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Categoria - Nossos bairros, nossas vidas Jogo de taco Autor(a): Estanislau Rybczynski - Conheça esse autor
História publicada em 16/05/2014
Na infância, nas décadas de 1950 a 1970, que foi a minha, tinha época para tudo, não sei como isso acontecia, ou quem programava, mas todo mês tinha uma invenção, um tipo de brincadeira que se repetia todo ano no mesmo mês e parece que acontecia simultaneamente em todos os bairros e nem telefone havia na maioria das casas; será que era telepatia?
 
Tinha o mês de jogar bolinha de gude, soltar quadrado ou pipa, esse já no mês de julho e agosto, tempo de bons ventos, balões, caçar passarinho, nadar, pião, e algumas brincadeiras que todo dia era dia delas.
 
Mas uma das brincadeiras mais interessantes era o jogo de taco que reunia uma molecada, e o jogo era de dois contra dois, e sempre tinha uma dupla esperando a vez de jogar, esse já era esporádico na minha infância, não era muito comum.
 
O jogo, na maioria das vezes, era em ruas e tinha que ser reta e plana, sem buracos, e sempre tinha uma assim, mesmo porque ruas retas eram difíceis de ter buracos e recordo que a maioria dos nossos jogos era na Rua 35, atual João Meinberg, de pouco movimento, que apesar de terra batida era plana e reta em um bom trecho e de poucas casas; essa rua inclusive é divisa do Jardim São Luiz e V. das Belezas.
 
O jogo consistia em uma bolinha de tênis, ou de borracha mesmo, um pedaço de madeira de preferência bem chata para bater melhor na bola, taco fino e redondo era mais difícil acertar a bolinha arremessada. A distância entre os jogadores ou “casinhas” era de aproximadamente 20 m e colocava-se a “casinha” no meio da rua, onde o objetivo era derrubá-la com a bolinha, que era na minha época uma forquilha de três pernas; havia também com latas de óleo e outros, mas a forquilha dificultava acertar o alvo e nessa época não faltava mato para escolher a forquilha.
 
Fazia-se um círculo e no perímetro dele colocava a “casinha”. Nele ficava o rebatedor com o taco na mão e atrás do rebatedor ficava o adversário esperando a bola ser arremessada do outro lado pelo seu companheiro. O alvo era a “casinha” ou o rebatedor com o taco levantado, nesse caso o rebatedor perdia a vez de jogar com o taco.
 
Mas se o rebatedor acertasse a bolinha e ela e fosse longe as posições dos rebatedores eram trocadas batendo um taco no outro no meio do trajeto enquanto o adversário ia atrás da bolinha rebatida e ganhavam-se pontos, e assim sucessivamente.
 
Durante as partidas era comum o taco escapar das mãos e sair voando para a cabeça de alguém ou casa dos vizinhos e até nos colegas ao lado, e muitas vezes iam o taco e a bolinha juntos para o mato, muitas vezes aconteceu comigo e um fato que até hoje lembro: um taco escapou de minha mão e caiu na janela da única casa que tinha na rua, até hoje estou correndo do dono, que foi em minha casa reclamar com meus pais.
 
Geralmente as partidas iam até 12 pontos; uma coisa é certa: dava uma dor medonha nos braços no fim do dia.
 
E-mail: estan_tec@hotmail.com
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Publicado em 22/05/2014

Essa com certeza era uma brincadeira de meninos, aqui em Ribeirão meus filhos brincavam na rua uma modalidade parecida chamda de "Bets", não sei se é a mesma coisa, pode ser uma variação do seu jogo de taco.

Abraços.

Enviado por Julia Poggetti Fernandes Gil - gibajuba@yahoo.com.br
Publicado em 21/05/2014

Stan, aquí no Ipiranga haviam muitas ruas de terra, bem planas, nossos tacos eram feitos com pedaços de ripas dessas que se usam em telhados, nunca fui bom nesse jogo mas era interessante, parabéns pelo seu texto.

Enviado por Nelinho - lt.ltesser@hotmail.com
Publicado em 19/05/2014

Lembro dos meus irmãos jogando taco,e empinando pipas,minha mãe ficava doida porque eles perdiam a hora de voltar para casa.Meu irmão fazia balões em épocas Juninas para vender no bairro.Lembrando a todos que nesta época não era proibido soltar balões.Mas isto tudo que voce citou era apenas para os meninos, nós meninas não podíamos sair tão longe de casa igual a eles,o máximo era ir brincar na mesma rua ou até a esquina de casa hoje nem isso se pode mais,nossa crianças são aprisionadas dentro de casa e até no quintal é perigoso ficar.ISSO MUITO TRISTE!!!

