu quando o Nilton espertamente deu um passo à frente e ficou quase em cima da linha da grande área. 
 
O jogo estava 0x0 e seria bem provável que o resultado fosse outro se o juiz tivesse assinalado o pênalti, mas ele estava muito longe do lance, e deu no que deu.
 
No primeiro jogo passamos pelo México: 2x0. 
 
Em seguida jogamos contra Tchecoslováquia e ainda no primeiro tempo o Pelé, nosso coringa, se contundiu e como naquele tempo não eram permitidas substituições ele ficou no jogo só para fazer número. Esse jogo terminou 0x0. 
 
Para o Brasil a contusão do Pelé era uma perda irreparável. “Era o que todos nos pensávamos”.
 
Mas como Deus sempre foi brasileiro ele deslumbrou o Amarildo, seu reserva, e iluminou ainda mais o Garrincha. Naquele jogo contra a Espanha (o do pênalti não apontado pelo arbitro), a Espanha fez 1x0 no primeiro tempo e ainda anularam outro gol de Puskas que jogava pela Espanha. Quem perdesse estaria eliminado. O Brasil ainda conseguiu empatar com um gol de cabeça de Amarildo já na metade do segundo tempo. E o Garrincha, quase no fim, se não me engano nos últimos minutos, passou por uma série de espanhóis, centrou na área e o Amarildo fez seu segundo de cabeça classificando o Brasil para a próxima fase, embora não tendo apresentado o futebol que todo o mundo esperava talvez pela contusão do Pelé.
 
Nas quartas de final jogamos e ganhamos da Inglaterra por 3x1 com dois gols do Garrincha e um do Amarildo. Lembro que no meio do jogo apareceu um cachorro preto que driblou ate o Garrincha, que tentou agarrá-lo para que o jogo continuasse, mas sem sucesso. Ainda depois disso apareceu outro cachorro que saiu sem dar maiores problemas.
 
Aí, fomos à semifinal jogar contra o dono da casa, o Chile. Ganhamos de 4x2, mas, com o nosso melhor jogador, o Garrincha, sendo expulso no segundo tempo e ainda por cima quando saía levou uma pedrada na cabeça atirada por um torcedor chileno.
 
Aliás, eu sou um colecionador de tudo sobre copas. 
 
Tenho 99% de todos os jogos do Brasil depois de 58 que estavam em VHS , e agora todos em DVD . De vez em quando mato as saudades vendo os jogos antigos, principalmente em épocas como estas de copa do mundo.
 
Na final voltamos a jogar com a Tchecoslováquia. 
 
Na primeira fase havíamos empatado sem gols. O Garrincha, que tinha sido expulso, foi absolvido no julgamento no tribunal esportivo da FIFA (ainda bem).
 
Logo no inicio do jogo eles abriram o marcador, mas o placar final foi 3x1. De virada o Amarildo empatou ainda no primeiro tempo e o Zito e o Vavá completaram o marcador e Mauro, que era o beque titular do São Paulo, imitou o gesto do Belini levantando a taça mais uma vez como que agradecendo a Deus pelo titulo suado de Campeão Mundial de 1962.
 
A nossa festa outra vez começou na Caetano Pinto com quase os mesmos amigos da copa de 58: o Careca, o Bolão, o Aquilino, o Gibino, o Rubico... Só que desta vez fomos com o meu carro. 
 
Adaptei um mastro na sapata do pára-choque do Chevrolet 51 e nossa bandeira enorme tremulava nesse mastro. 
 
Na época eu tinha instalado uma buzina a ar comprimido, com quatro cornetas que me davam quatro notas e com elas tocava algumas musicas como parabéns, mustafá, marcha nupcial e principalmente muito barulho. E saímos pelas ruas da cidade de São Paulo. 
 
E como em 58 nossa primeira passagem foi na Avenida Cásper Líbero, que estava repleta de torcedores festejando a nossa vitória, e que abriram para a nossa passagem barulhenta tocando o parabéns ao Brasil, fizemos tudo o que tínhamos direito, pois, naquele momento valia tudo (sem muitos exageros, logicamente), e até os policiais eram complacentes com nossa festa. 
 
Entramos pela Rua Direita que era usada só pelos pedestres. Sempre com os aplausos de todos e os vivas aos campeões mundiais. Festejamos até alta madrugada. 
 
Essa foi para mim a ultima Copa que tive o prazer de acompanhar no Brasil, pois deixei o Brasil em 1965, mas nunca deixei de seguir torcendo e festejando todas as copas, mesmo tão distante, mas sempre com a mente voltada a meus amigos que deixei em São Paulo e no Brasil.
 
 
Inglaterra 1966
 
Esta foi a Copa classificada como escandalosa, pelas coisas estranhas que aconteceram durante seu desenrolar. Até a Copa Jules Rimet chegou a ser roubada de uma exposição comemorativa, pouco antes do mundial, e nem a Scotland Yard, apesar dos esforços, conseguiu encontrá-la. 
 
