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Categoria - Outras histórias Racha! Autor(a): Alfred Delatti - Conheça esse autor
História publicada em 09/06/2014
Saímos do Jumbo Aeroporto em torno de 22h30min.
 
Cada um de nós entrou em seu carro e o objetivo era descer até a Praça do Correio no menor tempo possível.
 
Nosso recorde na época? 7 minutos cravados!
 
O Beto no seu Corcel 69 quatro portas com pneus Firestone Cavallino já foi colocando seu capacete Bell, isso mesmo, o cara vestiu um capacete de paletó e gravata para darmos a largada no sinal que havia em frente ao portão principal do Aeroporto de Congonhas. E com a boca tentava fazer todos os ruídos de um verdadeiro Divisão Três andando em Interlagos.
 
Eu no meu Fusca “mileduque” 63 azul com rodas de aço cromadas e com o som do TKR no último volume.
 
Lá vamos nós a toda pela Av. 23 de Maio, costurando, passando, meu amigo dizia que na costurada tínhamos que ouvir o “plim” das casquinhas dos pára-choques.
 
Lá vamos nós descendo voando (120km/h no máximo). Naquele tempo (1973) a “23” não tinha o movimento monstro de hoje em dia e era possível descer com tudo, principalmente quase às 11h da noite.
 
Outras vezes entravamos pelo famoso “Circuito do Ibira” isso mesmo, dentro do Parque do Ibirapuera onde depois de uma sucessão de curvas, havia uma passagem sob um pequeno riacho onde pela pequena ponte só passava um carro de cada vez! Aí meu amigo, era separar os homens dos meninos, pois saíamos em direção a ela lado a lado com o outro carro e vamos ver quem “afina” primeiro e tira o pé para passar pela ponte! Muitos foram parar nas águas rasas do pequeno riacho e debruçado pelo barranco...
 
Outras vezes era a disputa de “quarto de milha” em frente ao Shopping Iguatemi! Essa era disputa de arrancada, largava-se ao sinal abrir e vamos ver quem chega primeiro lá no fim da Faria Lima em direção a Rua Iguatemi.
 
O Fusca preto “split window”, ano 1957, de meu amigo Magrão, mas equipado com um brabo motor 2.0 andava até em marcha lenta e ponto morto, tanto que tremia, não aguentou a pressão aerodinâmica da largada com um Dodge Dart e soltou a parte de baixo do chassi de quase toda a lateral direita da carroceria, não sem antes, largar e andar na frente do dodjão bem uns 150 metros!
 
Irresponsabilidade dirão alguns, bando de malucos e “boyzinhos” que querem aparecer para as meninas e coisas piores dirão outros.
 
Mas era apenas a juventude tentando se expressar e romper as regras de uma sociedade ainda careta ou flertar com o perigo talvez.
 
É claro que a polícia às vezes chegava com tudo e aí era outro tipo de correria, para escapar, fugir, se mandar rindo e vibrando.
 
Sim, era uma aventura! “Ah” tempo!
 
E-mail: apdelatti@ig.com.br
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Publicado em 14/06/2014

Prezado Modesto

É uma honra receber um comentário seu ! Sempre aprendo com eles. Não, não me arrependo, pois isso seria arrepender-se de ter sido jovem numa época e lugar em que muitos dos que participavam tornaram-se ídolos do automobilismo no Brasil. Grande abraço.

Enviado por Alfred Delatti - apdelatti@ig.com.br
Publicado em 11/06/2014

Alfred, vc gostou do que fez? está arrependido? faria de novo? As respostas pra estas perguntas vc já deu. A exclamação no final do seu texto, vc diz: "Sim, era uma aventura! "Ah" tempo!", pra mim, deduzi suas respostas. Se esta aventura ajudou a formação de seu perfil e vc está contando o ocorrido, inteiro, isso é que interessa. Eu, particularmente, não gosto desse tipo de velocidade mas, se todos gostassem só de verde (que maravilha) o que seria do amarelo. Parabéns por vc contar essa história, Delatti.

Modesto

Enviado por Modesto Laruccia - modesto.laruccia@hotmail.com
Publicado em 11/06/2014

Acho esses rachas um grande perigo.

Aqui de madrugada eu acordo com um barulho da molecada fazendo racha mas logo a policia faz eles pararem

abraco.

Enviado por Benedita Alves dos Anjos - dosanjos81@gmail.com
Publicado em 10/06/2014

Pois é caros amigos, muitos daquela época perderam a vida, mas não por causa dos rachas e sim pelas drogas que também destruiu suas famílias. De qualquer forma, vivemos. Abraços a todos.

Enviado por Alfred Delatti - apdelatti@ig.com.br
Publicado em 10/06/2014

Que bom que você sobreviveu. Um abraço.

Enviado por Vera Moratta - vmoratta@terra.com.br
Publicado em 09/06/2014

Delatti, quem de nós na juventude não cometeu seus atos "irresposáveis"?, vocês arriscaram suas vidas mas felizmente tudo correu bem, parabéns pelo texto.

Enviado por Nelinho - lt.ltesser@hotmail.com
Publicado em 09/06/2014

Dois irmãos, o Landão e o Alexandre. Compraram um Maverick zero km. Durante a semana andaram normalmente com o carro, levaram os pais para passear pelo Previdência. No sábado à noite/madrugada foram os dois para a 23 de Maio e começaram a voar baixo. Não conseguiram desviar e entraram direto entraram direto embaixo de um caminhão. Os corpos dos dois foram destroçados, as cabeças desapareceram. A mãe morreu vítima de um infarto fulminante alguns dias depois. O pai, sr. Alexandre, morreu aos 95 anos; passou os últimos anos cuidados por enfermeiros. Toda vez que me via ou via outros amigos dos filhos desandava a chorar desesperadamente. Que bom que você está vivo e ninguém de sua família passou pelo que esse pai e essa mãe passaram, e mesmo eu e alguns poucos amigos que ainda estão vivos passamos pois crescemos juntos. Dê graças a Deus...

Ignacio

Enviado por Joaquim Ignácio de Souza Netto - joaquim.ignacio@bol.com.br
Publicado em 09/06/2014

isso era chamado de JUVENTUDE TRANSVIADA.

eu adorava a noite são Paulo,(boemia)

mas não era chegado num racha.

LINDO TEMPOS.

Enviado por João Cláudio Capasso - jccapasso2@hotmail.com
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