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Categoria - Nossos bairros, nossas vidas Uma vida de luta e trabalho - Parte I Autor(a): Nelinho - Conheça esse autor
História publicada em 26/05/2014
A minha jornada de trabalho começou bem cedo, aos 11 anos: o primeiro emprego foi na casa do Sr. Miguel, alfaiate, após as aulas no grupo escolar eu almoçava e na parte da tarde ia à alfaiataria, minha função era varrer o salão, colocar carvão no ferro de passar e molhar os tecidos destinados à confecção dos ternos (naquele tempo ainda não produziam tecidos pré-encolhidos); no restante do tempo eu ficava costurando um pedaço de tecido para pegar prática no ofício (foi bom porque até hoje quem faz as bainhas das minhas calças sou eu). 
 
Tudo ia bem até o dia em que eu perdi uma nota de Cr$ 20,00 que o Sr. Miguel havia me dado para pagar o calceiro (parei no campinho para ver a turma jogando bola e o bolso era raso), resultado: meu pai teve que arcar com o prejuízo, o alfaiate resolveu me dispensar, pois alegou que eu não tinha "responsabilidade"!
 
Fiquei três dias sem fazer nada, no quarto dia minha tia Gina veio em casa informando que na oficina do sobrinho dela estavam precisando de menores para serviços de limpeza, comprar material na loja de ferragens e ajudar o pessoal nos serviços gerais da oficina, o proprietário era o Sr. Edgar Galvan Duarte e sua esposa a Dona. Nair; a oficina ficava na Rua Leais Paulistanos, aqui no Ipiranga. 
 
O serviço era duro, pois tinha que ficar segurando as peças que o João e o Xisto soldavam com o maçarico de acetileno, precisava também manter acesa a forja, lá também tive um problema, sem autorização liguei o esmeril e comecei a esmerilhar um pedaço de ferro, resultado: sem óculos de proteção uma fagulha entrou no meu olho esquerdo, foi um sofrimento, pois tive que ir à farmácia para tirar o cisco e por alguns dias usar um colírio, após isso o Sr. Edgar resolveu me dispensar, pois como eu era menor ele temia que pudesse me acontecer alguma coisa mais grave.
 
Mas não tive tempo de ficar parado, logo na semana seguinte meu pai trouxe o Diário Popular para que eu procurasse algum anúncio de emprego para menores, nessa altura eu já estava com 13 anos, consegui vaga na firma Excelsior Elétrica Importadora, ficava na Rua do Riachuelo em frente ao prédio da antiga R.A.E. (Repartição de Águas e Esgôtos), onde a gente pagava as contas de consumo de água. 
 
Lá o proprietário era o Sr. Salvador Cutolo Caetano, pessoa boníssima que me ensinou muita coisa, mas eu ganhava muito pouco, meu trabalho era varrer a loja, arrumar a mercadoria nas gavetas, espanar os lustres e globos expostos e, de vez em quando, eu ia com o eletricista da loja ajudar na colocação dos lustres na casa do cliente; solicitei um aumento de salário, o Sr. Salvador alegou que não podia pagar, resolvi procurar outro emprego, enquanto não arrumava continuei na loja.
 
Um dia o meu tio Zézinho encontrou com um amigo de nome Djalma, que era gerente de uma camisaria. No bate-papo meu tio ficou sabendo que a loja estava precisando de um menor para serviços gerais. Resolvi ir falar com ele no horário de almoço (a camisaria se chamava Intercil e ficava na Rua Benjamin Constant. A loja existe até hoje, mas atualmente está na Rua Dom José de Barros), ali começava uma nova etapa, prometo continuar futuramente a história de lutas e trabalho...
 
E-mail: lt.ltesser@hotmail.com
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Publicado em 28/05/2014

Meus parabens, irei acompanhar sua historia.

Enviado por Benedita Alves dos Anjos - dosanjos81@gmail.com
Publicado em 28/05/2014

Nelinho como esse tema nos lembra a todos , eu tambem comecei muito cedo.