Quem acabou encontrando a copa foi um cachorrinho que passeava com seu dono no meio de um lixão (sem querer ser sarcástico eles pelo menos encontram, e nós estamos procurando ate hoje pela mesma taça que talvez um cachorrão tenha surrupiado). Com a morte do Jules Rimet, em 1956, e depois da eleição de uns dois presidentes, acabou sendo eleito um inglês o Sr. Stanley Rous como presidente da FIFA e ele se empenhou a fundo para que a Inglaterra ganhasse a indicação, como acabou acontecendo.
 
Para mim não foi fácil acompanhá-la, pois tinha deixado o Brasil, e sentia a falta da família, dos amigos, porque tínhamos o costume de sempre em grupos acompanhar os jogos. 
 
Mas com meu pensamento sempre voltado a eles consegui acompanhar alguma coisa, pois tinha deixado o Brasil um ano antes. Mesmo assim consegui assistir pela televisão o único jogo que a NBC transmitiu que foi a final no estádio de Wembley.
 
O Brasil que tentava o Tri, e a volta do Vicente Feola como técnico da canarinho, acredito, não foi uma boa, pelos problemas sérios de saúde que ele enfrentava. E ele com o bonachão que era acabou sofrendo pressões de clubes e interessados que queriam ver seus apadrinhados convocados, e assim chegamos à Europa, com boa parte de jogadores de 58/ 62, mas que já não tinham as mesmas condições físicas e técnicas para desempenhar um bom papel.
 
E nosso time foi cassado em campo com a conivência dos juízes que apitaram seus jogos, e a desorganização do nosso grupo foi total. Nem passamos das oitavas.
 
Fomos derrotados pela Hungria e Portugal e só ganhamos da Bulgária. Foi uma das piores participações do selecionado em copas. 
 
No jogo contra os patrícios, o Pelé foi cassado em campo e o juiz inglês só olhava os portugueses descer o sarrafo como dizendo: “dá mais!”. No fim, já sem condições, acabou ficando em campo. A Argentina foi muito prejudicada pela arbitragem e teve o Ratin que era o melhor jogador dos “hermanos” expulso, porque reclamou do jogo violento que eles estavam praticando.
 
Para finalizar, depois do tempo regulamentar terminar 2x2, na prorrogação, o juiz validou um gol que tinha batido no travessão e bateu no solo, voltando para o campo, e com isso eles se sagraram campeões pela primeira e única vez. Por isso a chamavam de “Copa Escandalosa”. Portugal foi eliminado pelos ingleses na semifinal por 2x1 e conseguiu depois o terceiro lugar derrotando a URSS por 2x1.
 
Para nós, que morávamos em Nova Jersey, com a colônia portuguesa numerosa, não foi fácil aguentar a torcida deles durante mais de um mês, porque no mês de Agosto o Benfica, que tinha seis titulares da seleção e mais três reservas atuando no seu time, Eusébio incluído, veio para Nova York jogar uma partida com o Santos (que se tivesse representado o Brasil naquela Copa tinha feito melhor papel). 
 
Era aquele Santos do Pelé e companhia com o Lula como treinador. Estivemos em um grupo de amigos visitando os jogadores no hotel ao lado da Times Square (com direito a fotos com Pelé, Gilmar, Zito, Mengalvio, etc). O jogo foi realizado no Downing Stadiun sem alambrado e a segurança dos atletas era feito por meia dúzia de policiais. 
 
O Santos goleou o Benfica por 4x0, fora o baile com o Pelé comandando a orquestra.
 
 Lembro que depois do show, já nos minutos finais, o Pelé, numa jogada perto do túnel que dava acesso aos vestiários, correu e abandonou o jogo, pois todos sabiam o que iria acontecer quando o juiz apitasse o fim da partida. 
 
Aquele jogo foi, para nós brasileiros, um alívio, pois os portugueses de Nova Jersey tinham ficado os donos do mundo depois daquela copa. E eles só chegaram às semifinais e ficaram em terceiro. Imaginem se tivessem sido campeões!
 
No próximo capítulo, 1970, no México.
E-mail: jfvilanova@gmail.com
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Publicado em 31/08/2014

Caro Sr. João Félix,

As suas afirmações e descrições sobre a Copa de 1966 ganha na "latinha"(no apito) pela a Inglaterra são corretas.

A FIFA em si já apresentou esses sintomas há muito tempo, como em 1938 com nada mais nada menos de Jules Rimet como Presidente.

A entidade "máxima" se rendeu a Mussolini, quando "El Duce" forçou a desqualificação de Niginho(Leonídio Fontoni) do único centro-avante reserva de Leonidas da Silva então machucado no jogo contra a Itália.

Niginho jogou pelo Lazio com os outros 2 irmãos Fontoni, e quando começaram os primeiros esboços da II Grande Guerra Mundial voltou para o Brasil.

Desde de quando a FIFA tem que punir um jogador com o que sucedeu? O Niginho era Brasileiro "oriundo" de Italianos.

