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Categoria - Outras histórias Uma história de amor (final) Autor(a): João Felix - Conheça esse autor
História publicada em 05/06/2014
Terminando com a história de amor que se iniciou nos anos 50, lá no bairro do Brás, em São Paulo, na Rua Caetano Pinto, e que chegou aos 56 anos e que continuara até que Deus nos separe e com sua proteção.
 
Em 1978 completávamos 20 anos de casados e eu ainda trabalhava no Alasca. Fiquei algum tempo a mais do que as nove semanas (que me davam direito há duas semanas) e pedi para ficar um mês de férias, pois pretendia mudar o rumo da nossa terceira lua de mel. Planejamos nossa ida para a Europa e assim fizemos. Começamos em Londres e terminamos a viagem depois de três semanas em Paris. De Londres atravessamos de navio o mar do norte para a Holanda, Alemanha, Áustria, Itália, com destaque para Veneza, Roma, Vaticano, Suíça, Paris. De volta para casa gostaria de dar mais detalhes dessa fantástica viagem, mas nunca iria terminar essa história de amor.
 
Em 1979 resolvemos presentear os garotos que já não eram tão garotos assim, pois o mais velho já iria fazer 20 anos e o menor tinha completado 15 naquele mês. Então todos juntos retornamos à Europa, desta vez no verão escaldante da Espanha, começando em Madri. Fomos a sentido de Portugal, passando por Salamanca, Lisboa, Sevilha, e atravessamos o estreito de Gibraltar e fomos ao Marrocos, em Tanger, Fez Rabat, e voltamos outra vez em direção a Málaga, onde morava nossa tia Joana e a prima Maria. Ficamos alguns dias com elas e pudemos assistir a uma tourada. Dali pegamos um voo para Valencia, onde comemos uma paella valenciana na praia do mar mediterrâneo. E nosso intuito era procurar mais familiares em Zaragoza, onde grande parte da nossa família teve origem. Chegamos ao hotel, peguei uma lista de telefone e fui procurando todos os Felix da cidade. Consegui encontrar primos que prontamente vieram nos encontrar. Foi muito bacana mesmo. Dali fomos de volta a Madri e voamos de volta para casa.
 
Em 1983 fizemos as Bodas de Prata. Já estávamos morando em um clima mais ameno, pois cansei de viver congelado. Mudamos para a Flórida. Para esta comemoração fomos de navio para Bahamas e passamos duas semanas por lá, que tem praias maravilhosas. Mas achei que era pouco para umas Bodas de Prata e depois de dois meses fomos para a Cidade do México, e dali fomos a uma cidade que sempre tivemos vontade de conhecer, que era Acapulco. Foi uma delícia ver aquela cidade que praticamente se resume a uma praia linda, rodeada de hotéis em sentido de meia lua, mas bem romântica. Foi tema de inúmeros filmes, até o Elvis Presley fez o Seresteiro de Acapulco. Lembro que cenas desse filme foram feitas ao lado dos penhascos “La Quebrada”, onde saltadores de muita coragem saltam ao mar bem rente às pedras. E foi também em Acapulco que Agustín Lara compôs a musica Maria Bonita, dedicada a sua então esposa Maria Felix. Voltamos à Cidade do México e fomos visitar e orar a Virgem de Guadalupe na sua catedral.
 
Em 1990 fizemos 32 anos de matrimônio e fomos para Cancun por duas semanas. Praias lindíssimas nesse resort mexicano, realmente eles sabem explorar suas belezas naturais. Coincidentemente nas duas semanas que estivemos por lá, se realizava o concurso de Miss Universo e tivemos o prazer de assistir ao vivo no teatro. A representante do Brasil era gaúcha, mas não entrou nem nas 15 finalistas.
 
Em 1998 completamos 40 anos de casados e recebemos os amigos, os filhos, netos e netas que residiam na Costa Rica e na Califórnia. Passamos bons momentos juntos! A festa foi em uma casa de praia que me foi cedida por um amigo de Nova York, que tinha até praia particular em Higland Beach, cidade vizinha a Delray Beach, onde resido. Fizemos até um churrasco a beira mar.
 