Enviado por Walquiria - walquiriarocha@yahoo.com.br
Publicado em 19/05/2014

etan, a garotada da consolação, jogava nas calçadas, fazia uma casinha,,na esquina da rua e outra no meio da rua,

quebramos varias vidraças, e perdemos varias bolinhas de tênis,quando caia nas casas os donos não devolvia.

lindos tempos

Enviado por João Cláudio Capasso - jccapasso2@hotmail.com
Publicado em 18/05/2014

Estan eu tambem na minha infancia joguei o jogo do taco que tem uma semelhanca com o Baisebol americano ou Japones como queiram mas as regras sao mais ou menos essas so que em vez da casinha o alvo e sempre o rebatedor fora da base que com com uma bola atirada pelo adversario nele fora da base ele esta fora do jogo , com tres strikes muda o time que passa a bater e o outro a se defender , sao quatro bases e o centro donde fica o batedor.Isso e so para dar uma ideia , mas joguei muito esse jogo que voce menciona , e que so vim a conhecer as regras quando mudei para ca , alias e um jogo muito chato e so acompanho mesmo quando vao para as finais donde jogam 7 jogos com melhor de 4 pois quem ganhar 4 dos 7 e campeao o time que eu torco e o New York Yankers que e o campeao dos campeoes pois na liga e um dos que conseguiram alcancar o maior numero de campeonatos que ironicamente eles se intitulam campeos do mundo quando so jogam times americanos e um canadense . Parabens pelo belo texto . So para lembrar ,parabens por aquela entrevista que voce deu para o Jornal Hoje da Globo sobre aqueles trilhos dos bondes na linha do metro foi uma entrevista rapida mas foi um prazer conhece-lo no video . Abracos Felix

Enviado por João Felix - jfvilanova@gmail.com
Publicado em 17/05/2014

As brincadeiras de infância estavam sempre condicionadas ao espaço amplo existente, e não tinha alto custo, não haviam tanta diversidade de brinquedos e jogos eletrônicos como na atualidade, mas havia uma coisa de suma importância: a liberdade a interagir entre as crianças em todas as ações que se propunham. Hoje nem espaço para brincar existe em São Paulo e as crianças são "aprisionadas" em apartamentos sem direito de gastarem toda energia de felicidade infantil.

Enviado por Carlos Fatorelli - cafatorelli@gmail.com
Publicado em 16/05/2014

Estan, eu era craque nesse jogo. E o taco soltava sim. Um dia acertei a cabeça do Quintino, amigo nosso. Foi em baita susto, mas o jogo continuou.

Enviado por Marcos Aurelio Loureiro - marcoslur_ti@yahoo.com.br
Publicado em 16/05/2014

Joguei muito isso Estan, e adorava e era tudo assim desse mesmo jeitinho que você tão bem descreveu, despertando em mim uma tremenda saudades. fazendo com que eu me lembra-se que como eu tinha duas irmãs mais velhas do que eu, eu acabei jogando também jogos mais femininos jogado por elas com suas amigas, como o barra-bol por exemplo. mas apesar de tudo isso disso eu nunca pensei em se gay. (risos).

Enviado por Arthur Miranda (Tutu) - 27.miranda@gmail.com
Publicado em 16/05/2014

Boas recordações, Sr. Estan. Também nunca consegui entender como muitas vezes eu encontrava em bairros distantes a garotada se divertindo com a mesma brincadeira de época do meu bairro. Não sei se era uma regra geral, mas lembro que vencia o jogo quem conseguisse pegar no ar a bola que tinha sido rebatida pelo adversário.

Enviado por Abilio Macêdo - abilio.macedo@bol.com.br
Publicado em 16/05/2014

Que infância interessantes, Estanis. Deve ter sido muito bom mesmo. Infelizmente eu pouco ou nada saía de casa e só ouvia falar dessas brincadeiras dos meninos mais felizes que eu. Parabéns e um abraço.

Enviado por Vera Moratta - vmoratta@terra.com.br
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