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Categoria - Personagens O saudoso Sr. Américo Autor(a): João Felix - Conheça esse autor
História publicada em 22/05/2014
O outro dia, lendo uma crônica do Luiz Saidenberg intitulada “Duelo na Terceira Idade”, veio-me na lembrança um velho amigo que já não está mais entre nós, pois já faleceu há alguns anos. Ele era mais velho do que eu, mas um homem simples e bondoso.
 
Ele tinha uma deficiência na fala, e se alguém o deixasse nervoso aí a coisa ficava ruim, pois a gagueira o dominava e não havia meio de alguém entender o que ele queria falar.
 
Ele era um homem extremamente forte, e como tal, era mecânico dos velhos bondes de São Paulo naquela estação da Rua Rubino de Oliveira, com a Avenida Celso Garcia, no bairro do Braz. Trabalhava no turno da noite, como não poderia deixar de ser, porque era o horário em que os bondes se recolhiam na sua maioria.
 
Ele trabalhou naquela estação até os bondes serem retirados de circulação, aí ainda por pouco tempo ele foi transferido para uma garagem de coletivos da CMTC, mas logo completou seu ciclo. E por tempo de trabalho se aposentou. Comprou um pequeno sitio em São José do Rio Preto e só de vez em quando vinha matar as saudades da cidade grande. Ele era descendente de italianos.
 
Em uma dessas suas rápidas visitas, ele andando pelo centro, foi abordado por trás por um batedor de carteiras que enfiou a mão no seu bolso para roubar-lhe a carteira (que engano esse homem cometeu). O Seu Américo, apesar da idade, era muito ágil, e agarrou a mão do ladrão e deu uma torção derrubando-o ao solo, ao mesmo tempo em que pisava no seu ombro, quase arrancando o braço dele. E aí como ficou nervoso a gagueira tomou conta dele. E dizem as testemunhas que foi duro convencê-lo de largar o braço dele e tirar o pé do seu ombro para que a polícia o levasse. 
 
Esse homem pensou que o velhinho seria presa fácil, mas que surpresa desagradável ele teve, e com certeza dali em diante pensou duas vezes antes de molestar alguém da terceira idade. Sempre que me lembro desse episódio dou inúmeras gargalhadas.
 
Ele faleceu lá no sítio de um ataque do coração, que Deus o tenha com muita luz.
 
E-mail: jfvilanova@gmail.com
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Publicado em 26/05/2014

Os bondes foram um marco de suma importância para São Paulo, pois perpetuou-se de 1900 até 1968, com a última linha de Santo Amaro. Esse sistema de transporte sempre empolga e o outro lado da história era como se procedia a manutenção destes veículos, em pátios de recolhimento como dos atuais sistemas metroviários que substituiriam os bondes que tinham aproximadamente 240 quilômetros de linha espalhada por São Paulo contra os atuais 80 km de metrô. Falta muito ao metrô atingir esta marca nos seus quarenta anos de vida.

Enviado por Carlos Fatorelli - cafatorelli@gmail.com
Publicado em 23/05/2014

Fazem faltam outros senhores Américos. Conheci um Sr. Américo, já escrevi sobre ele aqui, só que o meu Américo chamava-se Arnaldo.

Enviado por Marcos Aurelio Loureiro - marcoslur_ti@yahoo.com.br
Publicado em 23/05/2014

Pois é, João, o susto do gatuno não foi pouco. Texto ótimo de se ler e o sr. Américo deveria ter casos muito bons para contar. Foi a primeira vez que li sobre uma pessoa sendo mecânica de bonde - infeliz ignorância a minha - nunca havia pensado nisso. Parabéns, João. Um abraço.

Enviado por Vera Moratta - vmoratta@terra.com.br
Publicado em 23/05/2014

E tem mais, caro john, ontem ganhamos por 1x0, do Figueirense (o mesmo, vingando o Corinthians) e quanto nossa dificuldade no metrô, aqui em SP, é que na época das viagens, mais de 30 anos atrás era umaa coisa, hoje, com 82, é bem diferente. Un baccio in testa, Jua.

Laruccia

Enviado por Modesto Laruccia - modesto.laruccia@hotmail.com
Publicado em 23/05/2014

Mi brother, João, eu não quis gozar vc, meu texto já estava pronto antes do jogo. Mandei no sábado ou domingo, e pareceu que eu quis tirar um "sarro". Tenho um futuro neto, João como vc, estava ao meu lado, corinthiano "rochicimo", mostrei a ele a bronca que vc deu no texto do nosso colega. Eu falei: "João, vou fazer uma brincadeira com seu chará, incluindo no meu texto. No domingo assistimos o jogo juntos e ele falou: "Mode, que boca a sua.". Foi o que aconteceu.

Quanto as viagens de metrô em NY, Paris, onde me bateram a carteira com 400 dolares e, preocupado com super lotação pra voltar ao hotel, entramos num vagão quase vazio. Fui multado e quase preso pela polícia: o vagão era reservado para os "Mutile de guerre", Londres (o mais profundo), todos funcionando bem mas, sujos demais, principalmente o de NY, pichado em tudo quanto é canto do vagão. O de SP é pena que ainda é insuficiente pra amenizar o transito. Muito limpo e bonito, principalmente as estações. Se vc vier novamente, me dê o prazer de uma visita, pô!

Quanto ao seu texto, Felix, falando sobre sr. Américo, me trouxe a lembrança das "cocheiras dos bondes", como era conhecido o local que ficava na Celso Garcia com esquina da rua José de Alencar, em frente a Rubino de Oliveira, onde se localisava a Confeitaria Bauduco, onde vendi as primeiras embalagens pro "Bitost", e do panetone. Felizes recordações e gostei muito do tributo ao sr. Américo, num texto caprichado e saboroso de se ler. Parabéns e um forte abraço, fratelo mio.

Modesto

Enviado por Modesto Laruccia - modesto.laruccia@hotmail.com
Publicado em 23/05/2014

Lembrei de um ditado popular. "Estou velho mas não morto!!!"brincadeirinha... Todos nós sabemos que não se deve reagir em hipótece alguma a um assalto, mas como eu gostaria que todos estes assaltantes fossem linchados nesta hora. Acho que a população teria que ter esta coragem do sr Américo que voce conta nesta história,e partir para cima do sujeito em massa ao ver alguém sendo assaltado...

Enviado por Walquiria - walquiriarocha@yahoo.com.br
Publicado em 23/05/2014

Sim, e que falta faz os Srs Américos para acabar com essa raça de aprovitadores.

Enviado por Julia Poggetti Fernandes Gil - gibajuba@yahoo.com.br
Publicado em 22/05/2014

João, dessa vez o marginal não levou vantagem , parabéns pelo seu texto.

Enviado por Nelinho - lt.ltesser@hotmail.com
Publicado em 22/05/2014

Vai ver que ele demorou para soltar o braço do Batedor de carteira aos poucos g,g,g,ga,gue,jan,do. kkk E esse batedor de carteiras, no futuro passou de batedor, para apanhador, e como apanhou meu caro Felix. Boa historia, Parabéns.

Enviado por Arthur Miranda (Tutu) - 27.miranda@gmail.com
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