Em 2002 fizemos 44 anos e voltamos para a Europa, desta vez para a casa da prima Maria e Carmelina, minha tia Joana já não estava mais entre nós. Então fomos com as primas dirigindo para Madri e em direção ao sul da França, onde iríamos visitar a Catedral de Lourdes, que minha esposa sempre teve vontade de conhecer. Íamos sempre parando por todos os lugares de Zaragoza, que era a terra de nossos antecedentes e visitamos nossos primos que havíamos conhecido em 79. Seguimos por estradas rurais, depois de deixar Zaragoza, passamos pela fronteira da França, isso já no alto dos Pirineus, que é uma cadeia de montanhas entre os dois países. Chegamos em Lourdes às 11h da noite. Depois de visitar a Catedral, fomos em direção à Espanha. Outra vez chegamos a Barcelona e sempre fomos parando em todas as cidades que passávamos, beirando o mar do Mediterrâneo. Voltamos a Málaga e fizemos mais de cinco mil quilômetros! Dali já tinha uma outra viagem programada: desta vez só eu e a Lourdes. Fomos para a Itália e Paris, desta vez em uma excursão com casais, todos em lua de mel que tinham casado naquele fim de semana. Eu e Lourdes éramos os mais velhos do grupo. A excursão começou em Milão e viemos descendo passado por Veneza, Firence, Roma, Vaticano, Pompéia, Nápoles e a maravilhosa Ilha de Capri. Votamos a Roma e voamos para Paris, onde ficamos por quatro dias. Voltamos para Málaga, e ainda tivemos que dirigir outra vez. Fomos visitar parentes da Lourdes em Almeria. Dali fomos a Granada visitando a Alhambra, e fomos a Sevilha, ai voltamos a Málaga e nos despedimos das primas.
 
Aí chegamos a meio século de união, nossas “Bodas de Ouro”. Quem iria de dizer que chegaríamos a viver tantos anos. Aquela menina de nove anos lá do nosso sempre saudoso bairro do Braz, e que me apaixonei desde que a vi pela primeira vez, fosse ser minha companheira por uma vida inteira.
 
Logo resolvi convidar minhas três irmãs mais velhas e enviar as passagens, e como elas tinham passaporte espanhol, não precisavam de vistos americano. Pelo movimento que meus filhos faziam dava para notar que eles estavam preparando alguma surpresa, e aos poucos, fomos vendo que seriam muitas surpresas. O Gil, que mora na Califórnia, se comunicava com o Carlos e o João, que moravam mais perto, editou um DVD que contava todas nossas luas de mel,  desde a primeira, e com todos eles nos homenageando com palavras de amor, que nos emocionou com lágrimas. Foi tudo uma surpresa! Foi exibido no salão de festas, depois da confirmação do casamento, durante uma missa para eu e a Lourdes, em frente ao altar e com todos os rituais de uma cerimônia cheia de pompa. O Padre Mateus, italiano, rezou a missa em inglês e parte em português. Quando chegamos na igreja , eu entrei com minhas quatro netas. Em seguida entraram a Lourdes com o meu filho Carlos, o caçula, que lhe entregou uma rosa vermelha. Ele caminhou uns vinte passos até onde se encontrava o Gilberto, que entregando outra rosa caminhou mais uns 20 passos, aonde estava o João, o mais velho, que repetiu o mesmo ritual com mais uma rosa. E aí caminharam em minha direção, ao lado do altar. Tudo ao som da marcha nupcial no órgão da igreja. Muito emocionante mesmo!
 
No convite, na parte da frente estava a nossa foto de noivos, de 1958, tirada no Foto Eduardo,
do Brás. No verso a legenda em inglês e mais em baixo em português, tudo bem bolado. Depois de sair da igreja, nos pediram para que fossemos dar uma volta só eu e a Lourdes e que desse um tempo para que todos os convidados chegassem e se acomodassem. Quando chegamos fomos recebidos por todos com vivas e aplausos e dançamos uma valsa, a mesma que naquele dia 24 de maio, meio século atrás, dançamos no salão do clube Fontoura, na Rua Caetano Pinto, 152. Em cada mesa havia um porta retrato com uma foto de 8x10 polegadas, que faziam parte de uma viagem de nossas luas de mel.
 
Antes da janta ser servida, nos sentaram em frente a um telão e, com os convidados em nossa volta, assistimos chorando aquele DVD que continha boa parte do que contei das nossas viagens e nosso filme do casamento em preto e branco lá na Matriz do Brás. Voltamos a ver meu pai minha mãe, que foram nossos padrinhos e a D. Maria, minha sogra, que já não estão entre nós. E as homenagens, filmadas em vídeo, dos filhos, noras, netos e netas falando do quanto eles nos amam. Tudo foi realmente muito emocionante.
 
