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Categoria - Nossos bairros, nossas vidas Família Bife Autor(a): José Aureliano Oliveira - Conheça esse autor
História publicada em 22/05/2014
Álvaro e Jamil Bife mudaram-se para a Rua Felipe Camarão lá no Tatuapé na década de 60, vindo a fazer parte da nossa turminha. A casa alugada pelos seus pais ficava em baixo da residência do Sr. Simão (tipo porão) com seis cômodos. No quintal havia um pé de goiaba que todos os anos ficava repleta de goiaba, mas não era aproveitada pelo dono, e ninguém podia entrar para apanhá-las; quanto desperdício. 
 
Daí em diante, passamos a saboreá-las, que delícia de goiabas vermelhas. Era a época do rock and roll que fervia nos rádios paulistanos. A tarde havia um programa na Rádio Panamericana com Disk Joquey Miguel Vaccaro Netto, com o ritmo somente de “rock and roll”. Elvis Presley, Brenda Lee, Pat Boone, Neil Sedaka, Paul Anka e uma porção de bandas da época. As músicas iam tocando e o pessoal telefonava votando no cantor de sua preferência. O cantor mais votado tocava-se no final do programa três músicas do seu repertório. Como não tinham telefone, cada um escolhia um cantor e ficava na torcida fazendo figa com os dedos para que o seu fosse o vencedor. Anunciando o vencedor era aquela algazarra... Eu ganhei...
 
Outra característica engraçada que aprendemos com os mais velhos para aquela época: para dançar o rock and roll, onde o passo era levar a dama para um lado e depois para o outro, nos ensinaram a praticar com a porta, e lá íamos nós praticando e ao mesmo tempo cantarolando as músicas, até que o pai do Álvaro entrou de repente na sala e levou com a porta na cara. Só risos. 
 
Era um garoto
Que como eu
Amava os Beatles e os Rolling Stones. 
 
Girava o mundo
Sempre a cantar
As coisas lindas
Do nosso Tatuapé. 
 
Éramos nós, The Steak and his Blue Caps...
E-mail: joseaurelianooliveira.aureliano@yahoo.com.br
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Publicado em 23/05/2014

Aureliano, bons tempos estes. Uma das minhas maiores frustrações é que nunca aprendi dançar, Rock então, vichiiii nem pensar.

Enviado por Marcos Aurelio Loureiro - marcoslur_ti@yahoo.com.br
Publicado em 23/05/2014

Aureliano amigo que saudades dos velhos tempos ah ! essas goiabas vermelhas me dao um trabalho enorme . Tenho dois pes ainda em desenvolvimento pois o maior de todos foi assassinado pelo furacao Wilma na sua passagem em 2005 por nossa cidade .Mas se eu quizer comer minhas goiabas sem vermes eu tenho que protegelas uma a uma com um saquinho de papel , pois temos uma mosca que as infecta ainda quando elas estao em formacao . Mas falando dos rock & roll , eu na minha juventude nao era muito atirado nesse tipo de musica nem nos Beatles nem na jovem guarda , eu ia mais de boleros , rumbas ,tangos , e sambas . So depois de muitos anos e que passei a dominar o ingles e que passei a entender a poesia que essas letras dos Beatles mostravam assim tambem como as letras poeticas do Roberto Carlos que em parceria com o Erasmo

compunham .E assim so depois quando ja estava com mais de 30 anos e que aprendi a gostar sem idolatrar esse tipo de musica . Nos meus velhos tempos de juventude eu fazia serenatas na janela da minha noiva nas madrugadas do bairro do Braz , como um membro da rapaziada do bairro do mesmo nome . Ainda vou contar em algum texto alguma coisa sobre isso . Abracos e parabens pelo comico texto da tua juventude na zona leste . Felix

Enviado por João Felix - jfvilanova@gmail.com
Publicado em 23/05/2014

José, você sempre escreve coisas muito boas e, dessa vez, bem engraçada. Bom mesmo. Gostei muito. Um abraço, meu querido.

Enviado por Vera Moratta - vmoratta@terra.com.br
Publicado em 23/05/2014

Juventude feliz é juventude saudável, bela, vigorosa e cheia de amor. Gostei muito de seu texto, José, parabéns.

Modesto

Enviado por Modesto Laruccia - modesto.laruccia@hotmail.com
Publicado em 23/05/2014

Esta música "Era um garoto que como eu amava os Beatles e os Rolling Stones" virou um hino dos jovens da década de 70 e até hoje nos envolve e comove profundamente quando ouvimos...

Enviado por Walquiria - walquiriarocha@yahoo.com.br
Publicado em 22/05/2014

Aureliano, por coincidência tive um colega de escola que se chamava Nelson Bife aquí no Ipiranga, infelizmente ele já partiu, a família ainda reside na mesma casa, parabéns pelo texto.

Enviado por Nelinho - lt.ltesser@hotmail.com
Publicado em 22/05/2014

Esse site nos dá a nítida impressão que nossa geração era a tal, será só saudosismo ou erámos mesmo?

Analisando os tempos de hoje, tenho certeza que sim.

Enviado por Julia Poggetti Fernandes Gil - gibajuba@yahoo.com.br
Publicado em 22/05/2014

Ótima narrativa José Aureliano e com um final inesperado, do jeito que eu gosto, só espero que essa família Bife não seja FRIBOI. (risos.)

Enviado por Arthur Miranda (Tutu) - 27.miranda@gmail.com
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