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Categoria - Personagens Ah... Então a gente está namorando? Autor(a): Marcos Aurélio Loureiro - Conheça esse autor
História publicada em 26/06/2014
Corria o final do ano de 1963, eu tinha então quase quatorze anos. Ali na antiga Av. Cabuçu, hoje Marechal Eurico Gaspar Dutra, na minha querida Parada Inglesa, no salão, ao lado da Capelinha de São José, perto de onde antes ficava o Grupo Escolar Frei Antônio Santana Galvão, todo domingo à tarde havia sessões do cineminha. Um cineminha mesmo, de bairro, onde durante uma hora e meia, mais ou menos, passavam filmes de seriados e desenhos e outros que tais.
 
Nesta época, meu irmão mais velho namorava uma moça que tinha uma irmã mais nova, de mais ou menos uns onze anos que era amiguinha de uma mocinha dos seus treze anos também, chamada Orlanda (nós a tratávamos de Landa). 
 
Muito bem, em um belo domingo de outubro eu cheguei no cineminha e encontrei as duas. Do lado da Landa havia uma cadeira vazia onde eu sentei e comecei a conversar com elas. Iniciada a sessão, nós nos calamos e passamos assistir o que se apresentava, e, eu juro que sem saber bem por que, pus o meu braço direito por sobre os ombros da Landa e ali o deixei por toda a sessão. 
 
Quando acabou o cineminha, a gente se levantou e eu voltei a por meu braço sobre os ombros da Landa e fomos andando. Ainda que morasse em direção diversa da delas, eu fui andando em direção a casa das duas, sempre com o braço por sobre os ombros da Landa. Falávamos sobre um monte de coisas, menos sobre aquele braço nos ombros dela. 
 
Quando a gente estava chegando perto da rua da casa dela, que naquele tempo chamava-se Rua Nova Zelândia (hoje se chama Cap. Sérvio Rodrigues Calda), a Landa disse: “Bom agora você tira o braço daí, que eu não quero que meu irmão saiba que a gente está namorando.” O que eu fiz incontinente, e fomos andando um do lado do outro (mas a Hilda junto). 
 
A Hilda era a cunhadinha do meu irmão. Quando a gente chegou perto da casa dela, ela me disse: “Bom, agora é melhor você voltar daqui. Tá bom. Domingo que vem a gente se encontra lá na entrada do cineminha mas, se der, durante a semana passa por aqui só pra eu te ver um pouquinho.”
 
Respondi que estava tudo bem que se desse eu passaria perto da casa dela mas que,  de qualquer forma, a gente se encontraria domingo seguinte no cineminha. E voltei para casa. Só no caminho de casa é que caiu a ficha e eu pensei: “Ah... Então a gente está namorando.”
 
Foi assim que eu tive a minha primeira namorada. 
 
Um namoro ingênuo e bonito que durou quase um ano e que o máximo que rolou foi passeios de mãos dadas ou beijos no rosto, e olhe lá! Na boca, nem pensar.
 
Acabou porque eu comecei achar que namorar dava muito trabalho, afinal, muitas vezes eu queria ir jogar bola e não podia, queria ir jogar taco e não podia, queria ir na quermesse sozinho e não podia porque ou ela queria ir junto, mas não podia ficar junto de mim ou porque o pai dela não deixava que ela fosse e ela não queria que eu fosse sozinho.
 
Muitas vezes tive de sair correndo para que os parentes dela não nos visse juntos! Mas que diabo é isso? Sou homem ou um saco de batatas que tem de fugir dos outros? De repente eu comecei achar que mulher era um bicho muito complicado, não gosta de jogar bola, de jogar taco, se vai não pode ficar junto, mas se não vai eu também não posso ir, namora comigo, mas ninguém pode saber... Ih... Isso de namorar dá muito trabalho. E assim acabou, mas ficou para sempre na minha lembrança.
 
Hoje nós dois somos grandes amigos e sempre que nos encontramos damos muitas risadas lembrando que essa coisa de namorar dá muito trabalho mesmo.
E-mail: marcoslur_ti@yahoo.com.br
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Publicado em 06/07/2014

Marcos, este era um tempo feliz, sem maldade , havia muita pureza

em nossos atos, e repeito as famílias.Tive a felicidade também de ter

namoricos assim como o seu, que breve contarei ao São Paulo Minha cidade

Parabéns pelo seu texto

Flávio Cândido

Enviado por Flavio Candido - solacrepe@gmail.com
Publicado em 02/07/2014

Marcos mande e-mail ou peça para a Landa ler este gesto de amizade tão lindo que voce dedica a ela por tantos anos...Eu também tenho uma amiga de adolescêcia e outra que foi minha vizinha logo que casei das quais eu reservo o mesmo sentimento de amizade.Ficamos anos sem nos ver ou falar mas ambas sabemos que quando uma precisar da outra a gente atravessa o mundo para se ajudar...

Enviado por Walquiria - walquiriarocha@yahoo.com.br
Publicado em 30/06/2014

É verdade Loureiro namorar da muito trabalho, mas esse trabalho será compensado, se esse n-amor-o, tiver muito amor no meio e então a gente casar, e tentar ser feliz para sempre. Parabéns pela romântica e inocente historia.

Enviado por Arthur Miranda (Tutu) - 27.miranda@gmail.com
Publicado em 27/06/2014

Marcos, que belas lembranças o seu texto me traz! namoradinhas eventuais nas matinés de domingo no Cine Paroquial aquí no Ipiranga, parabéns pela história.

Enviado por Nelinho - lt.ltesser@hotmail.com
Publicado em 27/06/2014

Linda história de primeiro amor. Adorei saber que vcs ainda se conhecem. Parabéns, Marcos.

Modesto

Enviado por Modesto Laruccia - modesto.laruccia@hotmail.com
Publicado em 27/06/2014

Só para completar minha história, quero dizer que a Landa é hoje uma das pessoas que mais amo na vida. Daquelas amigas que, se precisar de alguém, sei que com ela posso contar. E nada tem a ver com homem e mulher não, é amizade mesmo, de quase 50 anos e se ela precisar de mim, vou de joelhos até a China, para ajudá-la..

Enviado por Marcos Aurélio Loureiro - marcoslur_ti@yahoo.com.br
Publicado em 27/06/2014

Marcolino, texto memorial com gosto da inocência que campeava nossas juventudes. Valeu meu caro amigo!

Enviado por Miguel S. G. Chammas - misagaxa@terra.com.br
Publicado em 26/06/2014

Marcos Aurélio, interessante sua história, típica daquela época quando a ingenuidade e o respeito prevalecia, veja que foi tão bom pra você ter vivido isso que perpetuou sua amizade. Parabéns!

Maria Eugênia.

Enviado por Maria Eugênia Clini - mariaclini@hotmail.com
Publicado em 26/06/2014

Que bom que ficaram amigos.

Tempinho bom, onde namorico não passava além da conta.

Abraço

Enviado por Benedita Alves dos Anjos - dosanjos81@gmail.com
Publicado em 26/06/2014

Muito legal, maninho. Foi ótimo ler esse texto, principalmente ao saber que continuaram sendo grandes amigos. Adorei. Um abraço.

Enviado por Vera Moratta - vmoratta@terra.com.br
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