E para encerrar não faltou mais uma viagem que fizemos no nosso aniversario de 53 anos de casados, com um cruzeiro de oito dias pelo Mar do Caribe.
 
E-mail: jfvilanova@gmail.com
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Publicado em 09/06/2014

Felix, essa cronica não é final, pois o casal como voces é 20, a cronica é 1000, parabéns,Estan.

Enviado por Estanislau Rybczynski - estan_tec@hotmail.com
Publicado em 09/06/2014

Muito bem, my brother Felix, vc chegou a terceira parte dessa sensacional história, (love history, da outra vez escrevi "story", ficção e fui corrigido pelo meu filho Mauricio). Assim como não aceito, apesar de estar entre parentesis, "final", vc e dna Lourdes vão viver e contar muitas "fofocas" da Caetano Pinto. Formidável, sob qualquer ponto de vista essa estória de amor, John, daria um enredo fora de serie, tem de tudo, além do amor. Aventura, coragem, crença, fé, trabalho, raça, destemor, liberdade, companheira (ótima...), filhos, familiares, idem, valentia e por aí a fora. Tudo isso está resultando numa felicidade que perdurará pra todo o sempre, meu velho, lembre-se, sou mais velho que vc, sei o que digo, com muita experiência. Alem de tudo, com a benção de Deus sempre, a paz reinando no seio da família, com saúde, muita saúde. Parabéns, fratello mio, auguri i arrivederci.

Laruccia

Enviado por Modesto Laruccia - modesto.laruccia@hotmail.com
Publicado em 05/06/2014

Isso e maravilhoso!

E um romance de verdade.

Parabens.

Enviado por Benedita Alves dos Anjos - dosanjos81@gmail.com
Publicado em 05/06/2014

Complementando meu comentário anterior. Este amor não tem final não, nem no título é eterno.

Enviado por Marcos Aurélio Loureiro - marcoslur_ti@yahoo.com.br
Publicado em 05/06/2014

Parabéns a ambos, vocês são privilegiados.

Enviado por Marcos Aurélio Loureiro - marcoslur_ti@yahoo.com.br
Publicado em 05/06/2014

Felix, seu relato é emocionante, mais uma vez prova que o amor sincero é o alicerce par a formação de uma boa família, parabéns pelo seu texto.-

Enviado por Nelinho - lt.ltesser@hotmail.com
Publicado em 05/06/2014

lindo texto de amor.PARABENS,

a maravilhosa viajem de um grande amor.

Enviado por João Cláudio Capasso - jccapasso2@hotmail.com
Publicado em 05/06/2014

A felicidade é conquistada através do tempo, com muito trabalho árduo e que deve ser trilhado de maneira consciente para um dia ao recordar ficarem as lembranças de momentos bem vividos. Parabéns!

Enviado por Carlos Fatorelli - cafatorelli@gmail.com
Publicado em 05/06/2014

Meu amigo Felix,sua historia de amor daria um filme com sucesso de bilheteria...eu mesma assistiria várias vezes.Esta sua narrativa foi tão encantadora que só mesmo quem passa por bodas seja elas de que tempo for é que podem sentir o prazer de desfrutar de tantas surpresas e alegrias...Aos poucos você deu merecidas volta ao mundo comemorando com sua mulher o tanto de cumplicidade e segurança que ela lhe deu.

Fiquei curiosa em saber se sua princesa Lourdes ainda fala o português tão legível e completo igual a você,e seus filhos também.Como seus netos nasceram por aí eles só devem falar Inglês ou também arranham um Português. Abraços neste monumento de companheira que você tem e Parabéns por tantas lutas e tantas conquistas...

Enviado por Walquiria - walquiriarocha@yahoo.com.br
Publicado em 05/06/2014

João, você não tem ideia do quanto curti essas suas memórias e quantas vezes vou reler. Lindo! Quem me dera uma experiência afetiva desse nível... mas, ainda bem, você teve - e tem - o santo privilégio de vivenciar. Que Deus ilumine o casal e que essa união seja ainda mais duradoura e feliz. Um enorme abraço.

Enviado por Vera Moratta - vmoratta@terra.com.br
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