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Categoria - Personagens O misterioso ídolo global Autor(a): Sergio Liblik - Conheça esse autor
História publicada em 19/05/2014
Há tempos, quando a TV Globo ainda engatinhava por São Paulo e tinha seus estúdios na Praça Mal. Teodoro, meu irmão lá trabalhava no setor técnico.
 
Certo domingo, bem me recordo, devido a motivos de escala de programas, teve ele que dobrar o serviço prevendo permanecer nos estúdios até a madrugada próxima, e como estávamos em uma época fria do ano se prenunciava um amanhecer bem paulistano, daqueles tempos frios e garoentos.
 
Meu irmão me telefonou pedindo para que lhe portasse um agasalho quente, e alertou-me para algo muito importante. Devido ao programa do Chacrinha, a entrada da TV Globo estaria congestionada de pessoas. Eu deveria me dirigir para uma porta secundária por onde entravam os funcionários e muitos artistas que tentavam fugir do aglomerado, localizada a cerca de 50 metros à esquerda da entrada principal e onde o responsável pela abertura da porta já estaria informado de minha ida e qual a senha para que abrissem a porta para adentrar aos estúdios.
 
Lá fui eu, orgulhoso, dirigindo o fusquinha de meu pai; cheguei à praça Mal. Deodoro, estacionei e me excitava a possibilidade de encontrar algum ídolo artístico, alguma chacrete e até mesmo o Chacrinha, porque não?
 
Conforme alertado, havia mais de uma centena de pessoas na porta principal. Eu, tranquilamente, cruzei a praça e me dirigi para a porta secundária. No instante que parei à porta chamou-me a atenção uma gritaria histérica proveniente da entrada principal, mirei nessa direção e vi um grupo de fãs comandados por um berrante virtual olhando para a porta secundária e iniciando um verdadeiro estouro de boiada de mais de uma centena de pessoas em direção à porta onde me encontrava. Eu olhei ao redor, procurando a causa da corrida descomedida, porém não vislumbrei nenhuma pessoa além de mim, eu próprio.
 
A turba aproximava-se descomedida, urrando, e eu à procura da misteriosa razão para tal e nada, vivalma me cercava.
 
Antes que pudesse entender o que se passava, fui cercado, arranhado, “massageado” da cabeça os pés, de frente e de atrás, de um lado e outro, minha camisa, aquela camisa domingueira, que eu tanto gostava, perdeu rapidamente todos os botões e se rasgou, estavam me sufocando quando finalmente a porta salvadora da Globo se abriu e algumas mãos piedosas me puxaram para dentro do prédio.
 
Quase sem fôlego, prostrado, quase desconstruído, enquanto tomava um copo de água, perguntei aos seguranças se sabiam a razão da agressão. Sorrindo, simplesmente responderam:
- Isto é normal de ocorrer quando um ídolo chega à emissora ou quando confundem alguém com um ídolo.
- Não, nunca fui um misterioso ídolo.
 
Só restou o consolo de ter sido confundido com alguém, quem seria? Não sei.
 

 

E-mail: sliblik@gmail.com
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Publicado em 22/05/2014

Vc viveu na pele um ataque de fãs, e sobreviveu, apesar da camisa rasgada, mas confessa foi emocionante.

Enviado por Julia Poggetti Fernandes Gil - gibajuba@yahoo.com.br
Publicado em 20/05/2014

Sérgio, acredito que após a surpresa você se sentiu ídolo por uns instantes! com quem você podería ter sido confundido? eis a pergunta, parabéns pelo seu texto.

Enviado por Nelinho - lt.ltesser@hotmail.com
Publicado em 20/05/2014

Trabalhei muitas vezes no Auditório da Globo que ficava no prédio do Velho Cine MIAMI nos anos 70, que ficava na Praça Mal.Deodoro no Programa Silvio Santos. e entrei muitas vezes por essa tal porta, ão só eu como todos os artistas que participavam do programa, e essa correria acontecia mesmos o tempo todo, mas sempre havia uns quatro a cinco seguranças de plantão para impedir os ataques. Bela narrativa Sergio, parabéns.

Enviado por Arthur Miranda (Tutu) - 27.miranda@gmail.com
Publicado em 20/05/2014

Pelo menos voce passou um momento de idolatria . Abracos Felix

Enviado por João Felix - jfvilanova@gmail.com
Publicado em 19/05/2014

Ídolo você não foi, mas quase morre mesmo não tendo sido, pareceu o Roque Santeiro, aquele que foi sem nunca ter sido.

Enviado por Marcos Aurelio Loureiro - marcoslur_ti@yahoo.com.br
Publicado em 19/05/2014

Sérgio, que situação embaraçosa e interessante! Mas eu gostei muito do seu causo. Um abraço.

Enviado por Vera Moratta - vmoratta@terra.com.br
Publicado em 19/05/2014

Sérgio, ainda bem que o confudiram com um artista, já imaginou se fosse como aquele outro caso do Guarujá, mas as aparencias enganam mesmo, parabéns,Estan.

Enviado por Estanislau Rybczynski - estan_tec@hotmail.com
Publicado em 19/05/2014

lembro da rede globo na marechal, ao lado tinha uma pizzaria SOLAR,

tinha a melhor pizza chamada de jardineira,

Enviado por João Cláudio Capasso - jccapasso2@hotmail.com
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