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Categoria - Outras histórias O problema de um pode ser o problema de todos! Autor(a): Hilton Takahashi - Conheça esse autor
História publicada em 10/06/2014
Esopo foi um fabulista grego, nascido na Trácia (região da Ásia Menor), do século VI antes de Cristo. Um personagem quase mítico, sabe-se que foi um escravo libertado pelo seu último senhor, o filósofo Janto (Xanto).
 
Considerado o maior representante do estilo literário no gênero das Fábulas, possuía o dom da palavra e a habilidade de contar histórias curtas retratando animais e a natureza e que invariavelmente terminavam com tiradas morais. As suas fábulas inspiraram Jean de La Fontaine e foram objeto de milhares de citações através da história (Heródoto,Aristófanes, Platão, além de diversos filósofos e autores gregos). A Raposa e as Uvas é um exemplo dos mais conhecidos entre as centenas das que produziu. É impressionante como suas milenares fábulas se ajustam perfeitamente às nossas ações e condutas em pleno século XXI, quando atingimos avanços tecnológicos inimagináveis.
 
Todos estão cientes do mal resolvido problema da dengue, da escassez de água e também do alto custo da energia elétrica – estamos recorrendo às dispendiosas usinas termoelétricas em razão do baixo nível nos reservatórios das usinas hidroelétricas. Bem, a corrupção é endêmica e se questionado, nosso bom Deus diria que vai ter um fim, mas não na sua gestão.
 
Resido na região da Avenida do Cursino, bairro da Saúde, em seu ponto mais elevado o que me permite visualizar alguns quarteirões. Diversas vezes, avistei caixas de água – de PVC, polietileno e de concreto – destampadas ou parcialmente descobertas. Imóveis com enormes recipientes e tambores acumulando água da chuva. Adicione-se a esta mazela urbana, muitas luminárias públicas permanentemente acesas, talvez devido ao mau funcionamento de um simples relé fotoelétrico.
 
Pensando globalmente e agindo localmente fico em paz com minha velha consciência. Pela minha janela, consigo localizar as ruas dos tais fatos. Recorrendo ao Google Maps ou ao Guia de Ruas, tenho condições de solicitar aos órgãos competentes, as inerentes soluções em pró da coletividade. Todas as demandas que formalizei foram solucionadas a contento.
 
Quase todo dia, presencio também moradores "empurrando" com mangueiras de água o lixo em direção ao meio-fio ou lavando seus veículos nas calçadas. Aos conhecidos até tenho a liberdade de dirigir algumas brincadeiras em tom sério. Parafraseando a personagem televisiva, um deles me disse, também brincando: “Tô pagando!” E fica o dito pelo não dito; a vida passa e o sol nascerá.
 
Ontem, ao aconselhar um "vizinho acumulador" para que realizasse urgentemente uma faxina geral em seu quintal repleto de vasos, latas, pneus e garrafas, escutei a equivocada alegação de que o aedes aegypti não atingirá seus familiares porque "espertamente", irá providenciar telas nas portas e janelas. Segundo o míope pensamento do mesmo, aedes aegypti nos olhos dos outros é refresco! Por isso, tolamente, pensei nesta surrada fábula que cabe como uma luva na presente comédia que poderá se transformar em drama. Hoje bem cedo, enviei-lhe via e-mail este sábio ensinamento de Esopo:
 
 
 
 
A ratoeira
 
Um rato, olhando pelo buraco na parede, avista o fazendeiro e sua esposa abrindo um pacote. Pensou logo no tipo de comida que poderia haver ali. Ao descobrir que se tratava de uma ratoeira, ficou aterrorizado. Correu ao pátio da fazenda, advertindo a todos: 
– Há uma ratoeira na casa, uma ratoeira na casa!
 
A galinha disse:
– Desculpe-me Sr. rato, eu entendo que isso seja um enorme problema para você; mas não me prejudica em nada, não me incomoda.
 
O rato dirigiu-se ao porco e lhe disse:
– Há uma ratoeira na casa, uma ratoeira!
 
Respondeu o porco:
– Desculpe-me, mas não há nada que eu possa fazer pelo senhor, a não ser rezar. Fique tranquilo que você será lembrado em minhas preces.
 
O rato então dirigiu-se à vaca que disse:
– O que, Sr. rato? Uma ratoeira? Por acaso corro perigo? Acho que não!
 