A Itália com essa história de "oriundi"(plural de oriundo em Italiano) ganhou a Copa de 1934 com 5 Argentinos(entre eles Luiz Monti que disputou a Copa de 1930 pela a Argentina na final contra o Uruguai) e 1 Brasileiro,Filó(Anfilóquio Guarisi Marques) ex jogador do S C Corinthians Paulista.

Com Stanley Rous na Presidência da FIFA em 1966 não seria diferente.

Caro Sr. João Félix o jogo Santos 4 x Benfica 0, foi no dia 21 de Agosto de 1966, e eu assisti no jornal do cinema em Lake Forest, Illinois, nos EUA.

Voltando para Highwood Illinois cidade próxima, onde eu morava com uma população de 5 mil habitantes e 80% Italianos, combinamos 3 pessoas e eu de ir até New York ver no dia 5-9-1966 Santos x Inter de Milão no Yankee Stadium.

Dois dos Italianos não vieram, mas meu amigo e eu fizemos quase 3.000 km(ida e volta) para ver Santos 4 x Inter de Milão 1, e como sempre Pelé comandou o espetáculo sobre a equipe do "El Mago" Helenio Herrera.

Eu conheço muito bem a área de Newark NJ onde naquela época tinha uma grande população concentrada na chamada "Ironbound Section" de Newark. Estive muitas vezes nos anos 80s nos ótimos restaurantes desta região e inclusive no "Rio Lima".

Eu compreendo a pressão e a "gozação" que o Portugueses locais poderiam ter feito naquela época.

Abraços de Juprelle Na Bélgica,

Ademar

Enviado por AZLerose - mchale326@hotmail.com
Publicado em 31/08/2014

Caro João Félix,

Como é de praxe a sua descrição sobre a Copa de 1962 é ótima.

Garrincha foi a peça chave da conquista do mundial assim como os outros titulares em especial as atuações de Amarildo no lugar de Pelé.

Ótima a sua descrição da "malandragem futebolística" do Nilton Santos quando da "falta penal", quando o Brasil não se encontrava em campo contra a Espanha. Naquele jogo Ferenc Puskás jogando pela Espanha estava abrindo uma "Avenida Getúlio Vargas" na defesa do Brasil.

O Amararildo não sentiu o "peso da amarelinhaa", e com os outros 4 jogadores do Botafogo de Futebol e Regatas na equipe facilitou ainda mais a seu(dele)entrosamento.

O comentário sobre a Copa de 1966 segue logo após.

Abraços de Juprelle na Bélgica,

Ademar

Enviado por AZLerose - mchale326@hotmail.com
Publicado em 01/07/2014

Em 1966 o Brasil "descobriu" que precisava se renovar para não perder a hegemonia futebolística e nós torcíamos por jogadores que defendiam os clubes brasileiros; hoje é uma legião de "estrangeiros" que defendem os $ que são oferecidos pelo poder econômico da FIFA!

Enviado por Carlos Fatorelli - cafatorelli@gmail.com
Publicado em 01/07/2014

João, como eu gosto dos seus textos. Escrita sempre envolvente. Quando você citou o Aimoré Moreira eu me lembrei da minha infância: eu achava esse nome ótimo, interessante e divertido. Tudo ao mesmo tempo. Parabéns e um grande abraço.

Enviado por Vera Moratta - vmoratta@terra.com.br
Publicado em 28/06/2014

João, todas as copas tem uma história, rememorando 1962 lembro que o juiz do jogo Brasilx|Espanha não deu o penalti escandaloso do Nilton Santos, o bandeirinha foi o Sr. Esteban Marino que depois foi contratado para apitar jogos no campeonato paulista, anularam 1 gol legítimo da Espanha após o penalti e, na final, o jogador Garrincha não poderia jogar pois havia sido expulso na partida anterior mas, estranhamenteo juiz da partida deixou o país na mesma noite e "esqueceu" de entregar o relatório do jogo ao comité disciplinar, parabéns pelo seu texto.

Enviado por Nelinho - lt.ltesser@hotmail.com
Publicado em 27/06/2014

João, lendo o almanaque Felix, lembrei que em 1962 comecei a entender ou acompanhar futebol profissional, ano que me batizei corinthiano e lembrei um pouco dessa copa, ouviamos no radio com muito chiado. Uns dias atrás, assisti numa TV por cabo a copa de 1958, foi muito interesante, abraços

Estan.

Enviado por Estanislau Rybczynski - estan_tec@hotmail.com
Publicado em 27/06/2014

Meu caro irmão João. Antes de mais nada, quero agradecer a vc pelo seu empenho em nos dar conhecimento de minúcias das copas anteriores, com muita clareza e atenção. Lembro de todas elas mas, não com tantos detalhes, e vc, morando tão distante lembra de tudo com bastante precisão. Esse empenho merece o reconhecimento de todos os colaboradores do SPMC, esperamos as próximas com muita ansiedade. Parabéns, Felix.

Laruccia

Enviado por Modesto Laruccia - modesto.laruccia@hotmail.com
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