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Categoria - Outras histórias Um encontro inesperado com o Dops Autor(a): Luiz Silva - Conheça esse autor
História publicada em 03/06/2014
Começo de Carnaval, 1970. Eu, bem no início da vida profissional, trabalhando em Bauru, no Interior de São Paulo, voltava para a capital para aproveitar o feriado, em companhia de três colegas de trabalho. Viemos em um confortável Aero Willys. Um dos colegas era filho de um dos sócios da empresa, um bem sucedido fazendeiro da região, que aproveitou a carona. Naquela época a viagem costumava demorar cerca de cinco horas. A Rodovia Castello Branco ainda não estava concluída e grande parte do percurso era feito pela velha Marechal Rondon de pista única. 
 
Chegamos em São Paulo no começo da madrugada e já se podia ver algum movimento anunciando o Carnaval. O colega que era filho do dono, não conhecia bem a cidade e precisava chegar em um local na região da Avenida Paulista. Deixamos a Marginal de Pinheiros, que já existia na época, e pegamos a Eusébio Matoso. Estacionamos bem no local onde fica hoje o Shopping Eldorado e acendemos a luz interna do carro para consultar um guia. Acabamos de parar e uma veraneio marrom, sem placas, nos ultrapassou e parou bem à nossa frente. Dela desceram cinco homens fortemente armados com fuzis, comandados por um mulato forte de mais de 1,90m que já foram ordenando que descêssemos todos. 
 
Eles nos revistaram, abriram todas as nossa malas e verificaram nossos documentos. Explicamos o que fazíamos ali e então eles nos liberaram e ainda nos indicaram o melhor caminho para chegar até a Av. Paulista. Muita imprudência e ingenuidade nossa parar ali naquelas condições, quando o regime militar vivia à caça de subversivos. 
 
Eu disse que eram do Dops mas também havia a OBAN naquela época. Até hoje não sei exatamente de onde eram. Claro que ficamos meio apavorados, mas como éramos todos simples trabalhadores e tocávamos a nossa vidinha normalmente, trabalhando, estudando e nos divertindo conforme as nossas possibilidades, não era caso para termos tanto medo. Quem não deve não teme, diz o velho ditado. Quem andava dentro da lei tinha muito mais segurança, naqueles tempos, para se andar pelas ruas à noite ou mesmo de madrugada. 
 
Hoje eu penso em como na verdade estávamos seguros com aqueles caras por perto. Aqueles, que com o pretexto de "restaurar a democracia",  praticavam atos de violência assaltando bancos, jogando bombas em quartéis , enfrentando a polícia e sequestrando embaixadores, esses sim tinham o que temer. Hoje muitos desses caras estão no poder, tentando a todo custo acabar com essa democracia por que "tanto lutaram".
 
E-mail: silva.luiz2014@yahoo.com.br
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Publicado em 05/06/2014

Eu lutei para restaurar a democracia, apanhei, fiquei preso e fui torturado para que hoje, todos pudessem dar sua opinião livremente, assim como fazemos aqui, sem medo de ter sua casa invadida no meio da noite. Crimes sempre existiram, perigos também, a diferença é que antes se escondia.Eu jamais assaltei banco, sequestrei ou joguei bomba, apanhei, fui preso e torturado apenas por falar, por querer o direito de falar e participar, de me negar ser vaquinha de presépio.

Enviado por Marcos Aurélio Loureiro - marcoslur_ti@yahoo.com.br
Publicado em 05/06/2014

Permitam-me um comentário do meu próprio texto, mas "eles" fizeram de mártires cerca de meio milhar de pessoas que enfrentavam, a maioria armados, as forças de segurança, enquanto o "belo regime" que eles queriam a todo custo implantar, matou cerca de 150 milhões de pessoas, civis e desarmadas, pelo mundo todo, praticando verdadeiros genocídios. A esses milhões eles dão o nome de reacionários, fascistas ou inimigos do povo.

Enviado por Luiz Silva - silva.luiz2014@yahoo.com.br
Publicado em 05/06/2014

Um fator importante, naquela época, parar em locais vizivelmente sem motivos alheios, e ser confundidos com terroristas. Parabéns pelo texto, Luiz.

Modesto

Enviado por Modesto Laruccia - modesto.laruccia@hotmail.com
Publicado em 03/06/2014

Luiz, é isso mesmo, e o povo não percebeu isso, está acontecendo que, quem não conhece a história tende a repeti-la, democracia é boa quandop existe comando, direção, pulso, pois o homem precisa de comandante, como num lar, se o pai dirige a sua casa como nossos governates estão dirigindo, já sabe o que vai acontecer com os filhos, parabéns,Estan.

Enviado por Estanislau Rybczynski - estan_tec@hotmail.com
Publicado em 03/06/2014

Minha mãe em 19670 época que meu irmão trabalhava a noite ela dizia :Leve sempre o documento e a carteira de trabalho,se te pegarem voce mostra que vai indo trabalhar.Ele nunca foi pego por militares que amedrontavam na época,que era o medo de todos, mas foi pego 30 anos depois por assaltantes que o mataram pelo relógio que não saia do pulso...

Enviado por Walquiria - walquiriarocha@yahoo.com.br
Publicado em 03/06/2014

Luiz, estou com você, naqueles tempos havia mais segurança e as coisas andavam melhor, muitos daqueles que conspiraram contra o regime da época estão aí de volta e veja o resultado, parabéns pelo texto.

Enviado por Nelinho - lt.ltesser@hotmail.com
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