O meu primeiro numa oficina de costura de casacos de pele , na Rua D.Jose de Barros ao lado do cine Opera , o segundo na rua Wenceslau Braz na papelaria Cruzeiro ,e o terceiro na Livraria Saraiva no L. do Ouvidor . Parabens pelas lembrancas e vamos aguardar a continuacao . Abracos Felix

Enviado por João Felix - jfvilanova@gmail.com
Publicado em 27/05/2014

Sua historia me levou de volta ao passado, como você já sabe trabalhei por seis meses na Chapelaria Paulista, fomos vizinhos de trabalho ou de emprego, isso foi em 1959. graças a você e a sua historia dei um belo passeio pela Pça da Sé de outrora, Valeu Nelinho.

Enviado por Arthur Miranda (Tutu) - 27.miranda@gmail.com
Publicado em 27/05/2014

Muito bom, Seu Nelhinho. Aguardamos os próximos capítulos, porque com certeza o senhor tem muita história para contar.

Enviado por Abilio Macêdo - abilio.macedo@bol.com.br
Publicado em 27/05/2014

Nelinho,meu primeiro emprego com carteira assinada foi na R. Benjamim Constant ao lado desta camisaria.Era a "Predial Ruggiero"onde o pai Dr Antonio Ruggiero tinha escritório de advocacia,junto com o filho Dr Biasi e o caçula Dr Roberto administrava a imobiliária.Eu fui recepcionista e telefonista por uns quatro anos e nunca mais esqueci.

Mas eu também comecei muito antes ajudando na casa da D. Madalena história contada em 1/06/2012 .Só tenho algo para te dizer,o trabalho só nos ensinou... e começar tão cedo,nos transformou em grandes e responsáveis pessoas...

Enviado por Walquiria - walquiriarocha@yahoo.com.br
Publicado em 27/05/2014

Começo duro, Nelinho, início igual ao meu, 11 anos. Mas depois de anos, estes inícios de atividades podem parecer um tanto ou quanto, perda da meninice, porem são de grande valia na formação. Parabéns, Nelinho.

Modesto

Enviado por Modesto Laruccia - modesto.laruccia@hotmail.com
Publicado em 26/05/2014

O campo de trabalho estava a disposição de quem queria trabalhar, tinha até "carteira de menor" e todo primeiro emprego de um jovem era receber como "instrumento de trabalho" uma vassoura, e lá íamos galgando etapas para "sermos alguém na vida". Valeu a pena o início de tudo. Parabéns pela crônica.

Enviado por Carlos Fatorelli - cafatorelli@gmail.com
Publicado em 26/05/2014

Parabéns, Nelinho. Trabalhar cedo dá bons resultados: aprendizagem , socialização, honestidade e muita coisa boa prá contar. Um abraço.

Enviado por Vera Moratta - vmoratta@terra.com.br
Publicado em 26/05/2014

Nelinho, como vai?

Nada a acrescentar a seu texto, relato verdadeiro das condições e oportunidades de trabalho nos tempos de nossa adolescência e primeira parte de nossa juventude. Hoje em dia, se alguém "pegar" uma "criança" de 13 anos, por exemplo, corre oo risco de ser preso e/ou processado criminalmente. Será que trabalhar é tão prejudicial assim para a formação de um cidadão?

Abraço do Ignacio

Enviado por Joaquim Ignácio de Souza Netto - joaquim.ignacio@bol.com.br
Publicado em 26/05/2014

Nelinho,eu e os meus irmãos também começamos cedo a trabalhar, com 8 ou 10 anos de idade.

quando a gente nasce numa família pobre e honesta,e normal trabalhar cedo.

graças a deus todos nos tornamos homens e corretos,

isso e a vida. parabéns pelo texto.

Enviado por João Cláudio Capasso - jccapasso2@hotmail.com
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