Então o rato voltou para casa, cabisbaixo e abatido; pronto para enfrentar a ratoeira do fazendeiro.
 
Naquela noite, ouviu-se um barulho, como o de uma ratoeira desarmando. A mulher do fazendeiro correu para ver o que havia sido pego. No escuro ela não viu que se tratava da cauda de uma cobra venenosa. E a cobra picou a mulher...
 
O fazendeiro a levou imediatamente ao hospital. Ela retornou com febre alta. Todo mundo sabe que para alimentar alguém com febre, nada melhor que uma canja de galinha. O fazendeiro pegou seu cutelo e foi providenciar o ingrediente principal.
 
Como a doença continuava, os amigos e vizinhos foram visitá-la. Para alimentá-los o fazendeiro matou o porco. Mas a mulher não melhorou e acabou morrendo. Muita gente compareceu ao funeral e o fazendeiro então, sacrificou a vaca para alimentar aquele povo todo.
 
Na próxima vez que ouvirmos dizer que estamos diante de um problema e acreditarmos que o risco não nos diz respeito, lembremo-nos que quando há uma ratoeira na casa, toda a fazenda corre perigo. Ou seja: "o problema de um pode ser o problema de todos".
 
E-mail: almasementes@gmail.com
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Publicado em 11/06/2014

Esse problema é grave, notório, acontece em todo canto, típico problema de um povo sem cultura, sem noção do preventivo, um povo misturado e com mil formações ou informações erradas, ricos emergente sem cultura, pobre de espirito, muitos migrantes vindo de areas miseráveis, sem conhecimento de nada,vamos culpar o povo também, parabéns pelo alerta e pela cronica,Estan.

Enviado por Estanislau Rybczynski - estan_tec@hotmail.com
Publicado em 11/06/2014

Com certeza, se todos colaborassem, as ruas seriam mais limpas, nao haveria mais tanto entulho, tanto reservatorio de agua parada tanta epidemia de dengue etc.Parabens, gostei muito.

Enviado por Benedita Alves dos Anjos - dosanjos81@gmail.com
Publicado em 10/06/2014

Hilton, você nos dá um excelente exemplo de como devemos procurar resolver os problemas que nossos bairros e cidades apresentam, muitos deles persistem por omissão de quem poderia ajudar a resolve-los, parabéns pelo texto.

Enviado por Nelinho - lt.ltesser@hotmail.com
Publicado em 10/06/2014

Hilton , PARABÉNS MIL. O seu magnífico texto vem ao encontro do que tenho falado à exaustão: a responsabilidade sempre é de todos. Estou farta daquelas pessoas que só servem para falar de políticos (estou longe de falar que eles são uns docinhos de coco), mas o viver melhor, ter responsabilidade com a vida, com a natureza, é de todos e pronto. Para mim, a ignorância daqueles que só servem para dirigir o dedo acusador aos outros merece meu total desprezo. Ótimo relato. Um abraço.

Enviado por Vera Moratta - vmoratta@terra.com.br
Publicado em 10/06/2014

Temos deveres a ser cumpridos e que denota responsabilidade civil de cada um. Enquanto tivermos somente preocupados com somente com nossos problemas e não enxergarmos a coletividade estaremos agindo unicamente por impulso de nossa pequenez como seres humanos. Temos obrigações sociais de uns para com os outros diante do imenso território em que vivemos.

Enviado por Carlos Fatorelli - cafatorelli@gmail.com
Publicado em 10/06/2014

Fiquei maravilhada com sua primeira historia e me sinto muito solidária com voce neste relato de anti cidadânia e descaso com o próximo..."Amai ao próximo como a ti mesmo" é um mandamento de DEUS mas "Não faça com os outros o que não quer que seja feito com você" é um mandamento da vida e serve para todo e qualquer ser humano racional

Eu também tenho vizinho acumulador ao lado do escritório e vizinhos que colocam seus carros na rua ocupando o lugar de dois veículos sabendo que outros também precisam estacionar.Outro dia chegando no escritório pedi para um senhor estacionar um metro mais a frente para caber outro carro na vaga atrás dele.Sabe o que ele me disse? Quem quizer pegar lugar que venha mais cêdo!!!Eu tenho garagem onde trabalho,mas estava apenas pensando em quem não tem.

Enviado por Walquiria - walquiriarocha@yahoo.com.br
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